Lua De Sangue*

LUA DE SANGUE

Tenho um horário irregular de sono devido à minha atividade profissional. De sábado para domingo, fui dormir às 7h30 e acordei às 13h. Tentei segurar o máximo que pude, mas dei uma fatídica cochilada por meia hora antes de me deitar, o suficiente para me fazer perder o sono. Como a 1h da madrugada ainda não havia encontrado Morfeu, fui ver o céu. E foi ótimo! O espetáculo natural foi lindo e, ainda que tentasse, não consegui registrar devidamente toda a beleza da Lua de Sangue. Durante meia hora fiquei imerso nas pequenas oscilações dos efeitos da sombra avermelhada da Terra sobre o nosso satélite no céu limpo até que as nuvens toldassem a Lua. Logo depois, deitei e dormi profundamente. Por meu turno, acho excelente que em vez de acidentes ou fatos escabrosos, as pessoas voltassem seu olhos e registrassem mais vezes os fenômenos do Universo e da Natureza da qual fazemos parte de maneira quase desprezível, mas o suficiente para estarmos destruindo um planeta inteiro com a nossa sanha inescrupulosa…

* Texto de Maio de 2022, mas que serviria para qualquer época.

Escolhas

Daily writing prompt
Are you a leader or a follower?

A questão não é se somos líderes ou liderados, mas se escolhemos sermos líderes ou liderados (ou seguidores). Há ocasiões em que devemos eleger sermos um ou outro. Razões não faltam. Por exemplo, se você está se iniciando numa profissão, obedecermos aos profissionais mais experientes para aprendermos os macetes da função é o mais inteligente a ser feito. Assim como é mais recomendado nos aprimorarmos continuamente para, em algum momento, estarmos aptos e seguros para liderarmos. Enfim, experiência, além de estudo, é imprescindível.

O DIA DE UMA MÃE

A minha mãe está presente, em mim. Tenho dificuldade de me lembrar exatamente o dia em que ela se foi fisicamente. Foi em 2010. Ou poderia dizer que se eternizou. Mas não estou aqui para falar sobre Dona Madalena. Seria como falar sobre mim. Quero exaltar a mãe mais próxima que eu conheço, a das nossas filhas, a Tânia.

A partir de 1989, com a chegada da Romy, começou a sua jornada mais intensa. Mas a gravidez já foi uma fase complicada. Os seguidos enjoos, dores articulares, pés inchados, se mostrou bastante desafiadora. Ainda assim, a Tânia encarou mais duas gestações. Com a chegada da Ingrid e da Lívia, completou-se o triunvirato de “crianças” de nossa família.

A Tânia é uma mulher múltipla. Ser mãe (também função no sentido que ocupa seu tempo mental) é apenas mais uma entre tantas. Profissional exemplar, aonde chega para assumir um cargo, o encara com maestria. O meu olhar externo, em conversas que temos, vejo que se afigura quase como missionária na saúde pública. Quer fazer a diferença e faz. Antes, no atendimento direto, agora, no setor administrativo, que abrange uma parcela maior da população.

Não apenas profissionalmente, a Tânia mulher também quer se fazer ativa. Está cada vez mais envolvida em atividades que a satisfazem, como a jardinagem, além de estar firme na dieta que aplaca as eventualidades mais difíceis da Menopausa. A saúde pessoal como prioridade. Essa fase apenas toca de leve no relacionamento que ela tem com o próprio corpo que a “ataca” com a variabilidade hormonal pela qual uma mulher normal passa.

Aparentemente, pelos efeitos externos que demonstra, tem superado com galhardia e coragem outra característica sua o presente que é o nosso tempo, também. A família a quer feliz, satisfeita, ao mínimo. Deseja a ela um presente melhor, um futuro mais promissor em termos pessoais. Feliz dia da Tânia!

AMOR INVENTADO

“O teu amor é uma mentira / Que a minha vaidade quer / E o meu, poesia de cego / Você não pode ver” — Cazuza

Eu não acredito em alma gêmea. Ou melhor, não acredito que a nossa vida deva se fundamentar na busca de alguém com a qual venhamos a se identificar a tal ponto que nos dê prazer apenas porque seja igual a nós. Considero que isso seja uma espécie de masturbação. Eu acredito no crescimento mútuo das pessoas pelo embate de ideias, pela diversidade de sentimentos, pela diferença de posturas, pelo confronto de mundos.

Eu acredito tanto nisso que me permito ser o outro, vez ou outra. Cada vez mais… Chamaria isso de compaixão — quando nos colocamos completamente na situação que o outro ser está vivendo. Essa viagem para outro é perigosa, conquanto não tenhamos certeza total de quem sejamos (se é que a tenhamos alguma vez). Enfim, essa transitoriedade deve ser buscada com cuidado para que não nos percamos no caminho.

Podemos de chamar de “Eu Lírico” o empreendimento de ser outros. Eu sugiro que possa ser visto como “eu, rico”. Graças a essa a personalidade lírica, podemos cometer pecados, dentro da escrita, buscar experiências, fazer quase uma peregrinação extracorpórea para construir histórias nas quais viajamos. De vez em quando escrevo me colocando no lugar de alguém que se apaixona ou se permite apaixonar facilmente na caça de outra pessoa que seja alguém com a qual se identifique. Como em “Coração, Mente e Alma”.  

Passo por altos e baixos em minha própria autoavaliação, mas creio que tenha um ponto fulcral, uma linha mestra que me conduz que me permita dizer: “esse sou eu”. E esse ser não consentiria ferir quem quer que fosse ao buscar aventuras para se comprazer em se encontrar, ele mesmo, em outra pessoa. No entanto, aceito igualmente a possibilidade de que o indivíduo acredite que isso seja possível e tente empreender esse encontro.

Liberdade para os amores!

CORAÇÃO, MENTE E ALMA

Há, dentro de mim, uma briga
Momentos em que o meu coração grita
Debate-se dentro do peito
Com o pulmão se atrita
Rebela-se contra os órgãos que abastece de sangue
Autoritário, tenta impor as suas certezas
Rumar contra as correntezas
Chega a sugerir que sonhe a mente
Mente que não aguentará outras aventuras
Que sofrerá com outra aversão
Confia na sua característica demente
A da mente que se engana facilmente
Porque sabe que ela não se exprime
Para além dos sentidos
Aprecia pela visão
Enternece-se pelo som
Subjuga-se pelo toque
Submete-se pelo gosto
É uma mente limitada
Ao mundo que apreende pelas demandas do corpo
Porque é mais simples buscar o sentido de tudo
Pela experiência sensorial?
Onde está a minha consciência,
Que não assume a posição de senhora?
A tentar reencontrar a minha alma perdida
Pelas vidas afora
A cada manhã e aurora
De mim, para mim
Amém…

Foto por Yulia Polyakova em Pexels.com

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Caixa De Fotos

Retirei da minha Caixa De Fotos, registros com os companheiros da espécie Canis, tão especiais que não sabemos se seríamos como somos se não fizessem parte de nossa história. O que sei é que somos melhores por eles e com eles.

2024

Bethânia é daquelas que quando está dentro, quer sair. E quando está fora, quer entrar. Atenta a tudo ao seu redor, orelhas levantadas para captar sons para nós inaudíveis; olhos em direção ao objeto de interesse, ela gosta de latir para o mundo, por puro gosto e direito de expressão.

2023

Lolla Maria é tão pequena quanto possessiva, ela inteira. Sobrevivente de percalços que apenas supomos, antes de seu encontro com a Família Ortega, quando a sua mãe tem que se ausentar, já procura quem estiver em casa para se aproximar e alcançar recompensas.

2022

Bambino, meu neto, vivia entre mulheres que não perdiam a oportunidade de acarinhá-lo a todo momento. Quando estava comigo, não queria outra coisa senão cafunés e passa mãos.

2013

Esse amor chama-se também Penélope. Enquanto esteve fisicamente presente, só despertou os melhores sentimentos em todos os seres que a rodearam. Como uma estrela, em torno de si agregava amigos-planetas. Não sei quando deixou de estar entre nós, porque nunca percebemos que nos deixou.

2012

Essa é Dominique. Ela entendia o que eu falava e tinha como principal talento responder com os olhos. Expressivos e belos, quando chegou a nós, estava sem metade dos pelos, pintava de verde, para a diversão de brutos. É outro ser especial que fez nossa existência mais rica.