Louca De Amor

A louca de amor
explode em fogo e paixão…
A sua alma fulgura
sob a pálida pele,
em retesar de músculos,
em irradiação do plexo,
em espalmar de membros e terminações…

Dos seus braços saem estradas 
para a perdição, 
apontadas por seus dedos anelados 
por bijuterias baratas…
Dos seus cabelos caem estrasses
da última apresentação…
De sua boca e língua 
recebo beijos em mim,
em partes de mim, 
para além de mim,
em meu ânima…

Enquanto o seu peito arfa,
de seus olhos borrados de rímel
irrompe o sol
a iluminar o quarto escuro…
Por suas pernas desço 
até às estrelas, 
de onde subo rumo a um caminho 
sem volta,
enquanto o planeta revoluciona…

Foto por G1 / Globo

BEDA / Corpo Matutino

Noite de calor, manhã morna
Dormimos sem tirarmos os nossos fluidos
Os seus do meu, os meus do seu corpo
Acordo para a labuta
E antes de sair percorro os meus olhos
Pela pele que lhe recobre
Tento compreender a magia que faz
Com que me traga tantos e imensos prazeres
Mesmo depois de tantos anos a percorrê-la
Com a minha boca, mãos e pontas dos dedos
A penetrá-la com a minha impetuosidade
Saio do quarto sem beijá-la, sem tocá-la
Quase fujo
Para cumprir os compromissos do dia…

Foto por Angela Roma em Pexels.com

Participam do BEDA: Lunna Guedes / Roseli Pedroso / Darlene Regina / Mariana Gouveia / Suzana Martins

BEDA / Pássaro

Se pintasse a sua boca
de carmim, de rosa
ou de transparência pela saliva
plantaria beijos-flores,
beijos-de-sal-e-pimenta

Deitaria a minha cabeça em seu peito
beberia do leite imaginário
feito um menino-homem que deseja
saciar sua sede de prazer

Sentiria meu corpo crepitar feito lenha
na fogueira que nos queima
de paixão no inverno
moraria entre os troncos
de suas pernas-árvores.

Colocaria a minha boca no ninho fendido
doce, aquoso de querência úmida
encetaria a minha língua
por seus descaminhos.

Voaria com o meu pássaro
de cabeça altiva para dentro
desse mundo novo
fulgor de estrela que nasce
em explosão cósmica…

Foto por funda izgi em Pexels.com

Participam do BEDA: Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Suzana Martins / Darlene Regina

Junhos

Junho de juras
de amor e muita lenha
para queimar…
O que aquece a alma
é o calor do corpo abraçado,
o desejo de respirar-cheirar
a pele incensada pelos pelos eriçados,
a boca molhada de essências…
Mas que se conheça os olhos…
Sexo sem história
é como teta sem coração,
clitóris sem vibração,
pênis sem pulsação,
beijo sem memória,
gozo sem emoção…

Metalinguagem

Não pise na metalinguagem
Flutue nela
Não suba na árvore da prosódia
A abrace
Não se desvie das ideias
As vista
Não passeie pelos objetos diretos
Os concretize
Não circule pelas temáticas
As atravesse
Não se incline ao entendimento
O seduza
Não projete os seus parágrafos
Os viva
Não caminhe pela transversalidade
O verseje
Não se apoie na leitura
A compreenda
Não creia na ortografia
A ame
Não se circunscreva à parábola
A amplie
Não atinja a compreensão
A saiba
Não use pleonasmos
Os sinta
Não estabeleça a fluidez
A Navegue
Não aposte na realidade
A sonhe
Não espere a palavra
Se dê a ela
Não escreva
Se escreva
Não desafie a boca
Use a língua
Não esqueça do riso
Arme o circo
Não nade no nada
Toque o fundo
Não dialogue com o fim
O conclua.