“Filho, nem sempre as coisas são o que parecem ser… É a Terra que está a dar uma volta sobre si mesma, enquanto viaja no espaço em torno do Sol. E ele é apenas uma estrelinha entre milhões de outras na Via Láctea, em torno das quais giram outros tantos planetas como o nosso. E a nossa galáxia é apenas mais uma entre milhões de outras, neste canto deste Universo… Sendo assim, somos muito pequenininhos…”.
“Pôxa, paê, isso eu sei… Sou o menor da escola…”.
*Texto de Julho 2016
Comestíveis
Bananas ao Sol invernal na manhã desta terça-feira de feira. Estão, a manhã e as bananas, lindamente vestidas de amarelo comestível…
Serei apenas eu que viajo em alguns conjuntos de palavras que são de uso comum, mas são ao mesmo tempo portadoras de estranha magia?
Outro dia, ouvia declarações dadas pelo diretor do Departamento de Trânsito sobre a paralisação de parte dos semáforos de São Paulo, após as chuvas intensas de final de Julho e início de Agosto. Expunham dados técnicos tanto para explicar os que paravam de funcionar totalmente como para os que entravam no modo “amarelo piscante”. Pronto! Bastou ouvir aquela locução para eu começar a variar.
A cor amarela a piscar sincopadamente, como se fosse o sol da aurora ou fim de tarde, a transformar o mundo todo em uma imensa boate. Aliás, que mágica a palavra: “boate”!… Gosto de proibido quando adolescente, tanto quanto as palavras “proibido” e “adolescente” são incríveis. Menino, ansiava por ser adolescente. Todos sabemos o quanto estar nessa fase é quase mortal para quase todos… e mortal para outros poucos. Sobrevivi, mas não sem traumas – que linda palavra: “trauma”.
No mesmo noticiário, as novas-antigas sobre o trânsito diziam respeito aos engarrafamentos do dia. Oh… Que feitiçaria transformou o ato de encher garrafas – palavra sensacional – em episódio de afunilamento (ah… funil!) de tráfego? E os temíveis engavetamentos? Acidentes em que imagino carros a serem dispostos em gavetas gigantes, guardados para sempre…
Da mesma maneira, locuções antigas como “bater um fio” ou o até hoje popular “cair a ficha”, remontam, os dois, aos antigos telefones fixos com fio privados e públicos. Apesar do desuso deste último recurso, “cair a ficha” comunica uma ideia óbvia para a maioria das pessoas. Quando no início indicava apenas que houvera contato com o outro lado da linha… Ah!… “Linha”!
E há a importante “ponta firme”, o estranho “zero bala” e o acintoso “viral”. Aliás, discorrerei especialmente sobre o derivativo “viral” na próxima crônica. Quando nos encantamos com as palavras, torna-se difícil não parar de viajar (ah, que lindo é “viajar”!) a cada vez que as utilizamos para a construção de um texto.
Aliás, “palavra”, “verbo” formam uma sinonímia perfeita para objetivar o surgimento da vida… Ah, “vida”…