BEDA / Notas De Agostos*

Para compensar o erro de tomarmos a estrada errada, nos deparamos com o outro lado do Pico do Jaraguá — o ponto mais alto da Cidade de São Paulo. Logo depois, retomamos o caminho. Quilômetros a mais, gastos a mais, fruição a mais. Muitas vezes, pagamos por nossos erros com o maior prazer do mundo… *(2015)

Sol amarelo do Super Homem, um alienígena que deu de cair no Meio-Oeste americano para confirmar o poder da grande nação do norte como líder da liberdade vigiada e do Capitalismo. *(2015)

Frio e nebulosidade. Clima de serra, por aqui… Recomenda-se o abraço apertado de seu amor. *(2014)

BEDA / Solar

Pode parecer incrível,
mas quanto mais eu me interiorizo,
mais eu me abro.
Quanto mais eu me exploro,
mais eu consigo me conectar com o resto de mim,
que são todos, que são tudo!
No entanto, alguns mistérios permanecem.
Há alguns lugares em minha alma que estão inacessíveis…
Tem sido mais fácil chegar ao Sol…

BEDA / Sol Invernal*

O sol invernal,
até quando se esconde,
deixa um rastro de beleza para trás.
Nesses momentos,
sem poder persegui-lo em sua trajetória
na qual espalha encanto pelo caminho,
só desejo acordar no dia seguinte
para contemplá-lo mais uma vez…

*Poema de 2015

Pequenininhos* & Comestíveis*

Pequenininhos

“Paê, para onde está indo o Sol?”

“Filho, nem sempre as coisas são o que parecem ser… É a Terra que está a dar uma volta sobre si mesma, enquanto viaja no espaço em torno do Sol. E ele é apenas uma estrelinha entre milhões de outras na Via Láctea, em torno das quais giram outros tantos planetas como o nosso. E a nossa galáxia é apenas mais uma entre milhões de outras, neste canto deste Universo… Sendo assim, somos muito pequenininhos…”.

“Pôxa, paê, isso eu sei… Sou o menor da escola…”.

*Texto de Julho 2016

Comestíveis

Bananas ao Sol invernal na manhã
desta terça-feira de feira.
Estão, a manhã e as bananas,
lindamente vestidas
de amarelo comestível…

*Poema de Julho de 2015

‘Bora lá!*

Há pelo menos 30 anos, após o nascimento da minha primeira filha, consegui empreender o desejo de viver um dia de cada vez. Entendi que cada dia poderia ser o último e que não deveria ficar tão preso ao passado, apesar das cicatrizes coçarem vez ou outra. E nem esperar que o futuro simplesmente ocorresse naturalmente com a passagem inexorável do tempo. Compreendi que o futuro se faz principalmente no presente. Sem prescindir de planejamento, percebi que o imponderável também tem o seu lugar e que devemos estar preparados para o inesperado. Quando ocorrer o que não estava programado, imediatamente aplicar um plano B. O interessante é que estou quase sempre pronto para as coisas ruins, mas nem sempre para as boas. Eu tinha planejado ter um dia totalmente diferente, de atividade contínua. Porém, algo escapou ao controle (nunca conseguimos controlar tudo, aliás, nem devemos) e ganhei uma folga nesta imensa folga de mais de um ano de Pandemia (alguém além do Barack Obama a esperava?). A moça do tempo anunciou um dia nublado e eis que o sol se fez. Inesperado, apesar de bem vindo, nem sabia o que fazer. Agora mesmo, sairei para uma caminhada à esmo, como tenho feito neste primeiro semestre. Conversarei com a luz. Seguirei por caminhos abertos e sem aglomeração. Ruas vazias de Sol inclinado a alongarem sombras de gentes e árvores. ‘Bora lá!

*Texto de Junho de 2021