Projeto Fotográfico 6 On 6 / A Hora de Ouro

A hora do crepúsculo é a minha preferida do dia. Nem sempre estou a postos para ver o Sol declinar no horizonte. <as quando posso, fotográfico aquele momento fugidio que anuncia a chegada da noite logo mais. É um momento de reflexão sobre o dia que se esvai feito areia na ampulheta.

A hora dourada também pode ser performada por objetos que imitam a luz do entardecer. Como aqui na imagem do Teatro Municipal de São Paulo. Poderia ser uma cor diferente, mas não como deixar de enaltecer que a luz dourada valoriza o edifício que este ano completa 115 anos de fundação.

O dourado parece ter sido sempre uma tendência na arquitetura de São Paulo. Do lado do Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, encontramos várias construções em que essa cor predomina, ainda que estejam desgastadas. A hora de ouro, ainda que esteja nublado, ajuda a tornar os momentos mais suaves.

A paleta de cores do entardecer apresenta variações que transitam entre o verde, o vermelho, depois que o dourado se pronuncia como o padrão crepuscular. É algo que vivencia-se com a sensação de que o mundo tem muito mais a oferecer do que a escuridão d’alma humana.

Numa tarde de sábado, a Tânia, eu e o Bambino, meu neto, passeamos ao longo do Minhocão sem carros. A tarde nublada impedia que víssemos o declínio do Sol. Mas o nosso caramelo representou o toque amarelado necessário necessário para representar a hora de ouro.

Quando passo pela Marginal dos Rios Tietê ou Pinheiros na hora de ouro, o trânsito ganha a configuração de veículos que vão ao encontro de um mundo em que a vida parece caminhar para um estágio quase espiritual de ser. Não há como nos deixarmos se transportar mentalmente para um outro lugar que não haja tanto sofrimento.


Participação: Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Lunna GuedesSilvana Lopes

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