Homo sapiens pus

Só...
Capacitada para voar…

Em torno da mesa de um bar exclusivo, alguns homens estão reunidos. Copos de whisky 12 anos nas mãos, falam de futebol, política e mulheres. Comentam sobre como estas últimas estão colocando as manguinhas de fora, cada vez afirmativas e atentas aos “supostos” direitos que dizem ter.

Um deles cita a filha, que prefere estudar, se formar e conseguir um trabalho. Casar e ter filhos, nada. Revelou que um excelente “partido” já o havia consultado sobre a possibilidade pedi-la em casamento. Seria um golpe de mestre, já que reuniria duas das famílias mais influentes do ramo imobiliário. Para seu desgosto, ela se recusou veementemente – “Fossem outros tempos”…

Outro, revelou que despediu a secretária pela tal achar que o caso que mantinham lhe dava certas vantagens. “Ela ameaçou contar tudo à Dirce, acredita? Falei na lata: Vá! Não será a primeira”… – Riram da insolência da coitada – “Essas tipinhas nunca aprendem!”…

Pegando bonde na situação, um terceiro enumera as mulheres que comeu. Todas interessadas na grana que conseguiu com muito custo, suor e negociatas. “Vocês acham que eu deixaria a minha mulher, depois de tudo que ela me ajudou, cuidando da minha casa e dos meus filhos?”. Completou – “Sou um cara leal!”… E riram…

Um quarto, relatou que estava em uma luta insana com uma das sócias para obter uma conta de publicidade. “Meu, a bicha é inteligente e bonita! Mas o dono da empresa disse que dará a conta a mim. Não gosta que mulher se sobressaia tanto no trabalho, mesmo sendo gata. Aliás, essas são as mais perigosas! Conseguem tudo o que querem com a xana”. Todos concordaram, entre risos nervosos.

Dentre todos, apenas um não mostrava os dentes implantados. Baixou o copo no descanso e proclamou, com um leve sorriso: Vocês são misóginos!” – Sob protestos dos outros, quase em uníssono, refutaram – “Como assim? Amamos as mulheres! Olha que coisas mais lindas!” – E apontaram para o outro lado do salão onde estavam, quase em fileira, moças com pernas à mostra, curtos vestidos. Após a alegre discussão de quem ficaria com quem, o último pede a palavra.

“Sei que vocês amam as mulheres, mas no que têm de mais superficial. Era menino e meu pai abandonou a nossa família. Temi que a minha mãe não aguentasse. Em várias ocasiões, chegou a dizer, chorando, que mataria a mim e a meus irmãos e que depois se mataria. Puta drama! Evidentemente, não cometeu tal insanidade. Na Periferia, onde vivi, muitas mulheres conseguiam e conseguem criar os filhos sem a ajuda dos homens, mantendo a família unida. Quantos empresários conseguem fazer a firma aberta com tão poucos recursos? Quando fui estudar no turno da manhã (minha mãe fazia questão), havia poucos meninos, apenas um terço. Assim, como no vespertino. A grande maioria estudava no noturno, porque trabalhava durante o dia. Logo, previ que as mulheres, ao se tornarem mais capacitadas, comandariam os postos mais importantes no futuro. Isso, faz 40 anos. Já era para elas terem chegado lá. Graças a homens como eu, mais lúcidos, que conhecem o poder que elas têm, incluindo o de gerar a vida, isso não prosperou! Nem de pau elas precisam para fecundá-las! Tenham consciência que se não nos cuidarmos, o nosso mundo deixará de existir. Seremos seus simples lambe-sapatos-salto 10!”…

Após uma pequena pausa, um dos presentes, conclama: “Bem, enquanto isso não acontece, vamos brindar ao poder dos machos!”. Sob o aplauso de todos, voltaram os olhares para as beldades que estavam ali somente para servi-los…