BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Ah! Gosto Deste Mês!

O longínquo Agosto de 1989 me tornou pai. Mais precisamente do dia 12 para 13 — domingo de Dia Dos Pais — nasceu a primogênita das três filhas da Família Oliveira Ortega, a Romy. E esse “detalhe” foi definidor de uma das características que mais prezo em mim. Creio que seja um bom pai. Referenciado pelo depoimento das próprias.

Apesar da secura climática, mental, social, econômica que sentimos na pele atualmente, este mês nos compensa com visões de crepúsculos espetaculares, devido à luz indireta do que deveria ser um Inverno, mas que tem apresentado temperaturas de Verão, em torno dos 30ºC.

“12 de Agosto de 2020. Este dia existe, o mês também. O ano, já não sei. Estamos vivos, eu, que escrevo, vocês, que me leem. Ou não. Aniversário da Romy, trigésimo primeiro ano de existência, todas as estações vividas aqui, na periferia da Zona Norte. Trinta e uma vezes a Terra girou em torno do sol. Onze mil, trezentos e trinta e dois crepúsculos, contando os anos bissextos. Porque com ela é assim — todo dia é dia de comemoração da energia vital. Parabéns para nós que a conhecemos, meu amor!”

A temperatura política também está altíssima. Estamos às vésperas de um novo pleito para a eleição para cargos executivos e legislativos majoritários. No entanto, como desde há muito tempo, estamos dubiamente polarizados, em que os extremos se tocam na radicalização. A decisão estará com eleitor, apesar de haver quem não queira que cheguemos a escolher ninguém em Outubro. Ou porque pessoalmente não queira ou porque não queiram que as eleições ocorram.

Registro de 2015

Eu gosto muito de treinar musculação. Mas infelizmente, a falta de tempo, antes, e o advento da Pandemia nos últimos tempos, fizeram com que eu buscasse a me exercitar em casa. Depois de uma crise de Tendinite, que me impediu de fazer exercícios superiores por quase dois meses, voltei com atividades leves. Gosto das dores musculares — reflexo-resultado do esforço. No curso de Educação Física, descobri que os sintomas dolorosos é a resposta do corpo ao rearranjo ou adaptação celular, com consequente aumento da capacidade muscular em suportar cada vez maiores cargas e repetições. Diante dos fortões que me viam utilizar cargas baixas, já me perguntaram, meio debochados, se eu estava fazendo Fisioterapia. Respondi com naturalidade: “sim, sempre!”. Não falaram mais nada. Lembrando que com a baixa umidade do ar, a hidratação tem que ser constante.

Média da umidade relativa do ar atualmente — 27%

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal de umidade do ar para o organismo humano gira entre 40% e 70%. Acima desses valores, o ar fica praticamente saturado de vapor d’água, o que interfere no nosso mecanismo de controle da temperatura corporal exercido pela transpiração. Além disso, proporciona a proliferação de fungos, mofos, bolores e ácaros. Com a umidade muito baixa (menos que 30%), as alergias, sinusites, asmas e outras doenças tendem a se agravar. Com o desequilíbrio climático pelo qual estamos passando — estiagem extrema em uma parte do Brasil e chuvas torrenciais em outra — causado pelo desmatamento desenfreado, talvez estejamos antevendo o “spoiler” de filme-catástrofe a estrear com “sucesso” nos próximos anos.

Maria Bethânia, fazendo festa na laje, sobre a qual elucubrei sobre o ciúme que sente por mim em REALidade

“… De modo geral, além da inteligência básica, são seres-repositórios de emoções e sentimentos puros e sem medidas. Amor e ciúme, sem dúvida, estão entre eles. Nos cães, a força da irracionalidade se expressa de maneira ainda mais acintosa. Amor, ciúme, posse — onde começa um e termina outro? Há a eterna discussão se o amor é uma construção sociocultural ou uma condição intrínseca aos seres humanos… se a sua base é espiritual ou físico-química, se é algo substancial a ponto de ser verificado expressamente ou uma ilusão mental… Creio que a ligação que desenvolvemos com os outros animais, — principalmente os mais próximos de nós, “aculturados” —, diga muito sobre a própria condição humana. Talvez possa vir a desvendar se o amor e as suas emoções subsidiárias, como o ciúme, revela-nos animais básicos ou, contrariamente, que somos animais confusos demais para sabermos o que sentimos, quando sentimos…” — (REALidade, lançado pela Scenarium, em 2017).

Crepúsculo do início de Agosto de 2022 — Lua Quarto Crescente

Termino esta postagem como comecei — mostrando um entardecer-anoitecer — porém atualizado. Este Agosto promete ser intenso em várias medidas. Todas exageradas. Que saibamos vivenciá-lo com parcimônia de emoções, ainda que dificilmente conseguiremos. Porque mesmo que nos controlemos na aparência, as revoluções vulcânicas internas não deixam de apresentar os seus efeitos em algum momento. Sei disso de forma cabal — o corpo e a mente sofrem as consequências de estarmos vivos e conscientes — benção disfarçada em sofrimento.

Participam do BEDA: Suzana Martins / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Darlene Regina / Mariana Gouveia

BEDA / Dama De Cinzas

Vem um dos homens e lhe ofende a natureza feminina
Silenciosamente rouba-lhe a inocência de menina
Determinado e consciente impõem-lhe a boca calada
Que quando balbucia a verdade é de pronto velada
Sofre a exclusão familiar e ainda a pecha que espezinha
De ser além de uma pequena mulher, uma mulherzinha
O decreto que apequena a moça a conduz ao descaminho
Tenta encontrar na química a sua recompensa, o carinho
Nos corpos alheios busca confirmar a dúbia fama
E passa a acreditar nos créditos de cinzenta dama
Mas como um anjo caído, sabe que pode alçar voo maior
Acima do rés do chão, além do horizonte de novo alvor
Subjuga o ódio que poderia sentir pelos machos da espécie
E ainda consegue amá-los e achar graça além da efígie
Prova-se emancipada em carne, osso, mente e espírito
Escreve a cada momento a sua história rumo ao infinito
Une-se a nós e expande o seu ser de boa influência
Confessa-se imperfeita, ainda que seja uma dama de excelência.

Foto por Jill Wellington em Pexels.com

Participam do BEDA: Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Suzana Martins / Darlene Regina / Roseli Pedroso

BEDA / Não Passei Vontade (Confissões)

Lia CONFISSÕES, de minha autoria, lançada pela Scenariumlivros, quando fui interrompido por Arya. Como a guerreira de Games Of Trones, enfrentou a quase 100% fatal Cinomose e venceu. Apresenta alguns efeitos colaterais, mas muito poucos. No mais, é carinhosa e pede sempre carinho a quem puder. Gosta de gente e tem as unhas pintadas de preto mais bem feitas que alguém poderia ter. Antes de ser chamado para acarinhá-la, passava pela página 61, onde lia:

“No ônibus, apartado do mundo exterior, lia Vermelho Por Dentro. Uma das personagens declara que tinha coisas dentro de si que “se pudesse, enterraria-esqueceria-apagaria, mas que vez ou outra tudo emerge”, a afogá-la naquelas lembranças.

Como ‘nasci’ me sentindo culpado, qualquer coisa em minha vida adquire tons escuros-graves. Conjecturei que talvez não quisesse esquecer de situações e ações que me definiram como sou, ainda que não goste tanto de mim.

E, enquanto pensava essas realidades oferecidas lado a lado… como um comentário aos meus pensamentos, penetrou em minha redoma uma frase-bala-perdida que me atingiu no peito – não passei vontade… fui atrás do amor, onde ele estivesse!….

A autora-pessoa-personagem da vida real estava sentada no banco à frente, mulher de 40 – talvez – 50… longos cabelos brancos, com a altivez de alguém que sabe quem é. Conversava ao celular.

Eu, fui a vítima, nada inocente. Se existe alguém que se sente culpado por ter passado vontades não realizadas – esse sou eu. Mas, eu prefiro me arrepender do que fiz a me martirizar pelo desejo não realizado. O sentido de libertação que a vontade atendida expressa é inebriante. Como abraço o pecado original da culpa, o peso da satisfação pessoal tende a carregar a carga indesejada de incriminação.

Jovem ainda, fui aumentando a lista de restrições pessoais. Qualquer coisa ‘perigosa’, geralmente que envolvesse prazer – do sexo à gula, evitava. Deixei de beijar, tocar, namorar meninas que queriam me conhecer. Topavam com um indivíduo esquisito, que atraía-sorria-recusava com a desenvoltura de um paquiderme.

Chego a sentir horror daquele sujeito que oferecia a inocência de um ser amoral. Espero ter melhorado e me distanciado do cara que se feria por não dar vazão às suas vontades.

A mulher ao celular, demonstrou personalidade uma vez mais, ao dizer: ‘não vamos nos ver hoje‘. Queria ficar sozinha naquele dia. ‘Não!‘ – afirmou, sem se preocupar com quem a ouvia, afirmando com uma sutileza peculiar –, ‘não estou punindo ninguém! Apenas quero estar comigo...’.

Encantado com a postura-firmeza… acompanhei seu caminhar pelo corredor do ônibus e vi quando desceu – no ponto seguinte. Acompanhei em seu andar entre humanos, passo a passo.  Não vi o seu rosto.

E ao chegar ao meu destino – Terminal Vila Nova Cachoeirinha – pus os pés no chão, sem as dores de anos vividos com unhas encravadas, consciente de que continuo a tropeçar em sentimentos dúbios…”.

Participam do BEDAMariana Gouveia / Lunna Guedes / Suzana Martins / Darlene Regina Roseli Pedroso

BEDA / Aposto!*

Perto do centro comercial do meu bairro existe uma casa lotérica chamada O Meu 1º Milhão. Achei o nome inspirado e sugestivo, em se tratando do fato que intitula um local de apostas nas loterias da Caixa Econômica Federal. Mais inspirador seria se aquele primeiro milhão não fosse incentivado a ser conseguido com o “Aposte e Ganhe! frase que complementa o cartaz sobre a entrada do estabelecimento. Seria tão surpreendente que uma instituição do governo tão poderosa, como a CEF, alardeasse aos quatro cantos do território nacional que seria possível, com muito estudo e trabalho, conseguir obter muito mais e ser, além de um “ganhador”, um verdadeiro vencedor?

Eu costumo dizer que ganho toda a semana na loteria – o dinheiro que eu apostaria, economizo ou gasto em alguma outra coisa necessária. E aposto com qualquer um que essa é a melhor opção possível! Contudo, o fato é que não adianta proferir sentenças de cunho inspirador, simplesmente porque o brasileiro adora apostar. Nós somos o País do Jogo do Bicho, da Briga de Galo, da supostamente inofensiva Tômbola de igreja e das clandestinas casas de Bingo e suas máquinas viciadas e viciadoras, além de tantas outras modalidades de jogos de azar – Jogos de Azar também é um nome muito sugestivo.

Também, em Política, costumamos apostar. E fazemos apostas altas. Blefes tem sido a regra e não a exceção nesse campo, o que torna o nosso jogo muito perigoso. Apenas tenho dúvidas se o jogo que fazemos deriva do fato de não termos educação suficiente ou se gostamos de apostar para perder e não para ganhar – o que também é uma característica do viciado em jogos de má sorte. O frisson causado pela possibilidade de perder chega a ser muito mais atraente para alguns do que construirmos uma boa estrutura para nós e para o País.

Na semana passada, começou a ser veiculada em rádios e TVs de todo o Brasil, a nova campanha para as loterias da CAIXA, que procura divulgar os “benefícios” advindos do saldo das apostas nos diversos jogos patrocinados por ela. Sinceramente, prefiro a oferta desbragada do “aposte e ganhe!” (enganadora para a massiva maioria dos participantes) do que tentar aliviar a consciência do jogador com o fato de que ele estaria investindo no futuro do País com os chamados “repasses sociais” dos jogos em áreas como o Esporte, Cultura, Educação, Seguridade Social e outras. Fábio Cleto, Vice-Presidente De Fundos de Governo E Loterias da CAIXA, ressalta que “é importante que a população saiba que este é o maior benefício das Loterias da CAIXAé ser um efetivo instrumento de inclusão e justiça social“. Seria como dizer, com um sorriso no canto da boca, que o vício dos cidadãos deve ser estimulado para que possamos beneficiar pessoas que, de outra forma, não consentiríamos em ajudar. E que, além disso, o Governo, sem essa opção, não conseguiria (ou não teria interesse) fazê-lo com a exorbitante arrecadação auferida com os impostos pagos por todos nós.

Desculpem-me, mas eu vou ali vomitar só um pouquinho…

* Texto de Fevereiro de 2013

Participam do BEDAMariana Gouveia / Lunna Guedes / Suzana Martins / Darlene Regina Roseli Pedroso