Quem disse que lavar roupa não é perigoso? Na quinta-feira, lavei roupa e a água que resultou da lavagem utilizei para lavar o chão da varanda do Boiler Laje, escadas e churrasqueira. Após terminar uma parte, lá estou eu de chinelão, distraído, a descer, quando piso errado na escada escorregadia e de uma queda vou ao chão, quatro metros abaixo, batendo costas, pernas e braços até o final dos degraus. Não bati a cabeça porque o judô praticado na infância sempre me ajudou a protegê-la em todas as muitas quedas desde então. Acudiu-me uma cavalheira, a Lívia e um cavalheiro, Pablo, seu namorado. Pensei que houvesse apenas escoriações superficiais, mas à noite não consegui dormir direito devido às dores que surgiram depois. Hoje, estou melhor. Mas tive que reviver na boca da Tânia, da Romy e da Ingrid, além da Lívia, poucas e boas. Acabei por me lembrar da minha mãe, Dona Madalena, que ralhava comigo todas as vezes que eu aparecia “quebrado” em casa por causa de carrinho de rolimã, patins ou futebol em campo de várzea ou quadra. Quase cheguei a confundir a dor aguda e passageira do corpo com a dor tênue e permanente da saudade. Se chorasse, talvez fosse mais pela última…
*Texto de Agosto de 2020





