07 / 09 / 2025 / Um 7 De Setembro

“7 de Setembro de 2021. Enquanto a tarde se desvanece, fico a pensar o quanto caminhamos para nos perdermos nesta encruzilhada a que chegamos. As pessoas que escolheram ir em direção ao abismo, mesmo que tenham perdido acompanhantes — os que pararam no meio, os que voltaram ou mesmo aqueles que buscaram outras veredas — querem que todo o povo despenque junto com elas, obedecendo a um líder insano, que deseja o aniquilamento de todos os progressos já realizados. Essa matriz assassina-suicida abomina a convivência entre os diferentes. Como somos um povo de vários matizes, deseja eliminar a diferença pela morte dos desiguais, dos excluídos, dos empobrecidos, das identidades multigêneros, das maiorias minoritárias em termos de poder de expressão. A minha expectativa, nem tenho mais esperança, é que o dia seguinte aconteça, aurora e crepúsculo, passando pelo pico solar. Que as crianças, como as que vejo agora, continuem a ter como única preocupação num feriado nacional, empinar pipas impulsionadas pelo vento refrescante que nos envolve agora. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”…”.

O texto acima retratava a situação que vivíamos então, com a Pandemia fazendo o seu papel demolidor de certezas quanto ao mundo que conhecíamos e quanto continuação da Democracia como modelo de governo, atacada que estava sendo pelo então governante máximo do País, o Ignominioso Miliciano. Como a Terra é arredondada (levemente achatada nos Polos) ao contrário do que estava sendo alardeada pelo negacionistas que afirmavam que fosse plana (!), além do mais grave — negação de que vacinas salvam. Aliás, o atual responsável pela Saúde dos estadunidenses faz a mesma afirmação e combate a vacinação de maneira decisiva. Um retrocesso impensável produzido pelo movimento de Direita que, de forma impressionante, parece estar intrinsicamente associado a ignorância como estratégia de aliciamento dos não pensantes, talvez o maior número de pessoas — e olha que isso vai contra à minha tendência em pensar de forma sempre positiva sobre a Humanidade.

22 / 08 / 2025 / BEDA / O Outro*

A apresentação pública que faço de mim é a de alguém que se identifica com a defesa do Humanismo voltado para a transcendência, visando a proteção do ecossistema e o respeito aos outros seres que convivem conosco na Biosfera. Fora dessa perspectiva, quem defende ideias diferentes me ofende profundamente. Cheguei a me imaginar como um antípoda ao que preconizei acima como exercício de compreensão daquele que se me opõe. Em tese, conseguiria fazê-lo. Eu os encontro em meu círculo familiar, entre colegas de trabalho e nas minhas redes sociais.

Estabeleci como elemento de desordem o “outro”. Conquanto o meu ponto elementar de desequilíbrio seja eu mesmo, quis alcançar àquele que me desorganiza externamente. Dizer simplesmente que “o inferno são os outros” não seria suficiente. Eu me pus a identificar quais falas e atitudes do outro quebram a minha homeostase. Ainda que passeasse por zonas sombrias do meu ser, ao olhar para o abismo tenho certeza de que voltaria à minha posição inicial. Suposição incrível para alguém que refuta por entendê-las como indício de loucura.

Seria mais fácil criar uma personagem que se colocasse como porta-bandeira do obscurantismo, do desconhecimento, da misoginia, da homofobia e do racismo; que fosse elitista, antidemocrática e entendesse o poder econômico como hegemônico, colocando-o acima da necessidade de atendimento às demandas sociais. Mas na vida real essa personagem já existe. Na verdade, foi eleita como representante incondicional de pelo menos um terço da população — que se amolda ao que seja conveniente no momento ou que simplesmente acompanha a manada — do país onde nasci e vivo. Percebi que defender o indefensável seria impossível. Ir contra as diretrizes que considero o melhor para a maioria das pessoas e para mim, me paralisou.

Tenho frescas em meus ouvidos as últimas notícias do atual desgoverno — o fogo a se alastrar por grande parte do território brasileiro; a mortandade pela Covid19 de centena de milhar das pessoas menos protegidas pelo Estado; o desmonte da estrutura que manteve os índices sociais razoavelmente estáveis nos últimos anos, a exemplo do SUS e dos projetos de inclusão; o ataque direto à cultura, como o feito à Cinemateca Brasileira — onde todos os funcionários especializados na preservação do importante acervo audiovisual nacional foram demitidos. Como é que conseguiria me colocar no lugar de alguém que defende práticas tão perniciosas, de viés fascista; que promulga por decreto o genocídio do brasileiro comum e o etnocídio que solapa a identidade cultural indígena?

Quando surgiu o movimento de extrema direita que assumiu o comando administrativo do Brasil, eu me surpreendi com a quantidade de defensores dessa visão de mundo que se opunha brutalmente à minha. Artistas com os quais trabalhava (principalmente, músicos) não deveriam se colocar em sentido inverso ao que era propagado pelo candidato? Assumiriam a faceta que propunha retrocessos políticos e agitariam bandeiras retrógradas em termos sociais?

Ser esse outro não é apenas olhar para o abismo, mas mergulhar na lama primordial da qual foi gerada a vida — eu me tornaria uma ameba. Não teria de onde retornar, a não ser depois de milhões de anos de evolução. Prefiro morrer para esta vida a reviver por inteiro o drama de nosso desenvolvimento: voltar a ser um primata que lutará pela vida na floresta; até vir a encontrar o monólito que me tornará o primeiro ser humano; inventar os instrumentos de sobrevivência da espécie; participar da luta pelos espaços; instaurar grupos homogêneos como plataforma de expressão coletiva; desenvolver civilizações; guerrear contra os inimigos; trucidar oposições; formar países; escravizar povos e estabelecer ideologias hegemônicas como forma de dominação do outro…

Será que não podemos aprender com o que já vivemos em nossa História e deixarmos de praticar ações perniciosas contra nós mesmos e contra os outros seres com os quais coabitamos? Ou estamos condenados a reviver todos os dias mesmos dolorosos ciclos até o final dos tempos — um déjà vu em moto-contínuo?

Quase peço ao sol que antecipe em bilhões de anos a explosão que extinguirá os planetas ao seu redor, incluindo a nossa pequenina Terra. Porém, sei que é egoísmo da minha parte. Quem sabe as novas gerações modifiquem o nosso percurso atual e transformem Gaia em um planeta redentor?

*Texto escrito em Agosto de 2020, durante o segundo ano de desgoverno do Ignominioso Miliciano.

20 / 07 / 2025 / O Testemunho

O que quer que aconteça por trás do morro,
há o testemunho do Sol… 
Nossos olhos são interditados pela barreira física
de ver o que existe para além dela.
Clareada por sua luz,
o Sol é testemunha permanente
a cada segundo, mas ainda parcialmente,
já que a Terra gira em seu entorno,
como se estivesse a fugir de sua clarividência,
mas não de sua presença pela qual é atraída
eternamente,
desde a Criação.
Gaia é um ser de consciência.
Sofre, pensa em se revoltar, revida
com seus mecanismos de defesa…
Porém, sabe que morrerá, um dia, penosamente,
antes de seu tempo próprio
por alguns dos seres que a compunha.
Destruição.
O Sol por testemunha…


30 / 06 / 2025 / A Extinção

Hoje, 30 de Junho, é o Dia Internacional do Asteroide. A data lembra o episódio ocorrido na Sibéria no dia 30 de junho de 1908, conhecido como Evento Tunguska, na Rússia, que destruiu oitenta milhões de árvores em uma área de dois mil quilômetros quadrados (Wikipédia). O evento causou um calor equivalente a 1.000 bombas como a que foi jogada sobre Hiroshima, em 1945, causando um movimento sísmico equivalente a 5,0 graus na escala Richter.

A promulgação dessa efeméride pela ONU foi na intenção de lembrarmos que a eventual queda de um asteroide pode a vir causar uma catástrofe de proporções inimagináveis, tanto a que causou a extinção dos grandes seres que habitavam a Terra há milhões de anos — os dinossauros. Muitas das espécies acabaram por se adaptarem evoluindo para estruturas menores fisicamente, como os pássaros. Há vários programas criados para evitar que algo como tal ocorra, como a vigilância do espaço em nosso entorno, monitorando os corpos celestes, mas a depender da proporção do acontecimento, quase nada poderia ser feito.

Ou seja, estamos à mercê de forças que não podemos controlar. Mas antes que esse evento destrutivo viesse a suceder, podemos cuidar de nossa casa de uma maneira que evite a extinção da vida na Terra por nossas próprias mãos. Alterar o rumo de nosso desenvolvimento sem levar em consideração a destruição de biomas em todos os continentes como tem sido o padrão é urgente e facilmente realizável, a depender da vontade político-econômica.

Cometas, meteoros, meteoritos, asteroides são corpos celestes que passeiam por nossa galáxia, mas como somos um ponto muito pequeno num canto da Via Láctea, não é viável que sejamos atingidos por alguma estrutura de tamanho suficientemente grande que venha a causar o evento que determinou a extinção de milhares de espécies inteiras de uma só vez, proximamente. O que está ao nosso alcance é que não percamos a oportunidade de não estragarmos tudo na nossa vez neste planeta.

28 / 04 / 2025 / BEDA / Ensaio

A postagem acima eu fiz em abril de 2020. Havia percebido que o projeto do grupo que assumira o poder no País era de desmontar todos os mecanismos de controle e fiscalização de governo para dominar cabalmente todo o processo de gestão do que estavam dispostos a fazer — destruir o Brasil para poder recuperá-lo nos termos que acreditavam ser o ideal — manietado pela Extrema-Direita que estipulava essa agenda e cria que sendo um país do Terceiro Mundo, tudo seria mais fácil, principalmente dado o nosso histórico ditatorial ligado às Forças Armadas.

Sabemos que não aconteceu da maneira que preconizaram, mesmo porque algumas condições e pessoas concorreram para que os planos “dessem com os burros n’água”. Essa expressão vêm bem a calhar, já que burros não faltaram nessa história. Hoje percebemos claramente que assumir o poder no Brasil seria apenas um ensaio para o que estava por vir com a chegada do Homem-Cenoura ao poder do Estado mais poderoso do mundo. Os EUA estão numa encruzilhada porque conta com um time composto por homens bilionários que apenas conseguem ver ativos lucrativos em vez de gente sendo prejudicada. Pode parecer simplista, mas é como esses seres, aos quais chamo de ultra-brancos, atuam. A cada grupo de pessoas que sofrem catástrofes pessoais, eles chamam de efeitos colaterais dispensáveis ou até, eu diria, desejáveis para tornar o jogo mais “atraente e divertido”. São seres frios e calculistas que não se importam com aqueles que não lhes alcançam, a não ser para servi-los.

Eles acreditam em regras rígidas, tendo a opressão como meio de dominação. A religião tem um poderoso papel auxiliar nesse processo, principalmente para acalmar o desejo de progresso material e ideais divergentes, visto que isso não ajuda a manter a massa alienada. Eu pessoalmente acredito na transcendência do ser humano, mas o que acontece com as religiões conservadoras (até, reacionárias) é que existe um mecanismo de adequação aos preceitos capitalistas, nada espirituais. Os ultra-brancos pretendem avançar na destruição do arcabouço sob o qual funcionou a Economia nestas últimas décadas, o que só favoreceu à China que soube jogar o jogo de forma exemplar, desenvolvendo um sistema de Capitalismo de Estado eficiente e atuante, com resultados muito acima do que se poderia esperar.

Os EUA perderam o bonde da História em seu próprio campo de atuação, no qual cria que fosse invencível. Agora, em seu comando temos um homem tão despreparado quando foi o nosso para obter os resultados que supunha alcançar através de suas ações e omissões. Mas como o mundo dá voltas e tudo pode mudar. Quem está à frente da empreitada tem recursos absurdos e supostamente inteligência, ainda que “artificial”, para reverter o curso que tem se apresentado — falho e incoerente com o desenvolvimento equilibrado das relações internacionais — para azar das próximas gerações de seres de todas as espécies do planeta, incluindo o próprio lugar onde vivemos.