17 / 05 / 2025 / Fruição*

Presente da amiga e companheira de Nave-Mãe, Marineide. Pode parecer uma simples base térmica para colocar panelas ou formas quentes, mas para mim, representa o Círculo da Vida — em que o fim se confunde com o começo, mesmo porque, não há confusão, há fluição — nem início, nem final, apenas fruição…

*Postagem de 2016

15 / 05 / 2025 / Imagens de Maio de 2016

Não, não é vinho e nem conhaque… Um pouco antes, essa taça realmente continha vinho tinto seco. Mas como estou com poucas horas dormidas, e como quero aguentar até às 23h, quando termina mais um episódio de Game Of Trones, apenas aproveitei a taça para tomar um bom café! Com certeza, café é uma bebida que também merece requinte e majestade…

A vida, na ponta de um dedo… 

Passarela sobre a Rua Riachuelo, que une dois prédios da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Largo de São Francisco

09 / 05 / 2025 / Rita Lee*

*Há dois anos, em 2023, Rita Lee, se encantou definitivamente. Deve estar lá, entre os seus amigos extraterrestres, brincando com as estrelas que brilham tanto quanto ela no firmamento da eternidade da qual somos feitos… Por ocasião de sua passagem para outro estado de ser, escrevi:

RITA LEE,
como é que você se sente em se tornar imortal?
Como é ser um ser total?
Não bastava ser a mais completa tradução de Sampa?
Ser a mulher que traduziu como ninguém uma mulher, em “Cor-De-Rosa-Choque“?
Não bastava reverenciar a vida de modo libertário, como em “Lança Perfume“?
Não bastava cantar o inconformismo e a inadequação de todos os adolescentes e muitos adultos –– homens, mulheres, mais que mulheres, mais que homens –– em “Ovelha Negra“?
E muito além, para quem não se adequa ao mundo?
Homenagear o amor em “Mania de Você” e em tantas outras composições?
De ser mutante, iconoclasta, vibrante, permitiu-se deprimir quando acontecia, expor as suas vísceras e surgir renascida.
Maior personagem de si mesma, entre tantas identidades que assumiu.
Não bastava ser maior que a Vida, você tinha que ser imortal, a partir do momento que nos deixa fisicamente.
Rainha, padroeira da liberdade, entre outras rainhas, uma mulher, principalmente.
Nosso amor imortal, vá reinar em outra dimensão!

06 / 05 / 2025 / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Caminhos Literários

Azul na cabeça, rosa no coração…

O Obdulio nasceu a fórceps no começo de outubro de 1961, no centro de São Paulo. Ainda criança, começou a se mover para a Periferia, primeiro à Leste, depois ao Norte. Desde cedo, quis ser escritor.

Renasceu aos 17 anos, vegetariano e a crer. Aos 27, renasceu casado e pai. Escolheu trabalhar como peão e dono de seu próprio negócio. Budista, demorou a lucrar. Franciscano, aceitou com resignação ganhar o pão com o suor de seu rosto.

O escritor adormeceu e, sem ter como se expressar, aquele Obdulio morreu no final de outubro de 2007, diabético, por excesso de amargor. O atual renasceu a carregar a memória do antigo homem que escrevia, a enxergar o mundo com novos olhos… ainda que a herdar a miopia do outro. E chega até este quadrante a se sentir redivivo… a cometer os erros dos novos, a renovar os seus ímpetos, a amar como um adolescente, a ser escritor, como sempre quis.

Tenho postado aqui, no WordPress, além de inéditos, meus escritos espalhados pelas redes sociais, principalmente pelo Facebook, além de textos – crônicas, contos, poemas – produzidos para a Scenarium Plural –– Livros Artesanais, em livros autorais pessoais, coletivos e para a Revista Plural. Meu objetivo precípuo é o de montar um mosaico que busque definir minha trajetória como escritor. Uma tentativa de encontrar um norte, uma linha mestra que, acima de minhas convicções cambiantes, explique para mim mesmo e, eventualmente para quem me lê, a realidade que nos cerca, pelo olhar de quem fui-sou. Talvez, por fim, identificar os caminhos pelos quais viemos a trilhar na atualidade-passado-futuro.

Este livro de crônicas foi o meu primeiro livro publicado. Nele, reúno textos antigos que já havia sido publicados nas redes sociais, além de outros, inéditos, escritos especialmente para compô-lo. Inicialmente, a minha intenção era chamá-lo de 55 — a idade com a qual o publicaria — em 2017. Mais tarde, adotamos a opção de REALidade. Real diz respeito à concretude da vida. Idade tem a ver com uso de fotogramas ou recortes de situações ocorridas permeadas pelo meu olhar de então. Gosto de muitos deles e ainda me surpreendo com algumas soluções encontradas em algumas ocorrências que explicam a minha visão de mundo.

Rua 2, encomendado há algum tempo, foi parido com dor, ainda que oculta. Apesar da difícil relação que tinha com o meu pai, a sua passagem me deixou assim, vamos dizer, sem palavras. Sequei. Eu, tão acostumado a escrever sobre qualquer coisa ou movimento, não encontrava temas para o projeto de contos curtos prometido meses antes. Em meio ao trabalho com eventos, ao ver um velho homem que passava de um lado ao outro na frente do palco onde a banda que sonorizava atuava, tive a ideia de escrever Baile Eterno. Estranhamente, esse conto não apareceu na coletânea que finalmente foi publicado. Como traço comum, as personagens residentes na Rua 2 da Periferia da Zona Norte de São Paulo passeiam pela dura realidade em que a vida está sempre por um fio.

Neste livro eu confesso dolorosamente o desamor por meu pai. Uma faceta do possível amor que ainda poderei vir a encontrar em algum tempo no futuro, escondido entre vertebras de meu ressentido peito. Mas há espaço para o afeto, as idas e vindas de um sujeito em constante ebulição. Que casou, criou três filhas, voltou a frequentar faculdade tarde na vida, que conseguiu cumprir o destino manifesto quando garoto em se tornar escritor.

Escrito numa fase em que passava por uma forte crise de ansiedade (quando nem admitia que fosse ansioso), foi um livro que me salvou a vida. Pode parecer dramático, mas o meu setor foi o mais afetado pela Pandemia de Covid-19, então grassando com toda a força, ainda mais a égide de uma gestão governamental que relutava em adotar as medidas sanitárias necessárias para debelarmos o mal que grassava então — uma tempestade perfeita! Fui buscar refúgio no Litoral Norte de São Paulo e o mar, o sal e o Sol de Ubatuba me ajudou a superar o estado mental deletério pelo qual passava — estava pronto a primeira etapa, ainda que apareça em como segunda parte no título do livro. Curso de Rio diz respeito aos rios canalizados em Sampa, perfazendo as avenidas de fundo de vale. Realizei uma excursão a pé por minha região como se fosse explorador de uma terra longínqua. Lugares aos quais havia ido apenas bem moço, revisitei e encontrei beleza na feiura, surpresa que tem mais a ver com a capacidade do brasileiro em sobreviver com denodo e espírito de superação.

Esse foi o livro mais polêmico que escrevi. Permeado por cenas de sexo, mostra o comportamento de personagens que compõe uma elite que leva às últimas consequências o desejo de manipular e controlar pessoas baixo o seu poderio econômico. O deleite que buscam não as impedem utilizá-las a seu bel prazer ou de eliminá-las por puro capricho. São pessoas resultantes de uma estrutura perniciosa de quatrocentos anos de tradição baseada na Escravidão como modo de produção. O mais incrível é que a ficção chega a ser corrompida pela realidade todos os dias…

Todos os títulos foram publicados pela Scenarium Livros Artesanais.

Participam: Lunna Guedes / Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Silvana Lopes

05 / 05 / 2025 / No Azul

Manhã de abril,
outono no hemisfério sul…
Na parede,
a refletir no teto,
um caminho azul…

Olhos cerrados
e desnudos de lentes —
miopia cativa
e imaginação ativa —
pronto!
A minha vida a se perder
nas primeiras horas do dia,
a invadir o azulado ponto…