BEDA| Apaixonado

APAIXONADO
Paixões de garoto…

Quando garoto, por volta dos sete ou oito anos, comecei a me apaixonar. Tornei-me um apaixonado em série. Quanto mais inacessível a menina, a moça ou a mulher, melhor. Aliás, todas eram absolutamente inalcançáveis, não apenas porque eu era um pirralho que acreditava que ninguém notava como também era portador de uma timidez atroz.

Nunca teria coragem para me aproximar de Marylin Monroe, por exemplo, e anunciar que gostava dela, se isso fosse possível… Como não aconteceu com a primeira professorinha, a Profª. Débora, sempre perfumada, com o cabelo louro arrumado e fixado a laquê; com a estranha Marília Pera, de “Uma Rosa Com Amor”; com a mulher mais bela do mundo, Tônia Carrero, de “Pigmalião 70”; com a Ingrid Berman, de “Por Quem Os Sinos Dobram?”; com a Regina Duarte, de “Véu de Noiva” ou com o amor maduro por Romy Schneider, dos filmes europeus que comecei a apreciar mais tarde.

A minha paixão também se estendia às presenças femininas próximas e contemporâneas – à Celinha dos olhos claros, do Parque Infantil; à Bete, igualmente da mesma época, que se enamorou de meu melhor amigo e para qual servia de pombo correio; à menina mais bela da minha classe no ginásio; às moças mais interessantes do colegial, para quais também reservei a minha admiração apaixonada e silente. Eu as usava como musas de versos, canções, contos e versões…

Eu me lembro que versei “Hey Jude”, dos Beatles, aos oito anos. Na verdade, como não soubesse inglês, criei uma letra para a melodia de Paul MacCartney, direcionada à uma Jude que criei em minha imaginação e por quem me apaixonei. Como me apaixonei e fiz um poema para a menina dos olhos verdes que vi num relance, ao abrir e fechar da porta do ônibus – ela, à espera, no ponto e, eu, sentado no banco de trás do coletivo.

Escrevi versos para a moça de pernas bem torneadas, que estava a esperar o carro em que eu estava passar, sentada no selim de sua bicicleta no cruzamento de uma estrada no interior. E para a mulher que percebi verter uma lágrima ao ler um livro sentada em um banco de praça.

O que eu não esperava é que, mesmo mortos o menino, o moço e o rapaz que vivenciaram essas paixões, elas estivessem tão presentes ainda hoje na memória do adulto… Poder-se-ia até dizer que os homens são mortais, mas as paixões… ah, essas, são eternas…

BEDA | Ana & Honório

ANA & HONÓRIO
Encontros…

Eu não estava ali porque quisesse. Aliás, queria estar com aquele grupo de amigos, mas não me apetecia a ideia de assistir àquele filme, em especial. Mas fui voto vencido quanto a optar por um filme romântico, avessa à aquelas questões. Assim, assistiríamos “As Pontes de Madison”, com Clint Eastwood e Meryl Streep. Naquele dia, além dos amigos habituais, outro membro se uniu à turma. Conhecido do casal gay, não era mais novo ou mais velho do que o resto de nós, entre os 23 e os 25 anos. Em sua apresentação, apertou a minha mão com força e esboçou um quase sorriso, conquanto eu fizesse um movimento de corpo que denunciasse a troca de um beijo de saudação, o qual ele recusou.

– “Oi! O meu nome é Honório! Prazer!” – disse – “Oi! Sou a Ana!” – respondi, sem adicionar o “prazer é meu!” de praxe. Honório não me causou uma boa impressão. Desde o início, fez me sentir um pouco desconfortável, mesmo eu estando com o meu vestido mais solto… Eu parecia uma estranha pela primeira vez, naquela turma. Fiquei mais chateada ainda quando, por escolha dos outros, acabei por sentar ao seu lado. Tive comigo que seria mais uma experiência que viveria de espírito aberto.

Eu não era dada a frescuras em quaisquer circunstâncias. Por exemplo, em termos de comida, traçava o que viesse pela frente, de japonês a churrasco, bebia vinho, destilado e do outro lado (desculpe o trocadilho infame). Assistia, de shows de sertanejos e pagodeiros, à música de câmara. Eu me considerava divertida e a minha ampla gama de interesses tentava, antes de tudo, demonstrar certa epifania, espécie de celebração à vida. De tudo que via, ouvia ou degustava, incluindo namorados, sempre apreendia alguma substância. Honório (aliás, que nome, hein?!), apesar de minha aptidão democrática, não estaria entre os meus escolhidos para uma “degustação”. Não que fosse feio. Ao contrário, até que tinha os seus atrativos. Não era um tipo atlético, mas não estava fora de forma, se bem que não devesse ser um esportista. Apresentava um nariz “afirmativo”, em que pousava óculos que faziam com que parecesse um intelectual, desses, metidos a besta, com as suas fórmulas e elucubrações pré-concebidas, desenvolvidas em livros sebosos, um exemplar de homem que eu preferiria manter à distância.

Comprei um enorme saco de pipocas e um copão de refrigerantes, o que ele pareceu desaprovar pelo olhar de desdém que passeou sobre eles, o que aumentou um tantinho o meu desconforto, o que por si só, já me causava estranheza, já que eu normalmente não dava bola para o que ninguém pensasse sobre mim. Essa minha atitude fazia com que eu me enturmasse nos grupos mais esquisitos, mas aquele cara… Porém, o clima melhorou um pouco quando ele me pediu um bocado da minha pipoca e tomou um golão do meu refrigerante. Ele disse que usualmente não tomava esse tipo de bebida, mas que queimaria as calorias no dia seguinte, quando corresse no “Ibira”. Ôpa! Então corria como eu? Já tínhamos algo em comum. Menos mal…

O sujeito devia estar com fome, pois quase acabou sozinho com a pipoca antes mesmo de começar o filme, durante o qual, permaneceu calado e imóvel. Eu, de minha parte, assisti com muito boa vontade, pois o achei um tanto melodramático. Os meus amigos cochichavam uma coisa ou outra, que eu não chegava a ouvir direito e que eu fingia concordar, meneando a cabeça afirmativamente.

Em determinado momento, no entanto, se deu a seguinte cena: na tela – Meryl Streep, ou Francesca – dentro da caminhonete, sentada ao lado de seu marido, estava à espera do sinal do semáforo abrir (mesmo sendo aquela uma cidadezinha com quase nenhum movimento), enquanto Clint Eastwood, ou Robert Kincaid, permanecia debaixo da chuva, aguardando que ela saísse da caminhonete para escapar daquela vida provinciana que vivia e se jogasse em seus braços e à sua paixão. No instante que vimos Francesca apertando o trinco do veículo, indecisa sobre que atitude tomar, Honório tomou a minha mão que repousava no braço da cadeira e a apertou com vigor e apreensão, quase da mesma forma. Ao me virar para reclamar do ato, percebi que rolavam grossas lágrimas a lhe banhar o rosto por trás de suas lentes. Habitualmente, alguém poderia considerar àquela uma atitude menos máscula, assim como eu mesma, mas naquele homem discreto, aquilo me pareceu extremamente comovente. Aos poucos, soltou delicadamente a minha mão, dedo por dedo, em um movimento intensamente sensual. Sorri em resposta ao seu gesto. Estava me sentindo envolvida em uma situação realmente desconfortável… Caçadora que eu era, estava acostumada em atacar as presas. Se realmente quisesse comê-las, não deixava opção de fuga. Desde o início de nosso encontro, diversas circunstâncias fizeram com que eu me sentisse acuada.

Mais tarde, fomos todos a uma pizzaria e ele se mostrou arredio à minha proximidade. Por meu turno, eu não estava me reconhecendo – não conseguia demonstrar minha força habitual. A turma chegou a discorrer sobre o filme de forma passageira e ele não fez nenhuma observação sequer. Apenas abaixava o rosto, esboçando um sorrisinho no canto da boca que me irritava profundamente. A sua voz, não muito grave, só ouvi em duas ou três ocasiões. Ao nos despedirmos, disse:

– “Soube que gosta de correr! Vamos marcar para as oito horas da manhã, no Ibirapuera?”

– Pensei – “O que, às oito horas da madrugada? Caramba! Estávamos saindo de um sábado à noite para um domingo e já passava das duas!” – Sorri e respondi:

 – “Sim! Onde nos encontramos?”

– “Eu pego você em sua casa! Sei o seu endereço. Então, até às sete e meia!”

– “Estarei à espera!”.

Então, e apenas então, nos despedimos com um beijo no rosto, tímido e hesitante. Durante o tempo que me restava para descansar, mal pude dormir de expectativa para o encontro que ocorreria dali a algumas horas. Quando Honório chegou, quase ao mesmo tempo, começou a chover torrencialmente. Algo inédito para aquele mês de agosto, muito seco. Pedi para ele entrasse e enquanto esperávamos a chuva amainar, tomamos um café e conversamos sobre a cena no cinema. Perguntei porque se emocionara tanto com aquela passagem da caminhonete, a ponto de apertar a minha mão com tanta força. Estávamos a certa distância um do outro e Honório se aproximou um pouco mais de mim. Olhando em meus olhos, disse, tentando ser o menos formal possível, o que era difícil para ele:

– “Eu simplesmente percebi que aquela era a hora de tomar uma decisão capital. Momento pelo qual muitos nós passamos em nossas vidas, definidor do caminho que tomamos, se para a esquerda ou para a direita. O segundo em que dizemos ‘sim’ ou ‘não’. O instante que se perpetuará pelo resto dos nossos dias. Um instante como este…” – E, aproximando a sua boca da minha, me beijou suavemente…

Horas depois, a chuva transformou-se em garoa. Ficamos namorando e conversando o resto do dia. Honório relatou que o nosso encontro fora arranjado pelo casal gay Belo e Bono, decoradores do qual era cliente. Achei engraçado quando me confessou que comeu a minha pipoca e tomou o meu refrigerante para que eu prestasse mais atenção ao filme e a ele. Que se apaixonou por mim assim que me viu e que aquela cena específica o convenceu que tinha de fazer o que fez. Contra todos os meus prognósticos, estamos juntos desde então, há dezoito anos. Construímos pontes duradouras e sabemos que optamos pelo caminho certo, com Roberto e Francesca, nossos filhos, a nos acompanharem…”.

 

Participam do BEDA:  Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari

BEDA | O Dia Seguinte

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Ingrid e Gus, o australiano

Hoje, o dia seguinte, amanheceu frio e nublado. Agosto é um mês de mutações térmicas drásticas. O dia anterior, iniciado quente e ensolarado, foi se transformando gradativamente, até se precipitar em água.

AGOSTO (1)
Val Guimarães e Roseane “Poesia”, primeiras a chegar

Trabalhei muito. O que me ajudou a não pensar frequentemente sobre minha paixão tornada confissão. Lunna soube bem identificar um dos significados da frase anunciada em rede social: “A loucura nos faz cometer paixões.”.

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Cláudia Leonardi, a Mãe Literatura

Uma dessas paixões foi testificada por palavras e seria colocada em mãos e, eventualmente, decifrada pelos olhos de quem quisesse conhecê-la – criar-recriar-transformar a vida em cenas e vivências – por personagens que representam minha experiência nesta jornada de quem me lê e dela participa.

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Maria Gonçalves, fã da Scenarium

Essa magia que é viver pode estar sempre por um fio. Feito Agosto. Repentinamente, podemos mudar de “estado”. Somos, mas estamos. Tento registrar essa dinâmica, como escritor.

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Minhas filhas – Ingrid e Romy – e amigas

Espero ter alcançado, com Rua 2, sucesso nessa empreitada. Porque, sucesso, para mim, é isso – encontrar receptividade para o que tento mostrar. Ainda que seja por apenas uma pessoa. Ainda que a mensagem seja entendida de maneira totalmente particular.

AGOSTO (7)
Com Mariana Gouveia, que lançava “Corredores, Codinome: Loucura

Com um livro de contos, cada um deles é uma chance de sucesso e, naturalmente, de fracasso – incentivo na busca do aprimoramento.

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Com outro autor da Scenarium, o poeta Marcelo Moro

O que chamo de “queda no precipício” foi acompanhada por muitas pessoas no ambiente do Café. Com certeza, perturbamos a rotina do local. Eu vestia uma camisa e carregava um chapéu em tons parecidos com o da capa de Rua 2.

AGOSTO (9)
Destaque para Maria C. Florêncio e Joaquim Antônio, poetas da Scenarium

Amigos, parentes e leitores seguidores da Scenarium, reunidos para um congraçamento em torno da literatura – um acontecimento cada vez mais estranho em um país em que as mídias visuais e sonoras preponderam. Diferentemente do “esforço” de ler.

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Com Mister Scenarium – Marco Antônio Guedes

Foi uma noite prazerosa. Os sorrisos irradiavam sem querer. Risadas espocavam alvissareiras de encontros festivos. O encanto se estabelece simplesmente por todos estarem reunidos em torno de um projeto de vida – Lunna e Marco – seus mentores e anfitriões.

AGOSTO (11)
Com  Adriana Elisa Bozzeto, autora de Verbo: Proibido

A artesã da palavra e das palavras transformadas em livros, editora de ideias transmutadas em projetos de vida. Vidas lançadas em embarcações sem destino, até chegarem ao coração de alguém – porto inseguro.

AGOSTO (12)
Lunna Guedes, escritora-editora da Scenarium

Acordei cedo. Prometi para mim mesmo colocar este texto no blogue por volta das 11h de Brasília. Consegui apenas às 16h, pois a vida nos solicita para além do escritor, realizar as tarefas cotidianas.

AGOSTO (13)
Frida, solicitando atenção…

Quem me lembra disso é a Frida, que pede atenção e comida. É hora do almoço. Interrompo a minha escrita e a alimento, como igualmente as outras meninas – Penélope, Lola, Betânia e Domitila.

Comeram tudo… Foi um sucesso!

Participam do BEDA:  Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari

 

 

 

 

BEDA | Antes Do Salto No Precipício

Rua 2 e Corredores
Lançamentos Scenarium

Sempre quis saltar. Apenas não sabia que caminho tomar para chegar à borda. Escolhi escrever. Decidi me expor aos olhos dos possíveis leitores. Estar sob crivo alheio, além de si próprio. Não é um exercício agradável. Mas para quem quer se jogar, todas as consequências são dolorosas, apesar de aguardadas. Ser publicado é o salto. E há sempre gente disposta a ajudá-lo dar o passo sem chão. Um dia antes do lançamento de Rua 2, repasso mentalmente suas histórias em minha cabeça.  Procuro não ter expectativas.

Sobrevivente de um primeiro salto, em “REALidade”, deveria estar preparado para um segundo. Nunca se estará. Outro projeto, outra vertigem. Quase certeza de que não se alcançará êxito em concluí-lo. Dúvidas sobre tudo. Sobretudo, incertezas, muitas. Salto no escuro. Para saltar no precipício, há um trabalho em equipe. Sem o que, o espaço, além de vazio, será sem sentido. Ouso dizer que é um trabalho realizado por muitas mãos, até chegar às mãos definitivas.

O livro, materializado, é a precipitação pensada. Vácuo vital. Chuva no deserto. Tinta seca a fecundar o papel branco. Palavras a ventar pelas mentes que as acolhem. De alguma forma, aconteço pelas páginas em sequência, em números embaralhados. Chegar ao coração vivo, matando e morrendo. Suportar todas as contradições, sendo coerentemente contraditório. Confuso, com fuso e difuso.

Hoje, logo mais, Rua 2 e outros projetos da Scenarium Plural – Livros Artesanais, estarão disponíveis para serem apreciados por leitores e amigos. Mariana Gouveia, caminha junto comigo através de “corredores, codinome: loucura”. O projeto “Sete Luas” nos ilumina com a participação de autoras do selo. A Revista Plural – “Clandestina” – porque escrever não deixa ser um ato quase ilegal. Todos convidados para testemunharem saltos no precipício. Regado a café e abraços. Dor em nos revelarmos. Prazer em recebermos e sermos recebidos.

Participam do BEDA:  Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari

BEDA | Pensar

Celular
Au! Au!

Eu gosto de pensar. Aliás, penso demais. Inquieto, a cada novo fato, exploro todas as suas possíveis repercussões. Curioso, busco conhecer todas as perspectivas de um acontecimento. Libriano, pareço mudar de opinião apenas porque os pratos da Balança pesam as circunstâncias. Prefiro chamar de justiça. Não são poucas as vezes que faço o advogado do Diabo – coisa irritante…

No entanto, essa característica com cara de indecisão, muitos consideram um sério defeito. Por isso, muitas vezes, tento me libertar das amarras do pensamento. Dizem que deveria ser mais solto e que agir por impulso não me faria mal. Quando agi dessa maneira, foi sempre por amor. Na criação das minhas filhas, por exemplo, em vez de seguir cartilhas, preferi deixar o coração falar. Por vezes, com dureza. Não parece que tenha feito um trabalho ruim.

Essa forma de vivenciar a minha experiência como ser, apesar de bem-intencionada, não é fácil e nem inteiramente livre de enganos… e nem verdadeira. Talvez, ao contrário. É bem provável que eu seja um engodo… para mim mesmo. É uma luta para descobrir a minha alma, quase totalmente “protegida” pelo escudo do pensamento. Meditação seria a melhor alternativa. Parar a roda dos pensamentos para descortinar o meu “eu” interior. Mas o meu corpo se recusa a deixar…

Ao mesmo tempo, seres pensantes que somos, nos auxiliamos de subterfúgios para não pensar muito. Usamos de ideias, opiniões e preferências pré-formatadas para lidar com as várias solicitações cotidianas. Decisões são tomadas por impulso ou emprestadas de segundos e terceiros. Ideologias são usadas como lentes, a distorcer a visão dos acontecimentos. Previamente estipulados o “sim” e o “não”, acaba por se tornar complicado argumentarmos com algumas pessoas. Eu gosto do debate. Gosto de acolher as opiniões alheias, ainda que mantenha certas convicções para determinar uma postura minimamente coerente.

Contudo, alguns abusam de nossa busca pela facilidade do equilíbrio mental diante de tantos requerimentos. Propagandeiam: use isso ou aquilo para que não precise pensar. Tomem o caminho mais fácil para chegarem onde querem. Ajam sem pensarem para atingirem os seus objetivos. Sigam os “formadores de opinião”.

Sou fã de Fotografia. Ao passar em frente a um anúncio de celular no Metrô, é alardeado que o aparelho apresenta uma “câmera inteligente que pensa por você”. Obviamente, para evitar que o fotógrafo amador “pense” sobre luz, posicionamento, ângulo e outros detalhes, ela padroniza a obtenção da imagem desejada. Eu me senti disfuncional – não seria justamente “errar” o que nos dá o prazer de aprender ao buscarmos uma imagem que venhamos a apreciar? Decidiram chamá-lo de “Zenfone”, o associando o estado mental “zen” ao automatismo e não à autoconsciência. Além disso, é utilizada a imagem de um cão para angariar simpatia ao projeto. Ou seria, subliminarmente, uma maneira de dizer: “obedeçam como a um cão adestrado”?…

Participam do BEDA:  Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari