B.E.D.A. / Inacessível

Ainda que não acreditasse,
quanto mais eu busco
me interiorizar,
mais sinto me abrir.
Quanto mais eu procuro
me explorar,
mais consigo me conectar
ao resto de mim —
que são todos,
que são tudo.
No entanto,
alguns mistérios permanecem —
alguns lugares em minha alma
estão inacessíveis…
Tem sido mais fácil chegar ao Sol…

Participam do B.E.D.A.:

Lunna Guedes / Cláudia Leonardi / Mariana Gouveia /

Darlene Regina / Adriana Aneli /

Roseli Pedroso

Espelhos*

Espelho de outros tempos, na academia…

Neste jogo de imagens
que é a vida,
o nosso corpo
é apenas uma miragem
que se desvanece
entre outras…
Todos os anos nos deparamos
com as mesmas datas
a se repetirem na folhinha,
na agenda da bolsa,
no calendário do celular,
em marcas de nossa pele…
Costumam variar os dias da semana,
mais velhos,
o Sol nos recebe cotidianamente.
Os espelhos
insistem nos mostrar
diferentes versões
de quem imaginamos ser…
Que importa?
Espelhos foram feitos
para serem quebrados
e nós,
para sermos amados,
ainda que não nos reconheçamos…

*Poema erigido de cacos de palavras ao longo dos anos 10 do terceiro milênio.

Amar Ou Se Apaixonar*

Amar é abnegação,
se apaixonar é condenação.
O amor é superador,
a paixão é transgressora.
O amor supera a dor,
a paixão cede à dor.
O amor é salutar,
a paixão é patológica.
O amor é lógico,
a paixão é louca.
O amor é bravo,
A paixão é corajosa.
O amor é aglutinador,
A paixão é individualista.
O amor soma,
A paixão divide.
Somos amor,
estamos apaixonados.
Temos o amor como destino,
perdemo-nos no caminho da paixão.
Conquanto, buscamos amar,
permanente e equilibradamente,
digam-me por que,
em sendo algo breve e temerário,
queremos nos apaixonar?

Foto: Foto por Joshua Mcknight em Pexels.com

*Poema de 2014

Formigas

saio para caminhar assumo
apenas a linha vermelha que limita
a grama do piso da ciclovia
da ilha central da avenida farei
um tiro rápido pelo trajeto
encontro nossos formigueiros e de outras formigas
corajosas na faina de buscar folhas
atravessar chãos pisados e repisados
reprises de filmes antigos
mortas por rodas e pisantes
alguns matariam por diversão?
pelas pistas versos e reversos
formigas motorizadas brecam
ao sinal vermelho do semáforo
obedecem os sem foro
de apelação
os desesperançados
atraídos pela ação
agem por impulso
correm mal se socorrem
de suas mentes  e corações
devo permanecer a equilibrar pés
sobre a contínua linha
corpos de formigas jazem
a centenas operárias que sustentam
a colônia de alimento e cuidado
obedientes ao sistema de castas
defendem cuidam das ovas
as mais velhas as mais novas
assim como as maiores
estas iludidas se imaginam rainhas superiores
muito mais ainda as piores
se ainda comessem flores…