desço os olhos para as linhas que desenham rostos e paisagens em fotos de décadas repassadas em cores e descores cumpro o destino da flecha atirada por Chronos personagens dos quais sou um e mais nenhum papai vovô irmãos sonhos em desvãos que nunca foram realizados os meus indecifráveis vivia fora do mundo aceitava sem sorrisos que cedo morreria quase obsessão aos 33 de Cristo aos 40 de John aos 27 de Morrison sempre haverá quem morra jovem em cada uma das idades aos borbotões a toda hora ainda não foi a minha agora se for antes dos 80 morrerei contente não sei de amanhã vivo o presente lembro que vovô me amava me achava inteligente antes de partir cuidei dele banhava o ajudava a comer caminhar pedi perdão porque sabia que não cumpriria as suas ambições não queria ser homem importante influente intendente industrial comerciante buscava ser simples despojado pés no chão me sentia desmembrado desmemoriado de um passado que sabia existir vidas passadas realidades não alcançadas já entendia que o futuro não contava mas ainda cultuava a esperança um país diferente múltiplo raças misturadas riqueza distribuída hoje morro todos os dias às vezes de hora em hora a grandeza desmesurou-se em sentido contrário nos apequenamos repugnantes ruminantes de mentiras e contradições dos templos ocupam-se os vendilhões crenças transformadas em crendices fé em feitiçarias em salões dourados em palácios de mandatários estamos nos finais dos tempos mais um tempo de finais no eterno ciclo de decadências e de mercados baratos na venda de consciências…
Há várias maneiras de viajar. É comum eu viajar mentalmente por lugares que apenas crio em minha imaginação. Esse é um expediente que utilizei muito quando mais novo, impedido por questões típicas de quem mal tinha recursos para me transportar de um bairro a outro. Vivia na Periferia (como ainda vivo), se bem que agora em condições de ir a muitos lugares que somente teria contato por imagens. O que me impede, como acontece com tantos, é a falta de tempo. Ao mesmo tempo, em meu trabalho me locomovo para várias cidades do Estado e até fora, mas ainda próximos em distância. Neste dia 6, estivemos em Votorantim, na região de Sorocaba em que estava em um lindo recanto onde sonorizamos pela Ortega Luz & Som uma festa de casamento.
Na antiga fazenda, transformada em local de evento, encontramos uma Figueira centenária. O local todo é bonito, mas ter contato com essa Figueira foi emocionante. Testemunha de tempos em que a dor dos escravizados sustentava a alegria dos fazendeiros, toquei o seu caule e conversei mentalmente com ela. Fiquei comovido.
A Marineide foi uma irmã reencontrada através do Facebook. Costumamos dizer que fomos deixados aqui neste planeta — ela, na Bahia, eu, em São Paulo — pela Nave-Mãe de nosso planeta original. Além dela, em Brasília, onde ela reside, havia Luiz Coutinho, também “encontrado” pelo Facebook através de seus textos perspicazes e bem escritos. Um veneziano nascido em Minhas Gerais, estivemos todos juntos no chão da Capital Federal em 2016. Na imagem acima, escolhi esta foto do crepúsculo no Planalto Central, diferente das suas referências arquitetônicas. Além de mim e as duas pessoas já citadas, Tânia e Lourival, esposo da Marineide também comparecem.
Em 2012 foi realizado o 1º ENBRATE, um Cruzeiro curto entre Santos e Rio de Janeiro, ida e volta pelo Litoral com a programação tendo como pauta a realização de palestras para atualização de profissionais de enfermagem de nível médio, aliado à diversão à bordo do Costa Fortuna, proporcionado pela ABRATE. A Tânia, profissional de Enfermagem, me levou para esse evento. Foram alguns dias em que relaxei e tive contato com o poder do Mar afastado da costa, além da vastidão do horizonte tendo o Sol durante o dia e a Lua e das Estrelas durante a noite.
Essa imagem foi realizada no passeio de escuna que fizemos — Tânia e eu — no início de outubro de 2021, por ocasião da comemoração dos meus 60 anos. Presente dado por minhas filhas, foram momentos memoráveis que espero um dia renovar em que passei alguns dias em Paraty. Além do mergulho pela história da região, mergulhei nas águas do Mar que banha a cidade que veio a se tornar Patrimônio da Humanidade.
Durante alguns anos, nosso pai, Sr. Ortega, eu e meu irmão, Humberto, fizemos viagens para Posadas, capital da província de Missiones, norte da Argentina, fronteira com o Paraguay. Nesta imagem, realizada em 1985, estávamos em Foz do Iguaçu, local de registro de nascimento do meu pai. Na verdade, ele era de origem paraguaia e seu pai, Sr. Humberto, o registrou em Foz. Essa viagem também é temporal, como quase todas que aqui coloquei.
As viagens mais frequentes que realizo são para encontrar o Mar. Vou ao Litoral Sul, mais especificamente à Praia Grande — que um dia foi chamada de Cidade dos Farofeiros por ser o ponto mais visitado pelos paulistanos em ônibus de excursão. Eles lotavam as ruas com eles e há uma imagem icônica em eles invadiam parte das praias. Atualmente, Praia Grande é uma cidade com grandes empreendimentos imobiliários, escolhidos por pessoas de poder maior aquisitivo. Foi uma grande transformação ao longo dos anos. Apesar da grande mudança da rua de areia ladeada por mangues até se tornar numa apinhada de prédios residenciais, ainda é por ela que volto a ser menino, o mesmo que vivia o dia inteiro vestido apenas com o calção de banho, passando boa parte do tempo na areia, a mergulhar seguidas vezes nas ondas que sempre que adentro, me carregam para os momentos mais felizes da minha vida.
*Texto e fotos postadas um dia depois por estar, justamente, em viagem de trabalho.
A Lua, a louca… — esqueceram de avisá-la que o dia se fez, …terminou o seu turno! Não basta ter delirado a noite toda… e ter perseguido o olhar — dos desavisados! De ter feito saber-se o quanto é bela — e atrativa O quanto seduz e cativa… Amanheceu — …mas quem disse que o Tempo se deu conta do Sol? — quem atravessava o rio… de águas cristalizadas — percebeu que a Doida Discípula — Disputava o Reino celeste com o Rei.
O que quer que aconteça por trás do morro, há o testemunho do Sol… Nossos olhos são interditados pela barreira física de ver o que existe para além dela. Clareada por sua luz, o Sol é testemunha permanente a cada segundo, mas ainda parcialmente, já que a Terra gira em seu entorno, como se estivesse a fugir de sua clarividência, mas não de sua presença pela qual é atraída eternamente, desde a Criação. Gaia é um ser de consciência. Sofre, pensa em se revoltar, revida com seus mecanismos de defesa… Porém, sabe que morrerá, um dia, penosamente, antes de seu tempo próprio por alguns dos seres que a compunha. Destruição. O Sol por testemunha…
Minha mãe, Dona Madalena, avó da Ingrid, também na foto e eu, seu pai — há tanto tempo que eu até tinha muito cabelo.
Estou sozinho, um pouco antes de estar rodeado de muita gente. Mas, a bem da verdade, sempre estou só. Por uma dessas coisas que não consigo evitar, não me distancio muito de mim, na maior parte do tempo. Quando consigo, fico aliviado e sofro… muito. Porque tudo e todos ganham gravidade e peso. Ou o excesso de peso é diretamente um efeito da gravidade, multiplicada milhares de vezes. Então, me sinto como se fosse ser esmagado pela realidade.
Tento superar, porém ao ser bombardeado pelos votos, disparados a torto e direito, de “Feliz Dia das Mães!” –– remeto meu olhar diretamente às mães que amam os filhos, apesar de tudo. Porque há mães que sequer gostam de seus filhos, como há filhos que não gostam de suas mães, quando as conhecem ou porque as conhecem. Ou que gostam muito, contudo não dão o braço a torcer declarando, simplesmente: “Mãe, eu amo tanto você!”.
Tenham certeza –– não há presente mais caro e raro que valha tanto quanto mostrar-se presente com todo o amor que seja possível declarar. Eu, de minha sorte, não perderei essa oportunidade: “Eu a amo, Maria Magdalena Nuñez Blanco Y Prieto Ortega!”… para sempre!
* Texto de 12 de Maio de 2019, ao nono ano do passamento físico de minha mãe.