Projeto Fotográfico 6 On 6 / Eu

Eu tenho, durante toda a minha existência consciente, tentado compreender o que seja “eu”.  Certamente, não sou apenas o que se sobressai nas imagens icônicas — cor da pele, idade, feições, roupas que visto ou desvisto, identidade de gênero, condição social, trabalho, nome, estudo, nacionalidade, pensamentos, vontades, desejos, ações e omissões. Ao mesmo tempo e lugar, sou também tudo isso. E muito mais e muito menos do que imaginam. Desde os meus 16, 17 anos, a minha luta é uma tentativa constante de subjugar o ego e emancipar o espírito. Fica difícil para quem não acredita em vida para além do corpo físico entender que isso seja possível. Enquanto eu acredito (sinto) que minha consciência particular seja apenas uma infinitesimal parcela da Consciência Universal, para outras pessoas, a consciência de si termina com a morte. Se isso for a verdade dos fatos e sobrevenha a escuridão total e o Nada após o desmanche das fibras carnais pelo apodrecimento, eu terei transcendido em vida física para além das aparências e da ilusão. Ainda que essa ilusão seja o padrão pelo qual o ser humano se veja e chame a isso de Realidade.

À partir de mim, em sentido horário: Romy, Lívia, Ingrid e Tânia.

2018

“E este registro resume o dia intenso que tivemos. A Família Ortega, reunida com todos os seus componentes durante as últimas 48 horas. Fato raro, nos últimos tempos. Em Inhotim, experimentamos uma imersão no mundo da criatividade humana, aliada à beleza natural do lugar. Está foto foi tirada onde ecoa o som do fundo da Terra ou, pelo menos, a 200 metros de profundidade. Nada melhor para simbolizar a profundidade do amor que sentimos uns pelos outros. Iniciativa da Ingrid, nos propusemos a seguir sua ideia. Depois de quase 600Km, chuva forte, acidentes e trechos ruins de estrada, chegamos a Brumadinho, uma cidade (ainda) pequena e de gente hospitaleira. Devido à correria, talvez tenhamos uma ceia simples, porém estaremos juntos — melhor presente de Natal não haverá!”

A legenda acima, de 23 de Dezembro de 2018, resume o meu sentimento ligado à família. É uma sensação orgânica, que não tem nada a ver com as formulações exteriores impostas pela sociedade. Ainda que haja papai, mamãe e filhinhas. Para confirmar que a vida sempre carrega aparentes surpresas (sempre há uma causa), um mês depois dessa visita a Brumadinho, em 25 de Janeiro de 2019, ocorreu a avalanche que soterrou casas e áreas próximas a que percorremos na região, pelo estouro da barragem de dejetos da Vale, deixando 270 vítimas fatais, além de 11 desaparecidos.

As destemidas e eu…

1997

Eu tenho uma forte identidade com o Mar. Gosto de estar dentro d’água, festejando minhas limitações físicas contra as ondas. Ensinei às minhas crias a respeitá-lo, mas não temê-lo. De alguma forma, parece que abarcaram essa ideia e hoje, sempre que podem, gostam de estar junto ao Oceano. Escrevi sobre a foto, em Julho de 2020:

“Registro de Janeiro de 1997. A Lívia estava com 1 ano e três meses, a Ingrid, quase 5 e a Romy, 7 anos e meio. Estávamos em férias na PG e eu ensinava às meninas a não temerem a água do mar. Assim como tentava mostrar, assim como a Tânia, que deveriam ter coragem ao enfrentar o mundo dos homens, mulheres crescidas que se tornariam um dia. Acho que fizemos bem o nosso trabalho e hoje elas souberam construir os seus caminhos como senhoras de si.”

Aos 13…

1974

Sobre essa imagem, em que apareço com a Fofinha no colo, escrevi um texto — Um Menino — que fala sobre o meu medo de me envolver com as meninas, misto de respeito, admiração, fascínio e atração, que mantenho até hoje. Eis o parágrafo final, eu diria um tanto fatalista:

“Se ele me pedisse um aconselhamento e se ele não estivesse tão longe no tempo, pediria covardemente que nunca se aproximasse das meninas, nunca se envolvesse emocionalmente, nunca se apaixonasse por elas. Porém, advertiria também que ele perderia o melhor da viagem. Os altos e baixos do relevo, as curvas perigosas da estrada e a paisagem sempre inesperada. Diria ainda que podemos morrer por elas, no entanto é por elas que devemos viver.”

Dona Maria Magdalena Nuñez Blanco Y Prieto Ortega e seu filho…

1962

No Facebook, eu já coloquei a uma imagem de minha mãe como foto de perfil. Demorei muito para compreendê-la. Ela prefigurava uma espécie de antípoda em relação à autoconstrução de meu comportamento emocional. Mas finalmente aceitei ser seu filho. Quanto a isso, escrevi:

“Na fase final de sua passagem entre nós, consegui compreender o quanto a Maria Madalena funcionava de forma diferente de mim. Ela era todo amor e eu a buscar comedimento e autocontrole em minhas emoções. Antes dela nos deixar fisicamente, consegui me reconciliar com a condução que ela dera à minha vida. Aceitei que o seu amor me dominasse e tentei retribuí-lo de alguma maneira. Não viverei a lamentar que o não tenha feito. A partir de então, tenho como ideal de ser, um dia, metade do ser amoroso que a menina Blanco foi…”.

No palco do Clube Piratininga, onde realizamos vários eventos nesses 33 anos de OLS.

2001

Meu irmão, Humberto, e eu, montamos uma pequena empresa de locação de serviços de sonorização e iluminação. Estamos há cerca de 33 anos em atividade ininterrupta, sem contar o período mais grave da Pandemia de Covid-19, já que nesse caso, o mundo todo parou. A nossa estratégia foi ocupar um nicho de mercado restrito, de eventos menores em proporção física. Mas aprendemos que para quem nos contrata, isso não é o caso. Eu me lembro de um episódio em que ao chegar ao local, o avaliei e disse em voz alta que o palco era pequeno. Antes que viesse a completar o que eu queria dizer, a dona do espaço ouviu e se mostrou ofendida. Pedi desculpa e fiz ver que o que queria dizer é que o equipamento que usaríamos deveria se adequar ao lugar, sem intenção de crítica. Além disso, percebi que a prestação de serviços é também um trabalho de relações públicas. A Pandemia me mostrou que minha atividade profissional é essencial para mim como Homem. E sei que isso é também verdadeiro para a maioria das pessoas. Ser autônomo como pessoa, produtivo como ser, contribuinte para a manutenção material familiar faz parte de minha identidade como cidadão.

Minha amiga e companheira de ScenariumRoseli Pedroso — e eu, por ocasião de REALidade, meu primeiro livro.

2017

A identidade mais importante e a que mais demorei para assumir foi a de escritor. Principalmente por respeitar demais esse título. Escrevo desde os meus 8 ou 9 anos. Com o tempo, o amor pela palavra foi crescente. E continuo cada vez mais fascinado pela criação de realidades. Foi e é o que me define como pessoa. Porém, apenas recentemente saí do armário. E muito se deve à Scenarium, onde comecei a ser chamado como autor por sua mentora, Lunna. Ter um livro publicado foi apenas a coroação de uma atividade que dá a mim a oportunidade de expressar e documentar minha visão de mundo. Hoje, consigo dizer sem corar (muito): eu sou um escritor!

Participam:

Isabelle Brum
Darlene Regina
Lunna Guedes
Roseli Pedroso
Mariana Gouveia

Entrevista Sobre O Lançamento de Curso De Rio, Caminho Do Mar

Como surgiu o título do livro?

Eu estava escrevendo uma das crônicas proposta pelo curso de crônicas da Scenarium  —Livros Artesanais e essa sentença surgiu ao final de uma delas. Percebi a conexão que havia entre os rios canalizados nas várzeas de São Paulo, frequentemente transformadas em avenidas de fundo de vale, uma característica bastante acentuada na região na qual moro, na Periferia da Zona Norte. São os rios cinzas pelos quais transito na cidade. Caminho do Mar é o sentido que realizei em busca de salvamento.

Quais são os personagens do livro?

Os personagens somos todos nós, intermediados por minha voz. Quando falo de nós, me refiro à comunidade humana, ao País, em particular. Evidentemente, alguns nomes mais próximos pontuam mais evidentemente porque participam do meu olhar do tempo imediato ao qual aludo, além de personagens aleatórios que surgem sem pedir licença. Quase um diário de viagem.

Como foi o processo de feitura do meu livro?

Como já citei, eu precisava escrever para exteriorizar a minha dor, o processo de desalento pessoal, muito guiado pela situação que via se agravar no País. Antes, eu era um ser recluso, alheio ao que acontecia ao meu redor, que só observava como se fosse um voyeur. Não interagia com ninguém, apenas convivia. Após perceber que era um caminho sem volta para o fim, decidi me salvar abrindo meu peito ao mundo e às pessoas. Não sem muita dor, igualmente. Mas era uma dor redentora, enquanto a outra era egoísta e sem propósito. Com isso, sofro quando vejo o mal grassando como praga. Para nós, brasileiros, não bastava a Pandemia, tinha que haver um ser abjeto que conduzisse todos nós à catástrofe. Como digo sempre, nada acontece do nada. É um desenvolvimento paulatino. Criamos as bases, os precedentes e demos chance para que o fenômeno que estamos vivendo acontecesse.

Um trecho do livro…

“Reverencio a luz, a energia visível e invisível de tudo o que me envolvia água, árvores, seres que pululam entre meios e veios a transitarem entre as dimensões. Saio da água renovado e agradeço à Marina e à Alice, juntando as mãos em sinal de gratidão… por me levarem até lá. Voltamos repisando passos de milhares antes ainda que fosse um lugar mais segredado iguais a mim, humildemente gratos e largamente agraciados.

Reencontramos a mulher que nos chamou a atenção isolada, a conversar com seres invisíveis ou consigo mesma. Quando chegamos, ela posicionava a placa de “PERIGO”, a declarar que se as mulheres não o fizerem, não serão os homens que o farão. Fui ao mar. Dentro d’água, a vejo exortar as ondas:

Sai doença! Venha cura! frase repetida algumas vezes.

Ao voltar, interrompi a leitura para observá-la a recolher conchinhas. Vez ou outra, conversava com as águas. E eu me interessei por sua história. Soube que era amante do mar. Que garota, o pai não gostava que a família fosse à praia ao invés das serras de Minas. Ao primeiro contato com o oceano, se apaixonou. Morava em São Paulo.

Mas decidiu deixar a metrópole quando percebeu que aquilo não era vida.

Cantava o trecho de ‘Exagerado’, de Cazuzapor você eu largo tudo: carreira, dinheiro, canudo’, em alusão ao mar. Formada e pós-graduada, a Sacerdotisa desceu definitivamente há três anos para Ubatuba.
A família foi para Portugal. Olhando em torno disse que nunca poderia deixar aquele paraíso.
Eu pensei a mesma coisa.” — Trecho de A Sacerdotisa

O que se espera encontrar ao ler Curso de Rio, Caminho do Mar?

Identificação com o tempo e o lugar em que estamos. Porque simplesmente “estamos” e as pessoas parecem se considerar eternas no sentido material da realidade que nos é dada a ver. Tento ultrapassar o véu que nos ilude e chegar ao cerne de Ser, para além de ser um humano ser.

Qual a emoção que esse livro pretende provocar?

Empatia. De minha parte para os outros. Espero receber sinais de empatia de retorno. Mas já aprendi que não devemos criar expectativas. O que sei é que esse livro me salvou. O que pode mais se esperar de palavras impressas em folhas de papel, enlaçados artesanalmente?

Puxada De Costas*

Foto de 2015, realizada na Academia Peck & Deck

Em novembro de 2015, fazia dois anos que eu havia completado o bacharelado em Educação Física, curso iniciado tarde na idade (aos 48 anos) em termos comparativos, para aqueles que estipulam períodos certos para começarmos certos processos na vida. Fui bastante incentivado por minha companheira, que dizia que eu estava sofrendo de “síndrome de ninho vazio”, já que as meninas estavam crescidas e cuidando de suas próprias questões. Outra razão é de eventualmente vir a exercer uma profissão alternativa à prestação de serviços na área de eventos, bastante oscilante. O advento da Pandemia veio a corroborar o quanto isso é real.

À época, eu havia recém-iniciado o meu trajeto na Scenarium — Livros Artesanais, finalmente me assumindo como escritor (outra atividade “maldita”), mas mantinha minhas postagens na divulgação da atividade física pela importância e pelos benefícios que me proporcionou. Uma das outras razões para iniciar um curso sobre educação corporal foi o desenvolvimento da Diabetes, uma doença sistêmica que se não for acompanhada de perto, causa graves prejuízos à saúde humana. O estímulo muscular e consequente gastos calóricos auxiliam no equilíbrio da glicemia do diabético.

“Ainda sobre hoje na academia, há coisas que não mudam. Uma delas, é a puxada para as costas. Pode ser em aparelho novo ou velho, o importante é a correta execução, com o peso adequado para o seu estágio. Nada de acelerar o processo. Nada de ultrapassar a carga além da conta, como se fora competir com os fortões da academia. Isso desanima quem está começando e contunde quem está retomando a trajetória. Se o instrutor acha que você tem que sofrer uma paralisia muscular para alcançar algum progresso, desconfie.

A musculação, bem feita e bem dirigida, é uma das melhores atividades físicas para todas as idades, a partir dos 16 anos. Sim, começar antes disso, requer acompanhamento rigoroso, pois o corpo ainda está em desenvolvimento. Obviamente, esse assunto é polêmico, mas sugiro para aqueles que apenas querem ter um corpo saudável, sem que seja atleta de competição, que procure diversificar as várias opções esportivas. Esse procedimento amplia o repertório corporal. Busque a boa saúde, não apenas para buscar uma aparência bonita, mas para que previna o desenvolvimento de doenças físicas e psicológicas.”

*Texto, entre aspas, de 2015.

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Atos / Abraços

Este texto e imagens também são uma homenagem à minha mãe.

É a respeito dum ato prosaico, do dia a dia, feito tantas vezes inconscientemente, poucas vezes repetido por mim ao longo de muitos anos abraçar. Quando novo, eu vivia uma relação tumultuada com os meus pais, no meio da guerra constante entre eles. Isso a tal ponto me influenciou que havia decidido me abster de não seguir a trama do enredo da maioria das pessoas me casar, ter filhos ampliar a família para além da que já tinha, tão cheia de conflitos. Levado a um beco sem aparente saída no meu caminho de me afastar do contato humano mais íntimo, mudei de ideia e consegui vencer essa barreira através de minha companheira e filhas. Voltei a exercer um ato que só empreendia na infância, com a minha mãe. Expressão de amor, também voltei a abraçá-la e abraçar às outras pessoas, aceitando-as. Ainda é difícil aceitar a mim mesmo, mas acho que até o último dos meus dias, eu chegarei lá…

Nascida a 6 de julho de 1932, Dona Madalena faria hoje 89 anos.

Pelas expressões que carrego nos registros de pequeno e pela lembrança que eu tenho até ter feito uma das minhas “viradas” de personalidade/comportamento, fui uma criança feliz. Naturalmente, eu não sabia disso. É comum, apenas depois do contraste revelado por experiências pessoais, que descubramos que o ouro sempre esteve à flor do chão. Quase 50 anos separam as imagens desses abraços. A mais recente ocorreu perto do passamento de minha mãe, em 2010.

Nesta imagem de 2016, em um domingo em que eu aniversariava, o meu presente foi ter presente a minha família reunida junto a mim, algo cada vez mais raro, já naquela época, em que as “minhas” meninas começavam a ter vidas autônomas da familiar. Pois não criamos as “nossas” crianças para que assim sejam, delas mesmas?

Em 2015, comecei a ser publicado pela Scenarium Plural Livros Artesanais. Um dos lançamentos foi o projeto dos 7 (Pecados Capitais), com irmãos de letras. Então, começava a abraçar não apenas pessoas, mas a escrita como caminho irreversível a ser trilhado. E novas pessoas para abraçar vieram junto com o prazer (e a dor) de escrever. O bom filho a escrita volta…

Em 2010, no último dia de aula prática de Ginástica Artística, há este registro de congraçamento entre os estudantes. Eu, um deles, que voltei a ser depois de velho, me sentia bastante à vontade entre os (bem) mais jovens, renovado por contatos que mantenho até hoje, mesmo que alguns ocorra apenas por redes sociais.

Luiz Coutinho, à esquerda e Marineide, ao centro da imagem

Falando em redes sociais, ela acabou por gerar contatos virtuais que geraram abraços presenciais. Tive o prazer de encontrar amigos especiais que enriqueceram a minha vida de várias maneiras, como o Luiz Coutinho. No caso da amiga Marineide, cremos firmemente que foi, na verdade, um reencontro de outras vidas, depois de termos sido deixados na Terra pela Nave Mãe.

Registro de um dos últimos eventos realizado antes do advento da Pandemia de Covid-19, no final de fevereiro de 2020

Outra família que formei ao longo dos anos foi no trabalho. Várias das pessoas nesta imagem foram e são importantes na formação de minha personalidade mais abrangente em termos de desenvolvimento emocional e profissional. É apenas representativa de um círculo bem maior de relacionamentos que, acredito, nunca são por acaso, como tudo na vida, aliás. Com a Pandemia, o meu métier foi um dos que mais sofreram porque lida justamente com o congraçamento, a alegria, a festa, o abraço um ato que muitos deixaram de exercer por ser estranhamente quase mortal. Muito mais estranho são os tempos que vivemos, intencionalmente ampliado por vontade e (maus) atos de alguns.

Também participam:

Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Darlene Regina

Mudanças

Foto da sala que se tornaria escritório e biblioteca, em 2012

Em 2011, quando comecei a postar no Facebook, cria que o canal de mídia social pudesse ser, mais completo que o Orkut, um depositário de textos, fotos, cacos da vida, observações filosóficas, instantes simplórios em que a existência mostrasse algo a mais por trás da cortina do comum dos dias. O estranho é que, pouco a pouco, as minhas postagens ganharam seguidores que começaram a gostar dessas apresentações. Com o tempo, vi crescer a vontade de elaborar textos mais sofisticados, uma espécie de preparação para atender a um desejo maior me tornar um melhor escritor.

Aos poucos, a camada de ferrugem, causada por muitos anos de paralisia após o casamento e intensificação da minha atividade profissional, foi sendo removida e recebi boas apreciações. Cinco ou seis anos depois do advento das redes sociais, em 2015 a Scenarium Plural — Livros Artesanais surgiu em meu percurso. Ganhei a aceitação e o cinzelamento de Lunna Guedes, editora do selo e a segunda sagitariana mais importante da minha vida. O período de hiato criativo materializado havia causado uma fratura estilística da qual me ressentia e ela, com o seu olhar treinado, me conduziu a curá-la.

Fui chamado a participar de edições da Revista Plural com crônicas, poemas e contos em lançamentos coletivos. Em 2017, encetei publicar obras individuais REALidade”, “RUA 2” e “Confissões” — que hoje fazem parte do catálogo da editora. Continuo me pressionando para refinar a minha escrita. Há momentos de altos e baixos, ao sabor dos acontecimentos, justamente por estar mais aberto, algo que busquei conscientemente. Eu acabei por me tornar objeto de uma experiência pessoal, com as devidas consequências, nem sempre ou quase nunca controláveis.

E pensar que postagens como a que colocarei a seguir, de 2012 simples, leve, descompromissada —, que fez com que a esposa ralhasse comigo por expor nossa intimidade, fazia parte do esforço pessoal para me exteriorizar. Atualmente tenho por hábito me inviscerar quase que cotidianamente.   

“Uma das razões da minha falta de tempo consubstancia-se, em parte, nesta foto. São caixas e caixas com diversos objetos: fitas de vídeo (nem tenho mais videocassete), CDs, cadernos de estudo, apostilas, bugigangas pequenas antigos celulares grandes e pesados, computador velho e luminária revistas, livros e “otras cositas más”. Como é penoso carregá-las de lá para cá, em constante mudança de ambientes, buscando lugares onde possam descansar seu fardo e seu cheiro de passado, enquanto a reforma da casa não fica pronta!”.