Projeto Fotográfico 6 On 6 / Monocromático

Eu costumo participar do 6 On 6, mas foi justamente nesse dia que sofri um golpe pelo aparelho celular. Fiquei desbaratinado e mal consegui prosseguir com os meus pensamentos concatenados. Tive que trocar compulsoriamente o meu número para continuar me comunicando com a família, amigos e clientes. Consegui recuperar pouco a pouco os meus aplicativos, incluído este com o qual me pronuncio para o mundo da escrita. Eu achei o tema proposto pela Lunna, como sempre, interessante. Gostei das imagens em tons acinzentados. Busquei como que imitá-la, mas utilizando algo que normalmente é branco ou transparente — nuvens e água.

As nuvens outubrinas tem variado em tons de cinza. Olhar o céu e encontrar nesgas em que o azul do céu aparece como um jogo de azar… ou sorte.

Devido às constantes chuvas de Setembro, as represas da Grande São Paulo que abastece a cidade voltaram a ter um nível favorável. Devido ao volume, naturalmente, por onde passei, elas estavam acinzentadas na região da Cantareira, quase como se fossem uma rodovia aquosa.

viver em cinza
não parece ser algo ruim
afinal dias ensolarados são difíceis
de aceitar
tão encalorados
assim como são as nuvens encaracoladas
mas menos encapetadas…

Em outro momento, a superfície da represa estava mais movediça, um cinza fluido, líquido… como deveria ser… o movimento cinza.

O cinzento parece ser monótono, mas a sua característica monocromática é até revigorante se mergulharmos em sua essência transcendente — nem branco, nem preto — mas ao mesmo tempo os dois. Portanto, abençoemos o cinza dos cinzas dias que se revelam menos branco que deveria, mas talvez menos escuro do que estamos imaginando… vamos esperar o final do mês para sabermos…

A última imagem é aquela que utilizei para falar sobre o golpe. O texto chama-se Golpeado. E, ao contrário das outras imagens é de um cinza escuro sólido. Tão sólido quanto o presente pesado que vivemos desde uma semana antes.

Participam:

Claudia Leonardi /  Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes

Projeto Fotográfico 6 On 6 / A Hora de Ouro

A hora do crepúsculo é a minha preferida do dia. Nem sempre estou a postos para ver o Sol declinar no horizonte. <as quando posso, fotográfico aquele momento fugidio que anuncia a chegada da noite logo mais. É um momento de reflexão sobre o dia que se esvai feito areia na ampulheta.

A hora dourada também pode ser performada por objetos que imitam a luz do entardecer. Como aqui na imagem do Teatro Municipal de São Paulo. Poderia ser uma cor diferente, mas não como deixar de enaltecer que a luz dourada valoriza o edifício que este ano completa 115 anos de fundação.

O dourado parece ter sido sempre uma tendência na arquitetura de São Paulo. Do lado do Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, encontramos várias construções em que essa cor predomina, ainda que estejam desgastadas. A hora de ouro, ainda que esteja nublado, ajuda a tornar os momentos mais suaves.

A paleta de cores do entardecer apresenta variações que transitam entre o verde, o vermelho, depois que o dourado se pronuncia como o padrão crepuscular. É algo que vivencia-se com a sensação de que o mundo tem muito mais a oferecer do que a escuridão d’alma humana.

Numa tarde de sábado, a Tânia, eu e o Bambino, meu neto, passeamos ao longo do Minhocão sem carros. A tarde nublada impedia que víssemos o declínio do Sol. Mas o nosso caramelo representou o toque amarelado necessário necessário para representar a hora de ouro.

Quando passo pela Marginal dos Rios Tietê ou Pinheiros na hora de ouro, o trânsito ganha a configuração de veículos que vão ao encontro de um mundo em que a vida parece caminhar para um estágio quase espiritual de ser. Não há como nos deixarmos se transportar mentalmente para um outro lugar que não haja tanto sofrimento.


Participação: Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes

BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Ponto De Vista

O interessante sobre a questão do ponto de vista é que necessário “ver” para oferecer alguma avaliação sobre o que foi visto, o que pode ser um tanto diferente de “enxergar” o que foi visto, em se tratando de observações pessoais sobre o objeto observado. Em se falando de imagens, cada um tem uma percepção referencial, a depender de sua vivência e estado de espírito.

Na segunda-feira estive na região central de São Paulo, o famoso Centrão. Está passando por uma certa repaginação e tem recebido um maior número de visitantes, ainda que vários estabelecimentos comerciais estejam fechados. Na foto acima o que chama a atenção não é a Igreja Presbiteriana e nem o Edifício Caracu. Mas a ausência do antigo prédio da Polícia Federal onde ocorreram algumas das maiores investigações da corporação. durante 23 anos.

O edifício Wilton Paes de Almeida, localizado na Rua Antônio Godoy, 23, abrigou a superintendência regional da Polícia Federal (SP) no Estado de 1980 a 2003. O prédio desabou na madrugada no dia 1º de Maio de 2018, após ser consumido por um incêndio de grandes proporções que causou a morte de pelo menos uma pessoa, segundo o corpo de bombeiros.

Na Rua Santa Ephigênia há muitos prédios antigos que recebem lojas ligadas a venda de produtos eletrônicos. São edificações que apesar de antigas, foram erguidas dentro de um contesto em que deveriam durar para sempre. Conseguem suportar grandes cargas estruturalmente falando e atraem muitos clientes que encontram uma vasta variedade de produtos. Esse uso é muito interessante, já que ocorre um certo choque visual entre modernidade e antiguidade.

Mais um exemplar de moradia dos anos 20 do século passado quando a região era ocupada por famílias abastadas da cidade. Não há como deixar de admirar os detalhes arquitetônicos que visualmente eram bastante sedutores. As soluções visuais eram baseadas na criatividade e buscavam acrescentar recursos que atraíssem o olhar dos passantes.

Também passei pela região entre a Praça da Sé e do Largo São Bento. Lá se encontra grandes edificações bancárias da áurea época da riqueza proporcionado pelo cultivo e exportação do Café. A imagem acima mostra o Edifício do Banco de São Paulo. Construído entre 1935 e 1938 e projetado por Álvaro de Arruda Botelho, o prédio destaca-se pela arquitetura luxuosa e hoje abriga órgãos públicos estaduais.

A estátua Glória aos Fundadores de São Paulo trata-se de uma grande coluna com cerca de 25 metros de altura, criada pelo escultor italiano Amadeo Zani e inaugurada em 1925. Está localizada junto no espaço à frente do antigo prédio do Páteo do Colégio. É um área incrível em termos históricos e arquitetônicos. Não me canso de visitá-la.

Esta é a visão do Viaduto da Santa Ephigênia. É uma construção que sai do Largo São Bento e chega em frente à Igreja Santa Ephigênia que durante a construção da Catedral da Sé se tornou a sede da Igreja Católica em São Paulo.

Participam:
Claudia Leonardi /  Lunna Guedes / Mariana Gouveia /  Silvana Lopes

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Olhares Invisíveis

Quando olhamos para algo, o objeto de atenção desconhece quem o observa, se tivesse consciência dessa observação, não saberia identificar de onde parte o olhar, invisível a ela. É comum acontecer de nós mesmos sermos o alvo de olhares aos quais não percebemos de quem parte. Por isso, eu me sinto sendo vigiado o tempo todo. Como se fosse o centro da atenção daqueles que nos circundam. O que talvez faça com que precisemos parecer que sejamos seres normais e ajamos com a parcimônia de quem é julgado pelo que faz ou não faz. Esses olhares invisíveis nos perseguem, ainda que não exista ninguém por perto. Nesse caso, talvez acreditemos que olhos supra-humanos estejam atentos aos nossos movimentos. Será?

Em meu quintal vive um casal de Bem-Te-Vis. São ariscos como devem ser num espaço de cães atentos a qualquer movimento. Meus olhos, invisíveis a eles, capturou um deles. Está preso na imagem que não mostra a sua real exuberância de quem tem asas para irromper o ar quando desejar.

Na volta de um dos eventos que a Ortega Luz & Som realizou encontramos a noite enovada, mostrando um ambiente que anoitecia feito uma paisagem de filme “noir”. Meus olhos assistiam ao entorno como se vivesse uma história em que a qualquer momento um crime se revelaria aos olhos da noite.

Os ser humano tenta o tempo todo deixar marcas por onde passa. Nós nos consideramos superiores a todos os outros residentes do planeta. Mas não é incomum que nossos companheiros de maneira involuntária (ou não?) se permitam mostrar as suas assinaturas pelos caminhos. O que não passou despercebido pelo meu olhar invisível.

É muito interessante reparar certas cenas em que o meu olhar invisível encontra referências a sinais de que somos descerebrados. Decerto, não precisamos assim de tantas referências para vender algo que nos coloque em nossos devidos lugares. Somos roupas, fantasias que caminham por aí…

Além de sermos destruidores de meio ambientes, nós expomos referências aos seres que matamos demonstrando porque o matamos — são lindos e poderosos. Pura inveja, suponho…

Meus olhos são invisíveis à Lua. Ela fica nos observando em nossa pequenez, apesar de já termos a invadido antes. Resta-nos vê-la com saudade de nossa ignorância que a transformou em deusa. Então, ela era mais poderosa em nossa imaginação. Sua luz emprestada a veste de realeza em noite retinta.


Participam:
Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Silvana Lopes

06 / 02 / 2026 / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Trip Road Urbano

Eu sou pedestre, um passageiro de transporte público e privado e um carona em carro particular. Isso me dá a oportunidade de observar o meu entorno com maior atenção. Costumo registrar por imagens vários pontos de São, desde a Periferia da Zona Norte onde moro até as regiões mais centrais e as de regiões mais abastadas de São Paulo. Aqui, mostrarei algumas que me chamaram a atenção. Tenho tantos registros que fica difícil escolher. As que aparecem aqui não são exatamente as melhores, mas as mais recentes.

Esta foto eu fiz há uma semana. Declaração tão ostensiva de amor ainda mais por uma esposa nunca vi. Fiz algumas considerações mentais acerca da frase. Não duvido que ela possa excitar a imaginação de muitas mulheres que talvez queiram saber quem seja tal sujeito, enquanto incomode muitos maridos mais contidos em entoar mensagens mais explícitas. Registro feita na minha rua.

Passo muitas vezes pela Estação Barra Funda de Metrô que também incorpora uma Estação Rodoviária para cidades do Interior e para vários bairros da região da Zona Norte, Oeste, Central, além de ser uma conexão ferroviária para cidades da grande São Paulo. A Barra Funda é um bairro muito importante na minha vida. Foi lá que vivi boa parte da minha infância no Parque Infantil Mário de Andrade, onde encetei o meu contato com a Arte de várias expressões — interpretação, música, escrita, plásticas. Muito mais tarde vim a saber que era um das últimas unidades do projeto criado pelo próprio Mário de Andrade nos Anos 30, quando foi Secretário Municipal de Educação.

Num dos retornos de um trabalho, registrei a Basílica de Nossa Senhora de França, na Zona Leste. Eu vivi até os sete anos na região da Penha, mais propriamente na região da Vila Esperança. Fui batizado na velha Igreja da Penha, bem próxima dali.

Entre o arvoredo, divisei essa bailarina na lateral de um edifício. Achei graciosa a representante de uma arte da qual amo ver a expressão, ama não tenho nenhuma aptidão de executar. Aliás, o próprio prédio me pareceu interessante, um velho exemplar dos Anos 80, por aí…

Essas duas pinturas se encontram em construções de Santa Cecília, um bairro junto ao Centro que passa por um processo de ressurgimento em termos de investimentos de novas construções, mas que também apresenta um cenário de São Paulo antiga. Conheço muito a região porque uma das minhas filhas mora há alguns anos por lá, além de ter trabalhado muitas vezes no Clube Piratininga por duas décadas.

Esse personagem eu encontrei na passarela de pedestres que atravessa por cima da Avenida 23 de Maio na região de Moema. Sozinho, quieto, poderia até estar cochilando, mas parecia estar acordado, quase num transe meditativo. Estava a caminho de uma visita técnica para um futuro evento e senti muita vontade de tocá-lo. No entanto, o deixei por lá, mas nesta última semana nunca deixei de pensar nele. Mais uma personagem anônima que me deixou marcas…

Participam: Lunna Guedes / Claudia Leonardi / Mariana Gouveia / Silvana Lopes