BEDA / A FACILIDADE DO FASCISMO

Mesmo depois de levar o mundo à guerra mundial, a propagação do Fascismo continua a se espalhar por todas as sociedades. Num planeta em que quase nenhum lugar está incólume de receber influência do totalitarismo digital através dos meios de comunicação,, a facilidade de um sistema simplificador em que normalmente não há reflexão sobre os assuntos costuma-se utilizar as chamadas “soluções simples”, que equaliza pela média as questões mais complexas em pauta na Sociedade. É a ditadura da simplificação que não atende as minorias, mas satisfaz os medíocres. Ouvi um filósofo dizer que o Fascismo é a falência do Abstrato e da Abstração, quando conseguimos ultrapassar o básico e atravessar os limites da simplificação, que busca padrões esquemáticos.

Muitas vezes, as soluções simples são as ideais, mas tomar qualquer atividade humana de maneira padronizada sob os auspícios do que é mais elementar, contando com a anuência daqueles que não suportam inovações ou diferenciações, elegendo modelos esquemáticos que acabam por ser impostos pelo poder vigente. No modelo democrático, busca-se o consenso, mas quando se estabelece o poder pelo uso das armas, observa-se que o poder de decidir entre a vida e a morte de segmentos inteiros de populações divididas em estamentos em que os menos aquinhoados de poder econômico, por exemplo, se tornam párias dentro do contrato social.

As raízes do Fascismo é antiga, mas com o crescimento de múltiplas influências dentro das estruturas de Poder Político que desenvolve mecanismos que impedem o crescimento da equanimidade de oportunidades de desenvolvimento positivo entre os cidadãos numa determinada localidade — País, Estado, Continente, Hemisfério — vemos crescer a violência como imposição natural do status quo. Falimos, quando isso acontece, como sociedade emancipada para além do que é padronizado, gerando estagnação intelectual e pobreza de recursos de ideias que poderiam auxiliar na melhora das relações sociais. A figura de uma parede branca bem poderia representar essa situação.

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BEDA / O Mundo Mortal Dos Homens

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Homens estão matando mulheres… todos os dias. Hoje, eu ouvi no noticiário um relatório que indica que esses crimes aumentam em dias de jogos de futebol. Creio que esses casos ocorram quando o time do companheiro perdem a partida. Sem uma estrutura mental equilibrada, vivendo de desenganos em uma sociedade mutante em que os privilégios de ser um macho se tornam cada vez mais contestados, esses sujeitos resolvem que espancando ou matando as suas companheiras resolvem seus sentimentos de insignificância e frustação diante de um novo contexto das relações humanas.

Esses sujeitos costumam a se apegar a tradições em que o fato de carregarem um pênis os tornam automaticamente supremos. Costumam apelar aos “antigos costumes” que os colocavam como representantes de um deus apresentado como um pai, portanto um homem. Tenho por mim que se há um ser mais próximo da divindade, seria uma entidade com características femininas. Para esses homens aceitarem que a sociedade próspera se estabelece em base de igualdade entres homens e mulheres é difícil. Imagino que sonham em restabelecer um reinado em que estipulem normas em que sua natural superioridade não sejam refutadas.

Enquanto isso, matam quando contrariados. Ser homem nestes tempos não tem sido motivo de orgulho… bem ao contrário.

08 / 10 / 2025 / Negacionismo*

Enquanto mangas que deveriam ser colhidas apenas a partir de Setembro caem bicadas por maritacas, a Amazônia e o Pantanal pegam fogo, produzindo mais gás carbônico do que recolhem do ar. A China e a Europa ficam inundadas por chuvas torrenciais, destruindo cidades e matando pessoas. Por aqui, o ex-ministro do Meio Ambiente, que deveria protegê-lo, está envolvido com o contrabando de madeira. O Brasil sempre carregou a marca da corrupção e da busca de benesses desde a carta de Pero Vaz de Caminha em que, junto ao anúncio da “descoberta” ao Rei da terra “em que se plantando, tudo dá”, pede um emprego para um parente. O que temos atualmente é um desgoverno propositalmente levado adiante por um Ignominioso Miliciano no Poder. Além da seca terrível ela qual o País passa, o desastre é que não temos perspectivas no horizonte enfumaçado porque isso interessa a muitos agentes dos dois lados — os que querem permanecer no poder e os que querem vê-lo desidratar para sucedê-lo. Caso contrário, não apoiariam a aprovação de um fundo partidário — que já é uma excrescência por si só — de quase 6 bilhões de Reais, enquanto falta dinheiro para o Censo Demográfico, sem o qual não sabemos como estamos como Sociedade. Traria a constatação de nossa decadência como Povo e isso faz parte do projeto negacionista.

*Texto de 21 de Julho de 2021

05 / 10 / 2025 / Ser Mulher*

* Em 2020, escrevi: “Há uns anos antes, quando precisei depilar o peito para fazer um teste ergométrico, aproveitei para depilar o resto do corpo. Ao tomar banho, a sensação foi tão prazerosa, que repito a operação duas ou três vezes por ano. Penso em fazer com cera, mas como sei que dói, teria que ser muito mulher para encarar…”.

O que escrevi acima diz se orienta pelo respeito que tenho pela mulher não apenas por pertencer a um gênero que foi hostilizado pelo homem durante a organização das diversas civilizações ao longo das eras e aprendeu a sobreviver até hoje, quando tem alcançado protagonismo na construção da Sociedade em níveis que antes estavam reservados ao “sexo oposto” — termo que cabe como uma luva ao nos referirmos à maneira que a mulher tem sido vista pelo homem — uma inimiga.

Talvez seja medo de perder o protagonismo conseguido sem esforço, a não ser pelo fato de nascer um membro pendente entre as pernas que ainda é usado como se fosse uma distinção emérita. !Que me desculpem os meus “colegas de gênero”, mas um gênero da espécie humana que mereça ser chamada de “sexo forte” é a fêmea, não o macho. Fomos criados embriagados pelo poder de sermos superiores e para alguns de nós isso é o suficiente para não se esforçarem em serem pessoas melhores, mais capacitadas, mais aptas.

Ah, e quanto à depilação, as mulheres podem se sentir obrigadas a utilizarem diversos recursos para se sentirem mais aceitas num mundo em que devam se apresentar de tal ou tal maneira. Se for uma opção dela, tudo bem, assim como foi a minha em me depilar algumas vezes por ano. Mas ser pressionada para isso como a outros procedimentos para alcançar a aceitação social, incluindo a de outras mulheres, que agem como fiscalizadoras de estética e de comportamento, adotando preceitos machistas. Enfim, homenageio às mulheres que conseguem lidar com tantas pressões o tempo todo sem esmorecer… quase todas.

Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com

18 / 07 / 2025 / Mão De Obra

Sou escritor. A minha personalidade é de alguém que cogita escrever para poder estabelecer uma relação entre o feito e o dito. Gosto do trabalho braçal-manual porque me “relaxa”, no sentido de que os pensamentos pelos quais sou atravessado se direcionam para “outro lugar”. Não sou adepto apenas de tarefas ou atividades que envolvem o meu trabalho, eminentemente físico, mas não deixa de ser intermediado por processos mentais que são necessários em qualquer movimento humano. No meu caso, proporcionamos, meu irmão e eu, condições técnicas ideais para a expressões artísticas e outras que envolvem um palco, púlpito ou cenário — teatro e outros espaços — atores, palestrantes e cantores.

Outro gosto que cultivo é do trabalho caseiro — o mais intenso e difícil de ser feito pela multiplicidade de fatores. Varrer, lavar louças e roupas, estender para secar, recolher, passar, arrumar o espaço, deslocar móveis, limpá-los. Num eventual jardim que possamos ter e eu tenho, regar as plantas, preparar o solo, cuidado com as podas, replantio, adubação, controle de pragas ocasionais também é algo que gosto. Quando novo, acalentei a ideia de me tornar dono de um sítio autossustentável. Mas há tarefas as quais prefiro em relação a outras — lavar louça e varrer o quintal se configura quase em momentos de meditação.

O ser humano, no desenvolvimento das sociedades, acabou dividir tarefas e estabelecer estamentos sociais para separar quem faz determinadas tarefas lhes conferindo valores diferenciados — das mais nobres a menos, além do uso de palavras para designá-las divididas como dignas enquanto outras nem tanto. Ainda que saibam que sem os que as realizam atividades essenciais e outros que são beneficiados por elas estabelece uma relação de poder destes que detêm o poder econômico, para aqueles em forma de recompensas normalmente aviltadas para baixo. Criando clara dependência mútua, mas que é dominada por quem é servido.

Eu não queria, quando mais novo, me envolver com o Sistema — trabalhar, casar, ter família — encontrar uma posição relevante na Sociedade. Apenas, era o meu plano, caminhar a esmo, me tornar um viajante sem rumo, sem lugar para chegar. Envolvido com as religiões orientais, meu objetivo era transcender o corpo, fazer um percurso que não precisasse criar liames. Não aconteceu. A mão mostrada acima é a mesma de quem se casou, criou três filhas empoderadas, trabalhou e trabalha para se manter produtivo e que ainda tem desafios a realizar. Sem deixar de transcender a realidade imediata.