O Filme Do Filme

Logo no meu anunciado do Facebook afirmo: “Sou escritor – digo a verdade, mesmo quando minto… Minto, ainda que diga a verdade…”. O problema é que a Realidade tem superado a imaginação mesmo do escritor mais criativo. Temos um candidato à Presidência da República que está enrolado com pessoas que estão baixo de todas as más suspeitas pelo comportamento de sua história de vida. Basta dizer que o pai é chamado de mito — que pode ser interpretado segundo o Dicionário como “Ocorrência ou ação extraordinária, fora do comum, normalmente excessiva e deturpada pela imaginação ou pela imprensa”.

Ao mesmo tempo, esse senhor, por hora preso por tentativa de Golpe de Estado é realmente mitológico do meu ponto de vista já que reúne todas as possibilidades de ações deturpadas, fora de propósito e ciência. Em seu governo, tivemos o azar de que ao seguir as crenças da direita americana, impediu que muitas mortes deixassem de ocorrer ao não adotar a vacinação coletiva. Sabe-se que os 700 mil mortos oficialmente ocorridos na Pandemia de Covid-19 foram subnotificados de tal maneira que provavelmente foi três vezes maior. Apenas por isso, deveria ter a sua pena aumentada por crime de genocídio, já que cria que a maioria dos afetados eram pessoas idosas. Brincou com a falta de ar dos atacados pelo vírus e agora sofre com soluços que é usado como subterfúgio para permanecer em prisão domiciliar.

Para continuar a comandar a narrativa da direita, colocou um dos filhotes como candidato, enquanto outro se encontra fugido, vivendo de doações desviadas pelo Banco Master dos aposentados para ocupar uma mansão nababesca no Texas, onde aproveitou para obstruir a justiça apelando para o ídolo Trump para prejudicar o próprio País porque é governado por um opositor. Bem, essa turma de reputação duvidosa teve a excelente ideia de fazerem um filme em homenagem ao Chefe da Quadrilha.

Porém, o filme que fizessem sobre todo o processo de feitura do filme seria muito mais interessante do que a história falseada do ex-presidente. É uma trama tão interessante que envolve personagens de todos os matizes, do alto a baixo dos poderosos — juízes do STF, senadores, deputados, políticos ligados ao governos atuais em níveis municipal, estadual e até federal.

O financiamento do filme pode se tornar virtualmente o motivo de fazer a campanha do filhote do herói do filme desabar, já que de acordo com o relatório da PF já divulgado há indícios de lavagem de dinheiro, desvio de recursos federais ligados a emendas parlamentares corrupção ativa. Nunca assistirei ao Dark Horse — termo americano para designar “azarão” numa corrida de cavalos. Mas não perderia o filme sobre a produção do filme “realizado” pela GoUp desvendado em toda a dinâmica do caminho do dinheiro pela Operação “Make Up” da Polícia Federal.

Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com

O Morto Vivo

Eu temo que viveremos tempos ruins pela frente. É bem possível que o movimento de Direita que conta com a ajuda de instituições importantes como a “Imprensa Oficial” e atores no STF que já atuou como salvaguarda de nossa Constituição, estão cumprindo a tarefa para qual foram colocados no Tribunal que é de ajudar o seu representante a escolher alvos distintos para que o Miliciano, traidor da Pátria, ganhe a próxima eleição para Presidente do País. Fico imaginando que os mortos vivos saiam de suas tumbas degradada pela História em que o Fascismo que propõem como ideologia deveria ficar.

Hoje, ao passar por uma esquina, ao olhar para 10 metros adiante, vi uma pessoa deitada junto a parede. Logo me chamou a atenção um dos braços, negro, com as mãos crispadas, endurecidas, feito uma daquelas imagens de filme de terror em que um morto vivo se ergue do chão da tumba. Eu me aproximei mais um pouco para confirmar que o sujeito deveria estar mesmo morto. Eu acionei o SAMU, caso ele estivesse vivo. Mandei a localização, mas como tinha compromisso, não pude ficar para a chegada da ambulância. O que teria esse acontecimento a ver com o que explanei acima? Para quem não percebe a correspondência, falo do Sistema que condena uma parte da população a não conseguir sobreviver com um mínimo de dignidade.

A Direita acredita na Meritocracia. Apenas não esclarece que o mérito é a medida do desequilíbrio entre os que tem a possibilidade de ascender mais facilmente a posições sociais mais altas a partir do ponto de partida, geralmente determinado pelo aprendizado esmerado, o que garante que acabem por controlar com maior chance de sucesso na profissão que venham a escolher. A ideia central é simples, a Direita preconiza que as classes mais altas continuem conduzindo os destinos do País.

Quanto à população mais simples, acenam com projetos prometidos em suas campanhas eleitorais que sequer saem do papel quando são empossados. Há um Governador que jura que acabou com a Cracolândia no Centro de São Paulo. Realmente, a aglomeração de adictos deixou de existir para apenas se dispersar por vários pontos dele. Aliás, na última vez que fui à região, passei por um atendimento a uma moradora em situação de rua que estava sendo embrulhada com papel alumínio da cabeça aos pés. Morta, enfim. Estava bem próxima de onde se está sendo cogitada a nova sede do Governo do Estado. Prevejo que o Halloween deste ano poderá ser realmente tenebroso caso aconteça do Miliciano ser eleito.

Foto: pexels-photo-38960890-edited.jpeg

O Homi É “Simple”

Foto por Yulia Goncharuk em Pexels.com

A minha sogra dizia que os homens são “simple”, sem o “s”, mesmo, o que torna a frase mais determinante dessa simplicidade. São poucos os homens que conseguem escapar ao determinismo que o Patriarcado vigente impõe aos machos humanos. Ainda mais quando ascendem socialmente. E dá-lhe ternos bem cortados, charutos cubanos, whiskies caros para fazer com que sejam atraídos para armadilhas que mancham suas trajetórias, principalmente quando participam da vida pública em cargos e funções muitas vezes essenciais para determinar o funcionamento da Democracia. São políticos — prefeitos, governadores, vereadores, deputados — dirigentes de instituições importantes, juízes em tribunais em todos os níveis, incluindo os superiores. A corrupção parece não apresentar preferência ideológica. Aliás, o dinheiro é o traço comum entre todos credos, incluindo os religiosos.

Basta um banqueiro acenar com presentinhos, jantares caros, degustação de vinhos e charutos, atrações escusas como festas “bundalelês” em que o sujeito “amarra” acordos espúrios com aqueles que acabam por ficarem presos por gratidão por fornecimentos de recursos financeiros, as chamadas “propinas” que muitas vezes são geradas por prejuízos ao erário público, como foi no caso dos Governadores do Rio de Janeiro e de Brasília em passado recente, ambos presos.

Feito um pescador habilidoso, o banqueiro colocou como iscas várias coisas que ele percebeu ser atraente para os homens de alto coturno. Por mais que tivessem experiência, esses peixes se deixaram ser fisgados. E não importava os cargos que ocupavam, as referências políticas e sociais que ostentavam. Todos se deixaram ser pegos em situações melindrosas. A frase da minha sogra, que apenas na maturidade aprendeu a ler e escrever, era sábia em perceber o comportamento daqueles seres que ela designou como “simple”. Simples assim…

BEDA / A FACILIDADE DO FASCISMO

Mesmo depois de levar o mundo à guerra mundial, a propagação do Fascismo continua a se espalhar por todas as sociedades. Num planeta em que quase nenhum lugar está incólume de receber influência do totalitarismo digital através dos meios de comunicação,, a facilidade de um sistema simplificador em que normalmente não há reflexão sobre os assuntos costuma-se utilizar as chamadas “soluções simples”, que equaliza pela média as questões mais complexas em pauta na Sociedade. É a ditadura da simplificação que não atende as minorias, mas satisfaz os medíocres. Ouvi um filósofo dizer que o Fascismo é a falência do Abstrato e da Abstração, quando conseguimos ultrapassar o básico e atravessar os limites da simplificação, que busca padrões esquemáticos.

Muitas vezes, as soluções simples são as ideais, mas tomar qualquer atividade humana de maneira padronizada sob os auspícios do que é mais elementar, contando com a anuência daqueles que não suportam inovações ou diferenciações, elegendo modelos esquemáticos que acabam por ser impostos pelo poder vigente. No modelo democrático, busca-se o consenso, mas quando se estabelece o poder pelo uso das armas, observa-se que o poder de decidir entre a vida e a morte de segmentos inteiros de populações divididas em estamentos em que os menos aquinhoados de poder econômico, por exemplo, se tornam párias dentro do contrato social.

As raízes do Fascismo é antiga, mas com o crescimento de múltiplas influências dentro das estruturas de Poder Político que desenvolve mecanismos que impedem o crescimento da equanimidade de oportunidades de desenvolvimento positivo entre os cidadãos numa determinada localidade — País, Estado, Continente, Hemisfério — vemos crescer a violência como imposição natural do status quo. Falimos, quando isso acontece, como sociedade emancipada para além do que é padronizado, gerando estagnação intelectual e pobreza de recursos de ideias que poderiam auxiliar na melhora das relações sociais. A figura de uma parede branca bem poderia representar essa situação.

Foto por Monstera Production em Pexels.com

BEDA / Ilusão Pela Paixão

O brasileiro é movido de tempos em tempos pela ilusão induzida pela paixão ao Futebol. De País que duvidava de sua capacidade de vencer até mesmo dentro de casa, como ocorreu na Copa do Mundo de 1950, quando perdemos para o Uruguay de Obdulio Varella, de virada, quando precisaria apenas do empate para ser campeão. A isso o escritor Nelson Rodrigues desenvolveu a ideia da “Síndrome de Vira-Lata“, em que identificava o auto menosprezo como povo, o que nos tornaria incapazes de fazer sucesso num campo como o esporte mais popular do Brasil. E não apenas… Éramos uma coletividade que pertencia ao chamado “Terceiro Mundo“, que surgiu em 1952 e passou a designar os países que não se alinhavam nem aos Estados Unidos da América ou a comunista União das Repúblicas Soviéticas. Vivíamos a época da Guerra Fria.

No Brasil, do eurocentrismo, passamos a perfilar no grupo ligado ao Capitalismo gregário, em que servíamos ao Grande Irmão que nos tratava como área de reserva — uma espécie de “quintal” — como aliás recentemente se pronunciou uma autoridade norte-americana. Mas voltando à ilusão de sermos campeões novamente, eu relutantemente me filiei ao otimismo apenas para não surgir como um estraga prazeres, mas estava claro que apenas por boa sorte conseguiríamos passar pelas fases subsequentes enfrentando equipes muito melhor preparadas. Assim como aconteceu em 2014 na Copa do Mundo do Brasil, em que a Alemanha deu uma aula de organização e competência.

Enfim, enquanto passamos por seleções apenas medianas, ao enfrentar uma que realmente tinha jogadores mais aptos, como os do Dinamarca, como Ramus Halojnd e Christian Eriksen. Com as contusões de Raphinha e Paquetá, percebemos a falta que Rodrigo e Estevão pesaram num time com limitações técnicas evidentes. Mas o pior veio antes, com a desorganização da Confederação Brasileira de Futebol, envolvendo seus dirigentes em corrupção e péssima administração. Nem a contratação de Carlo Ancelotti, um treinador de primeiro nível, conseguiria reverter tantos problemas na preparação para o torneio. A paixão, no final de tudo, se sobrepôs à realidade e a ilusão levou o povo a se embandeirar, enfeitar ruas e se aglomerarem para (dis)torcer pela seleção. Houve choro e ranger de dentes e a população voltou ao modo de homeostase da vivência na precariedade cotidiana.