O Morto Vivo

Eu temo que viveremos tempos ruins pela frente. É bem possível que o movimento de Direita que conta com a ajuda de instituições importantes como a “Imprensa Oficial” e atores no STF que já atuou como salvaguarda de nossa Constituição, estão cumprindo a tarefa para qual foram colocados no Tribunal que é de ajudar o seu representante a escolher alvos distintos para que o Miliciano, traidor da Pátria, ganhe a próxima eleição para Presidente do País. Fico imaginando que os mortos vivos saiam de suas tumbas degradada pela História em que o Fascismo que propõem como ideologia deveria ficar.

Hoje, ao passar por uma esquina, ao olhar para 10 metros adiante, vi uma pessoa deitada junto a parede. Logo me chamou a atenção um dos braços, negro, com as mãos crispadas, endurecidas, feito uma daquelas imagens de filme de terror em que um morto vivo se ergue do chão da tumba. Eu me aproximei mais um pouco para confirmar que o sujeito deveria estar mesmo morto. Eu acionei o SAMU, caso ele estivesse vivo. Mandei a localização, mas como tinha compromisso, não pude ficar para a chegada da ambulância. O que teria esse acontecimento a ver com o que explanei acima? Para quem não percebe a correspondência, falo do Sistema que condena uma parte da população a não conseguir sobreviver com um mínimo de dignidade.

A Direita acredita na Meritocracia. Apenas não esclarece que o mérito é a medida do desequilíbrio entre os que tem a possibilidade de ascender mais facilmente a posições sociais mais altas a partir do ponto de partida, geralmente determinado pelo aprendizado esmerado, o que garante que acabem por controlar com maior chance de sucesso na profissão que venham a escolher. A ideia central é simples, a Direita preconiza que as classes mais altas continuem conduzindo os destinos do País.

Quanto à população mais simples, acenam com projetos prometidos em suas campanhas eleitorais que sequer saem do papel quando são empossados. Há um Governador que jura que acabou com a Cracolândia no Centro de São Paulo. Realmente, a aglomeração de adictos deixou de existir para apenas se dispersar por vários pontos dele. Aliás, na última vez que fui à região, passei por um atendimento a uma moradora em situação de rua que estava sendo embrulhada com papel alumínio da cabeça aos pés. Morta, enfim. Estava bem próxima de onde se está sendo cogitada a nova sede do Governo do Estado. Prevejo que o Halloween deste ano poderá ser realmente tenebroso caso aconteça do Miliciano ser eleito.

Foto: pexels-photo-38960890-edited.jpeg

Projeto Fotográfico 6 On 6 / A Hora de Ouro

A hora do crepúsculo é a minha preferida do dia. Nem sempre estou a postos para ver o Sol declinar no horizonte. <as quando posso, fotográfico aquele momento fugidio que anuncia a chegada da noite logo mais. É um momento de reflexão sobre o dia que se esvai feito areia na ampulheta.

A hora dourada também pode ser performada por objetos que imitam a luz do entardecer. Como aqui na imagem do Teatro Municipal de São Paulo. Poderia ser uma cor diferente, mas não como deixar de enaltecer que a luz dourada valoriza o edifício que este ano completa 115 anos de fundação.

O dourado parece ter sido sempre uma tendência na arquitetura de São Paulo. Do lado do Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, encontramos várias construções em que essa cor predomina, ainda que estejam desgastadas. A hora de ouro, ainda que esteja nublado, ajuda a tornar os momentos mais suaves.

A paleta de cores do entardecer apresenta variações que transitam entre o verde, o vermelho, depois que o dourado se pronuncia como o padrão crepuscular. É algo que vivencia-se com a sensação de que o mundo tem muito mais a oferecer do que a escuridão d’alma humana.

Numa tarde de sábado, a Tânia, eu e o Bambino, meu neto, passeamos ao longo do Minhocão sem carros. A tarde nublada impedia que víssemos o declínio do Sol. Mas o nosso caramelo representou o toque amarelado necessário necessário para representar a hora de ouro.

Quando passo pela Marginal dos Rios Tietê ou Pinheiros na hora de ouro, o trânsito ganha a configuração de veículos que vão ao encontro de um mundo em que a vida parece caminhar para um estágio quase espiritual de ser. Não há como nos deixarmos se transportar mentalmente para um outro lugar que não haja tanto sofrimento.


Participação: Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes

O Homi É “Simple”

Foto por Yulia Goncharuk em Pexels.com

A minha sogra dizia que os homens são “simple”, sem o “s”, mesmo, o que torna a frase mais determinante dessa simplicidade. São poucos os homens que conseguem escapar ao determinismo que o Patriarcado vigente impõe aos machos humanos. Ainda mais quando ascendem socialmente. E dá-lhe ternos bem cortados, charutos cubanos, whiskies caros para fazer com que sejam atraídos para armadilhas que mancham suas trajetórias, principalmente quando participam da vida pública em cargos e funções muitas vezes essenciais para determinar o funcionamento da Democracia. São políticos — prefeitos, governadores, vereadores, deputados — dirigentes de instituições importantes, juízes em tribunais em todos os níveis, incluindo os superiores. A corrupção parece não apresentar preferência ideológica. Aliás, o dinheiro é o traço comum entre todos credos, incluindo os religiosos.

Basta um banqueiro acenar com presentinhos, jantares caros, degustação de vinhos e charutos, atrações escusas como festas “bundalelês” em que o sujeito “amarra” acordos espúrios com aqueles que acabam por ficarem presos por gratidão por fornecimentos de recursos financeiros, as chamadas “propinas” que muitas vezes são geradas por prejuízos ao erário público, como foi no caso dos Governadores do Rio de Janeiro e de Brasília em passado recente, ambos presos.

Feito um pescador habilidoso, o banqueiro colocou como iscas várias coisas que ele percebeu ser atraente para os homens de alto coturno. Por mais que tivessem experiência, esses peixes se deixaram ser fisgados. E não importava os cargos que ocupavam, as referências políticas e sociais que ostentavam. Todos se deixaram ser pegos em situações melindrosas. A frase da minha sogra, que apenas na maturidade aprendeu a ler e escrever, era sábia em perceber o comportamento daqueles seres que ela designou como “simple”. Simples assim…