À partir da chegada da Internet na vida das pessoas, vários parâmetros da vida humana ganharam novas formas de referência. Como é comum acontecer, as várias ferramentas disponíveis através de sua inserção em nossa rotina começaram a ganhar protagonismo. Eu decidi não utilizar, mas é comum que a IA se transforme, para além da linguagem, em uma espécie de realidade paralela aos quais as pessoas aceitem como factível. A frase da imagem acima é de 2017. Eu já especulava sobre as possibilidades e alcance das novas tecnologias, mas o Sr. Corrector (como o chamo) eu deixava atuar porque me dava ideias interessantes à partir dos erros de flexões verbais ou a mudança de palavras que são simples, mas que por causa de um acento, muda todo o contexto do que se quer expressar. Foi graças ao uso das palavras que o ser humano construiu o poder sobre o meio ambiente. Muitas vezes a ponto de prejudicá-lo. Creio que seja pelo uso consciente da palavra que consigamos reverter o processo pelo qual nos encaminhamos para a autodestruição e, conosco, o resto dos habitantes de Gaia. “É e não “E“. “Ser” e não “Ter“. Por meio do uso correto da palavra poderemos mudar o rumo que tomamos em direção ao precipício…
Categoria: Diário
13 /12 /2025 / Jacaré*
*Corria o ano de 2020. Em plena Pandemia de Covid-19, aquele que deveria zelar pela saúde pública não quis enveredar pelo cuidado da população brasileira. Como seguia a cartilha professada pela extrema direita vinda diretamente de influenciadores como Steve Bannon e Olavo de Carvalho, o sujeito proferiu uma declaração que refutava o uso de vacinas porque seríamos todos transformados em “ma… (quase disse ‘macacos’) jacarés”. Quando ficou claro que não conseguiria suplantar a pressão pública, junto com a quadrilha que comandava o seu (des)governo, urdiu um plano de contratar uma vacina indiana sem nenhuma comprovação de eficácia, mas que prometia render um valor exorbitante de dividendos aos seus companheiros de quadrilha, com depósitos realizados em uma conta desvinculada ao devido processo legal de contratação da vacinação. Enfim, como o “mundo plano” dessa turma não dá voltas, mas capota, hoje o Ignominioso Miliciano cumpre pena por tentativa de golpe. Maas o mais triste é que sua recusa às medidas sanitárias custou um sofrimento atroz a vários brasileiros e ainda que tivesse 3% da população mundial, foi responsável por 11% da mortandade pela Covid. À época, dezembro de 2020, escrevi o poeminha abaixo…
Quem é você, quem sou eu?
Sou homem, mas não filisteu.
Sou de Libra, sou de cabaré.
Sou menino, sou Jacaré**.
Aquele que cocou sete vezes,
não pagou, enfrentou revezes.
Sou um tanto estimado,
um pouco odiado.
Tranquilo em minha raiva,
barco a vela à deriva.
Sou réptil a sobreviver
de resto, do frágil, de cadáver.
Melhor símbolo pantaneiro que podia haver,
agora me tornei opositor ao poder.
** Certa ocasião, fui à região da Rua Santa Efigênia comprar produtos eletrônicos referentes ao meu trabalho e numa parede estava escrito “Jacaré cocou sete vezes e não pagou (um recado de uma das trabalhadoras do sexo da região) alertando para a geral o sobre o tal caloteiro. E eu só fiquei a especular porque não recusou serviços depois do terceiro calote, por exemplo…
12 / 12 / 2025 / O Mar
uma terça-feira perdida da semana no início de dezembro — um inesperado dia solar
empurrado pelo vento vindo do interior me encaminhei em direção ao Mar
pela previsão do tempo à tarde choveria como choveu
mas para mim não importa eu não busco o Sol
vou em direção ao líquido amniótico como a criança com saudade do útero da mãe
as águas límpidas já prenunciavam a chegada da frente que baixaria a temperatura
e revolucionaria o movimento das ondas em desencontros
como se um gigante balançasse um copo descomunal
sabia que mais tarde as águas estariam mais interessantes para quem busca o embate
líquido que me jogaria de um lado para o outro como acontecia com a criança fui-sou-serei
porque sei que assim morrerei
não que me considere jovial mas porque continuo a ver a vida como novidade
caminhando olhando para os lados com imensa curiosidade
um garoto perdido em corpo envelhecido…
11 / 12 / 2025 / Sobre o Tempo
Quando digo que tento viver um dia de cada vez, muitos poderão argumentar que devemos planejar o Futuro e, por isso, a nossa cabeça não deve ficar totalmente presa ao Presente. Ora, não vejo melhor maneira de estruturar o Futuro do que vivermos o Presente da melhor e completa maneira possível. A cada passo que dermos no bom caminho, agora, nos conduziremos para a melhor chegada, lá adiante. Como o que ocorre conosco nos dias que correm, é consequência direta do nosso Passado. Quando coloco “Presente”, “Passado” e “Futuro” entre aspas o faço porque o “Tempo”, para mim, é relativo. Eu diria até que o “Tempo” não existe, pelo menos da maneira que o estipulamos, medido em números. O que chamamos de “Tempo” diz mais respeito aos efeitos dessa contagem de números sobre a nossa matéria, o que, nesse caso, chega a ter certo fundamento. Porém, relaciono o “Tempo” mais a um estado mental e, dessa maneira, os três ”tempos” se confundem. O nosso ”Passado” apenas nos explica o “Presente” e o nosso “Futuro”, acontece agora.
10 / 12 / 2025 / PESO
“Querido Dia, me traga coisas leves”.
Logo respondi que sentia falta de algum peso.
“Fortes emoções?”
Não!
Peso físico… de um corpo sobre o meu…a emoção é condecoração…
Sentir-me-ia recebendo uma medalha no peito — ou uma facada no coração —
mas seria algo para sentir…
Tive uma sensação de leveza ontem à noite,
ao ver a Lua no horizonte ao mesmo tempo que sentia em minha cabeça desnuda
uma brisa calma e fria do Outono que se aprofunda a caminho do Inverno,
de estrelas brilhantes em céu limpo de nuvens…
Tenho sentido o peso das notícias excruciantes
que me açoitam diariamente a pele d’alma…
Mas a minha pele física quer outra pele contra a dela,
em conjunção planetária de corpos celestes,
signos em Sol… planetas que lhe circundam o fogo da noite,
passional, energético, explosivo, contumaz, inevitável…
Quem eu bem quero está longe…
Quem eu tenho por perto, se distancia…emocionalmente,
não me lê, é bem provável que não me queira mais…
qualquer dor que sente me acusa, porque estou junto…
seria o caso de separar caminhos…criar expectativas, sonhar a comunhão
e não a solidão…
Quero em outro corpo me emancipar,
quero o âmago do gozo, penetrar,
quero o peso de amar…
Foto por Ketut Subiyanto em Pexels.com




