BEDA / Descascando Cebola

Desde que acordei hoje, um tanto tarde, apesar da noite bem dormida, levantei meio melancólico. Estava feliz pelo trabalho no dia anterior que, apesar do frio de 11º C, chuva fina constante e correria, foi a contento. Abri a janela e o ar frio persistia em marcar a sua presença desproporcional, ainda que estejamos no inverno. Desci para tomar café — o dia não começa sem que o café me aqueça —, fui ao jardim conversar com as plantas, o que sempre me faz bem. Elas se deixaram fotografar.

Como já era tarde, fui preparar o almoço. Aproveitei que estava descascando cebola e misturei as lágrimas provocadas pelos compostos sulfurados, que se transformam em gases e irritam os olhos, com algumas verdadeiras. Aconteceu sem mais nem menos. Ou, antes, pela constante falta que sinto de algo indefinível. Ou até que escondo de mim mesmo dar a conhecer. Foram lágrimas que não precisava justificar, enquanto limpava a minha mente de coisas pesadas que repercutem em redes sociais, sem que queiramos ver, mas acabam rebatidas em imagens externas que invadem a nossa existência.

Preferi fazer uma postagem para deixar registrada a simplicidade de um dia de descanso com as minhas próprias imagens. Sempre com a participação de meus companheiros. Não é um descanso comum. O meu tempo não é tão livre, já que com textos a entregar, tenho que produzir. Mesmo que sofra para que uma escrita seja forjada, porque escrever mobiliza recursos pessoais que nos incomoda. Ao fim, pode se tornar uma “prisão prazerosa” para quem quer se entender livre.

Texto participante de BEDA: Blog Every Day August

Denise Gals Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Bob F / Suzana Martins Cláudia Leonardi

BEDA / Passagens*

Foto da minha primeira identidade. Tinha 17 anos e uma nascente barbicha. Logo, por efeito de ter me tornado vegetariano, começaria a emagrecer bastante até ficar um tanto irreconhecível. Depois de me adaptar pouco a pouco à alimentação sem carnes de qualquer tipo, consegui ficar menos magro. Essa fase, durou cerca de dez anos, até me casar, em 1989.

Por encomenda da Ingrid, em Janeiro de 2022 recebi um biscuit delicadamente confeccionado pela talentosa Maria Luíza Alves. Eu amei o mimo! ¡Gracias! 

Em #TBT de 2014, um registro de 2002. Na época, legendei: “Cultivamos amigos e plantamos o verde pelo mesmo motivo: melhora o ar que respiramos” – um registro da filhote Dorô, filha única da última gestação da Lua. Acompanhou as meninas em boa parte da adolescência.

Numa madrugada do início de dezembro de 2015, quando voltava de um trabalho com a Ortega Luz & Som, assistia alguma programação até baixar a adrenalina. Comigo, a nossa eterna e dourada Dorô. Eu nem sei quanto tempo faz que ela não está mais fisicamente conosco. Mesmo porque não há dia em que não nos recordamos dela.

Esse #TBT de 2016 é muito especial para mim. Além da Bethânia, recém-chegada, mais afastada, vê-se à esquerda, Frida, que há uns três anos deixou de estar conosco fisicamente e, à direita, Domitila, que encantou-se há pouco. Não são poucas as vezes que acabo por pegar uma vasilha a mais para dar comida para as meninas… e só então me lembro que ela não precisa mais se alimentar de ração, mas apenas do amor que não lhe falta em nossas lembranças.

Neste registro de 2011, estamos, meu irmão, Humberto e eu, em momento de descanso depois da montagem do equipamento da Ortega Luz & Som para a realização de mais um trabalho de sonorização. O local em que estávamos, foi uma antiga fazenda de café transformada em local de eventos. Na sede do Hotel Fazenda, encontramos várias referências à época da escravidão, incluindo as senzalas nos casarões. Patrimônio construído com sangue e suor dos escravizados que agora é usado para diversão de quem pode pagar.

*Postagens feitas no Facebook ao longo dos anos desde 2011. Publicação participante do Beda: Blog Every Day August

Denise Gals Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Bob F / Suzana Martins Cláudia Leonardi

BEDA / A Mariposinha

Deixei um pouco o meu computador de lado e quando voltei havia um pedaço de folha seca sobre o teclado, das muitas das plantas daqui de casa. Quando fui limpá-lo, saiu voando, deixando um pouco de pó como lembrança. Tratava-se de uma pequena mariposa. Do ângulo que eu a vi, a confundi devido à sua cor, semelhante. Isso ocorreu há poucos dias. Há dois dias, eu a encontrei finalmente pousada, asas recolhidas, em repouso eterno. Até que seus átomos se dissolvam e retornem em outras formas de ser-não-ser, coloquei o seu corpo no solo do jardim. Viva, quando a toquei, senti a solidez de um algodão, mas a sua força sei que residia no percurso da sua transformação. De lagartinha a pupa, da pupa à eclosão em mariposa. A origem do seu nome é pura poesia. “A palavra “mariposa” é de origem castelhana e é composta de uma apócope de ‘Maria’ (Mari) e do imperativo do verbo posar (em português pousar), ‘posa’”. (Wilkipédia)

A Vida é assim – alada. A sua companheira, a morte, muito mal falada. No entanto, uma não tem fundamento sem a outra. São imbricadas e complementares. Aliás, eu creio firmemente que a expressão da energia vital não se atem apenas aos seres que se movimentam. Pedras falam tanto quanto humanos. As suas formas de nos contar uma história tem outra ordem. E o sentido de eternidade ganha uma linguagem incomensuravelmente mais ampla. As plantas têm essa qualidade, também. São os seres vivos mais fascinantes que conheço. São organismos que se diversificam em formas e maneiras de se apresentarem quase infinitas. E a inteligência que que demonstram ainda mal mensurada.

Quando aprendemos na escola sobre os Reinos (nome fantasioso e atraente) – Animal, Vegetal e Mineral – descobrimos que eles são restritivos. Aprendemos que o do Seres Vivos apresentam cinco categorias: animal, vegetal, fungi, protista e monera. Há muitos mais. E um certo sujeito chegou a dizer que seu reino não era daqui. Sem querer entrar no mérito do invisível por se tratar de outras dimensões e frequências, a energia vital se espraia por tudo que existe, desde o ponto infinitesimal que gerou todos os universos. E todos podem caber no sentido e compreensão no voo e morte de uma mariposinha. Sempre em direção à Luz, sua sina. E a nossa…

Texto constante de BEDA: Blog Every Day August

Roseli Pedroso / Mariana Gouveia / Bob F / Denise Gals / Claudia Leonardi / Lunna Guedes / Suzana Martins

BEDA / Amor & Ser

Ah, o milagre do amor…

Eu, desde muito cedo, me acostumei a separar Amor de amor. Amor designaria aquele gerado sem segundas intenções, puro e autônomo, existente mesmo sem ser correspondido, mesmo porque é generalizante. O de fundo “romântico”, baseado no afeto mútuo, vive no raso das emoções, mais “fácil” de ser correspondido, assim como descartado. Origina-se na simpatia e expresso de maneira menos elaborada. Normalmente pede envolvimento físico, mas pode se colocar numa condição superior através da convivência. Também comecei distinguir Ser de ser, em que o primeiro significaria alcançar a plena capacidade de existir, Sendo. Neste caso, “ser” representaria a situação transitória da existência.

Quando falo do milagre do Amor, deve-se ao esforço que devemos fazer para ultrapassar as muitas barreiras que muitas vezes erguemos para conseguirmos desenvolver tamanha empatia a ponto de vir proporcionar sentimentos mais elevados. Para dificultar, entra em jogo as diferenças inerentes à nossa presença no mundo – que mais separam do que unem as pessoas. Muitas vezes, para darmos vazão ao amor que nos move intimamente, desenvolvemos relações mais profundas com outros seres que não os humanos. 

No amor romântico, assumimos formas relacionais que geram emoções alteradas, aflitivas, geradoras de conflitos entre as partes correspondentes. O sistema sob o qual a Sociedade se desenvolveu impede que seja diferente. É comum que não progridam, a não ser que o relacionamento seja reinventado de comum acordo. É algo que tem ganhado maior número de adeptos abandonar os arranjos tradicionais, buscando novos feitios que muitas vezes incorporam mais do que dois componentes no convívio mútuo. No entanto, dado ao aumento da violência entre os casais, principalmente do homem contra a mulher, têm-se desejado evitar uniões tradicionais, prioritariamente por elas.

Esforço maior ainda é saber o que seja esse tal de amor romântico. Aliás, sei. Que se resume em não saber de si. Acho que esse amor tem o papel de nos perdermos. Descobrirmos as nossas fraquezas, abaixarmos as nossas defesas, sofrermos os ataques do “inimigo”, nos rendermos ao sentimento. Poderia se dizer que não precisaria ser assim. Concordo, mas a intensidade tem tanto a nos ensinar. Sem ela, não vale a pena vivê-lo. Não amarmos com todo o ardor, nos desmontarmos, é um bem-vindo exercício de humildade. Podemos vir a morrer. Mas tenho por mim que renascemos melhores.

Muito recentemente, percebi que para Amar ao próximo como a nós mesmos, recomendado por um grande Avatar como mandamento precípuo, nos Amarmos é fundamental. Não pode haver correspondência sem que nos aceitemos com todas as nossas falhas. Sabermos que Somos, ainda que imperfeitos neste instante que são as nossas momentâneas vidas terrenas. Enfim, amar, apesar de tudo, é uma introdução a um movimento que abarca um sentido bem mais complexo, superior… enquanto não alcançamos o Amor.

Foto por lil artsy em Pexels.com

Texto participante do BEDA: Blog Every Day August

Roseli Peixoto / Claudia Leonardi / Bob F / Lunna Guedes / Suzana Martins / Mariana Gouveia

BEDA / Instantâneos Paulistanos*

Em *2011 escrevi: “Castelinho da Rua Apa, ponto tenebroso da cidade, não só pela história bastante sombria do lugar, onde ocorreu um duplo assassinato — mãe e dois filhos advogados. Mesmo antes da edificação do prédio, na área aconteceram episódios estranhos. Atualmente, é símbolo do descaso com que foi tratada esta região de São Paulo“. Revisando o que foi dito na última sentença, o edifício foi restaurado e desde 1996, a ONG Clube das Mães do Brasil tem a concessão para utilização do local.

Amizade. Enquanto o cão descansa com a amiga no colchão, o terceiro do grupo espera que o tempo passe… *2014

Na academia, estava entretido nos exercícios de supino. Entre um intervalo e outro, você, vestida de amarelo, chamou a minha atenção. Entre tanto movimento, o seu corpo posava lindamente para uma foto roubada. *2011

Vista da Praça Princesa Isabel, onde vemos Duque de Caxias estacionado com o seu cavalo e seu braço em riste com uma espada a mão… para sempre. À esquerda, abaixo, um catador de papel, figura onipresente na região. Mais ao longe, no horizonte, Cristo, no topo do prédio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, observa o domingo na Cracolândia. Bem ao fundo, temos o perfil da Serra da Cantareira.*2009

Participante de BEDABlog Every Day August

Roseli Pedroso / Mariana Gouveia / Suzana Martins / Lunna Guedes / Claudia Leonardi / Bob F / Denise Gals