BEDA / O Sorriso

caminhando pela cidade
ia ao seu encontro pela primeira vez
subi os andares que me conduziriam até você
bati na porta você atendeu com um sorriso
parecia que seu corpo todo sorria
quando a abraceil
nos beijamos a desejei no instante que a toquei
me ofereceu café
pãezinhos quentes
frutas
adiamos retirar as roupas
enquanto conversávamos sobre tudo
e nada e ainda assim tudo tinha sentido
poucas palavras gestos em direção
aos corpos beijos em que línguas caladas
expressavam a linguagem do amor
nos entrelaçamos braços pernas mão dedos
em libertação de movimentos
permanecemos assim por momentos
eternos escassos
permaneci na cama enquanto se levantava
foi à cozinha nua enquanto preparava uma bebida
a vi de costas bela quadril majestoso
me aproximei beijei seu pescoço
o menino rijo desejoso
a menina à espera do reencontro
úmida me aceitou inteiro quente
eloquente
em minhas mudanças de posição
foi um momento que ainda reverbera em minha lembrança…

Foto por Rodrigo Santos em Pexels.com

16 / 12 / 2025 / Engolidora De Mim

manhã de amena insolação café na mesa
pão crocante manteiga sem sal creme de ricota mel
mamão uva geleia de morango chocolate e surpresa
com toda a delicadeza você se esgueira entre os pés
do tabernáculo sagrado da refeição matinal
abaixo da elevação ouvimos o som da água
descendo em correnteza que se choca entre as pedras
retumbante em dança e música da natureza de ser
livre presente em se desfazer e se reagrupar
em poças filetes remansos rebeldes limpos
aproveita que estou apenas de calção
retira a proteção e fico exposto à sua adoração
eu que já adivinhava a sua intenção
já estava a intumescer aquele que pensa por si só
e você ama que ele responda mesmo depois de tantos anos
a sua boca o beija passeia a língua por onde deseja o possui
estamos ao sul de qualquer norte a luz solar a invadir
a nossa intimidade fluida e inocente sem mancha
enquanto reza busca a profundeza de si geme eu quase urro
sem testemunhas de tamanha beleza quase choro
não é pelo gozo não é pelo prazer não é pelo vazio que me preenche
não é pelo abandono de consciência de que sou um com o todo
com a sua entrega me tem sob seu controle
apenas consigo entender que sou possuído
enquanto me sinto liquefeito mole
passeio por outros mundos vívidos
me energizo me perco me integro me entrego
enquanto você me engole…
me deixa exangue mas me arranca um sorriso
quando agradece: “obrigada pelo gole!”…

Foto por Angela Roma em Pexels.com




23 / 11 / 2025 / Blogvember / Rindo-Me De Dentro De Um Silêncio Que Me Apraz

estou em casa sentado no sofá ao lado de amigos que apenas desejam estar junto a mim
sorrio um sorriso tímido de que quem se sente amparado por afeição genuína
e ciúme de tanta atenção por outros seres
o prazer se deixa espraiar pelo dia sonolento e morno de primavera
não falar nada é também um doce aliado ao som da chuva que começa a me dizer
que é tempo de prosperar folhas novas galhos mais grossos frutas maduras
ar renovado
mente acalmada
alma acalentada…

Participação: Lunna Guedes

Graças

Qual a graça?
Estar grato por ser amado, eu, um sujeito tão ferido?
Contraditório desde o início,
que oscila entre a descrença no amor
e por chorar a cada canção de coração partido?
Por admirar a sua fala
ou quando cala, o seu sorriso?
Ou quando chora, se desmancha,
enquanto rio de tamanha candura?
Quando, mesmo no escuro, vejo o brilho
dos seus olhos faiscantes de desejo?
Sim, sou grato!
Grato por sentir o seu amor
e por amar estar consigo quando podemos
nos desnudarmos de vestes e do Tempo
Grato por me fazer sentir que importo
a uma mulher tão linda
por fora e por dentro
e plena de graça que me enleva
e me abraça…
Eu me lembro de seu corpo a pulsar
em contato com o meu e sorrio
para a parede como se observasse ali um quadro –
A Origem do Mundo.
Nosso mundo…
De conversas sobre o mundo,
nesses momentos, tão distante…
Ser gracioso, sou grato
por conhecê-la, por você oferecer
o seu encanto a mim,
suas palavras de apoio,
a advertência sincera e franca,
porque me ama
e agradeço por me apresentar o amor
que retribuo em pensamentos amorosos
que se espraia pelo campos e rios,
céus e vales,
montanhas e mares,
pela intimidade do Sol
de um sentimento tão ofuscante
quanto misterioso…

Imagem de A Origem Do Mundo (1866), de Gustave Coubet: AP Photo/Francois Mori