*Há dois anos, partia Zé Celso Martinez para realizar um espetáculo novo, em outro teatro que não o seu amado Teatro Oficina. Figura ubíqua da cultura nacional, influenciou seguidas gerações como diretor de montagens que transgrediam os parâmetros pré-estabelecidos da atuação teatral. Há mais de 30 anos, eu passava pelo Bexiga, quando cruzei com ele numa esquina. Nós nos olhamos nos olhos, porque eu acho que era assim que ele se apresentava a quem quer que fosse. Eu, bem jovem e muito mais tímido, não consegui desgrudar os meus olhos dos deles. Durou certa de dois segundos ou uma eternidade, por aí… Espero que voltemos a nos encontrar por lá, na esquina de algum dos cosmos desses tantos…
Categoria: Arqueologia pessoal
02 / 07 / 2025 / Calma*
A minha sobrinha, Verônica Ortega, lançou ontem o clipe da música “Calma”, composta num momento em que precisava compreender como se colocaria diante de tantas tribulações pelas quais passava. Como já aconteceu comigo mesmo em textos e poemas, “Calma” foi recebida como resposta em forma de canção. A Pandemia apenas acentuou situações que recrudesceram as nossas mazelas e nunca o brasileiro sentiu como agora a necessidade de parar, silenciar, entrar em contato com o seu tempo pessoal e continuar a andar.
Para quem quiser entrar em sintonia com uma mensagem de paz, assista ao clipe com a participação especial de Malagueña, o Fusca 1973, cor verde místico.
Ou ouçam pelo Spotify.
*Postagem de 03 de Junho de 2022.
1º / 07 / 2025 / As Cicatrizes
não importa a estrutura que apresentemos
cicatrizes haverá
faz parte de existir
seja animal planta pedra
em nosso corpo seja em perna
braço cabeça mão
seja de amor no coração
na pedra a diferença da composição
mineral química cristalina vulcânica
não difere da estrutura do meu peito
endurecido após tantos revezes no amor
sou como o senhor da eternizada dor…
29 / 06 / 2025 / Poentes No Cais

Sentado no cais,
todas as tardes,
eu me coloco a observar a linha do horizonte…
Lusco-fuscos da minha perdição…
Todos os dias,
a essa hora,
há essa hora
em que revivo o momento da despedida…
Ela se foi…
sem ter a delicadeza de desaparecer
em barco a vela silente…
Foi para o continente,
célere como o pendular instante,
em ronco de motor potente…
Fiquei na ilha, ilhado…
Solidão por todo o lado…
Em dias nebulosos,
não há diferença entre o firmamento
e o mar,
entre a noite que chega
e o dia que vai…
Então, me sinto melhor…
Porque mergulho em um mundo
de oceano sem fundo,
um buraco negro,
de luz abduzida…
De nosso amor,
restou pores de sol,
tempestuosos e brilhantes,
de raios fugidios,
figuras de corpos esguios…
assim como o seu,
que espero voltar,
até anoitecer
ou o Tempo acabar…



