BEDA / Scenarium/ No Mundo De 2020

2020

“Soylent Green, que no Brasil foi chamado de No Mundo De 2020 e, em Portugal, de À Beira Do Fim, é um filme estadunidense de 1973, dirigido por Richard Fleischer e estrelado por Charlton Heston, Leigh Taylor-Young e Edward G. Robinson. Vagamente baseado no romance de ficção científica de 1966 Make Room! Make Room!, por Harry Harrison, que combina dois gêneros – policial-processual e ficção científica – trata-se da investigação sobre o assassinato de um homem de negócios rico. Em um planeta Terra com oceanos em extinção e alta umidade durante todo o ano, devido ao efeito estufa, resulta em poluição, pobreza, superpopulação, eutanásia e recursos naturais esgotados.

No ano de 2022, a cidade de Nova Iorque conta 40 milhões de habitantes. Para alimentar as inúmeras pessoas pobres e desempregadas, existem tabletes verdes chamados de Soylent Green, produzidos inicialmente através da industrialização de algas. Somente os ricos tem acesso a comidas raras, como carnes, frutas e legumes.

Quando um rico empresário das indústrias Soylent Corporation é assassinado em seu luxuoso apartamento, o detetive policial Robert Thorn começa a investigar. Ele de imediato suspeita do guarda-costas do empresário, que alega ter saído na hora do crime. Após interrogá-lo, Thorn vai ao apartamento do empresário e encontra indícios suspeitos, como uma colher com restos do caríssimo morango. Enquanto Thorn persegue o guarda-costas, seu idoso parceiro, Sol, começa a investigar os registros e papéis do empresário morto. Acaba por descobrir uma verdade estarrecedora sobre o tal tablete verde…” (Adaptado do Wikipédia).

Garotos, eu e meu irmão assistíamos em nossa TV preto e branco a filmes de todos os tipos. Os de ficção científica eram os nossos favoritos. Pessoalmente, comecei a gostar também de assistir a filmes europeus, musicais e noirs americanos. No Mundo De 2020, eu e o Humberto vimos juntos. Foi ele que chamou a minha atenção sobre o tema similar, quando o Capitão desdenhou do Covid-19, além de realçar que 90% dos abatidos pela doença seriam cidadãos acima de 60 anos, quase como a dizer que constituíam uma população “descartável”.

O personagem de Edward G. Robinson, emblematicamente em seu último papel antes de morrer, deseja se despedir dignamente da vida e adere a um programa de incentivo a eutanásia de maneira confortável e indolor enquanto revive em imagens cenas do belo mundo natural que existia antes de se tornar quase inabitável por conta do estilo de vida humano autodestrutivo que o levou ao caos.

Fica difícil cotejar o assunto do filme com a questão de os velhos serem considerados, em conjunto, um peso morto, normalmente usuários de programas assistenciais ou aposentadorias “dispendiosas” sem dar spoiler . Não o farei. O que o Capitão vocalizou, de alguma maneira, faz parte do pensamento de muitos que o elegeram. Ainda que muitos sejam igualmente velhos, que segundo discriminou, são pessoas de 60 anos ou mais. Como o dito cujo tem 65, talvez fosse ocaso dele mesmo pensar em se despedir dignamente da função que exerce por falta de condições em conduzir a administração do País.

Na pesquisa que fiz para rememorar os dados do filme sem parecer distante da mensagem que passa, acabei por encontrar várias informações interessantes. A realidade que mostra, de certa maneira, é o padrão da vida real de boa parte da população mundial – poluição, saneamento básico precário (“acostumada a nadar no esgoto”), escassez alimentar, precariedade de moradia, violência e superpopulação. Enquanto uma outra pequena parcela usufrui de uma estrutura impensável para quem está acostumado a se equilibrar entre a vida e a morte cotidianamente.

A chegada do Covid-19 parece tema de filme distópico, atingindo a todos de forma espraiada-generalizada. Porém nos Estados Unidos ela mostra a sua faceta mais grave ao avançar sobre as populações mais pobres, mormente constituídas por hispânicos e afrodescendentes. Muitos não têm planos particulares e não podem ser atendidos como ocorre no sistema de saúde brasileiro – representado pelo SUS – apesar da precariedade por causa dos escassos recursos muitas vezes desviados ou mal utilizados.

O Mundo De 2020 chegou, em muitos dos aspectos mostrados na produção de 1973, no mundo de 2020. Quando garoto, me assustei com as possibilidades tenebrosas que demonstrariam a tendência autofágica do homem moderno. Desde cedo, percebi o quanto caminhamos, por causa do sistema hegemônico que adotamos no planeta, para um estado irreversível de pobreza material de grande parte da população e de pobreza espiritual da parte que abocanha a maior porção dos recursos da Terra. Porque uns não abririam mão do poder que detêm, enquanto despossuídos almejam alcançar o mesmo poder, “decrescer” é um objetivo inalcançável nesta geração. Tenho por mim que se não desacelerarmos conscientemente, certamente seremos forçados a parar…

 

Beda Scenarium

 

Informações e análises adicionais em:
https://medium.com/ver-mais-text%C3%A3o/no-mundo-de-2020-909f3befcee5

BEDA / Scenarium / Invisível

Invisível

Domingo de Ramos. A minha mãe adorava essa comemoração cristã. Um forasteiro com o nome de Jesus foi recebido pelos simples de coração com o acenar de ramos de palmeiras ao entrar pela porta dourada de Jerusalém. Sua chegada marcou a instauração de uma futura mudança na História do mundo. Hoje é um domingo que espero que traga melhores noticias do que estamos a ouvir e a ver nos domingos sequenciais que vivemos atualmente. Nestes tempos, o assunto principal envolve outro “ser” que adentrou em nossa História para talvez mudar definitivamente nossas relações para além da superficialidade anterior.

Vindo do latim, vírus significa “fluído venenoso ou toxina”. Aos nossos olhos, esse “ser” é invisível. Na realidade, basicamente trata-se de uma cápsula proteica envolvendo o material genético – DNA, RNA ou os dois juntos – que necessita de seres mais complexos para seu desenvolvimento. O que conhecemos como infecção, pelo viés do vírus poderia se chamar de vida, com o mandamento bíblico a lhe chancelar: “crescei e multiplicai”. Sua reprodução descontrolada, a depender da condição do sistema imunológico, levará o hospedeiro à morte, a não ser que seja cessada a sua atuação. No caso do novo corona vírus, a proteína identificada como ACE2 se liga ao nosso sistema replicador celular e começa a comandá-lo, já com a sua “identidade”, ganhando cada vez mais território. Parece até que falamos do Homem em relação à Terra…

A chamada guerra contra um “inimigo invisível” só é em parte verdade. Há quem precise de provas visíveis para a ameaça seja considerada concreta. Nesse caso, uma pilha de corpos com exames comprovatórios de que o novo coronavírus seja o agente infectante a provocar o Covid-19 – o nome da doença. O problema é que na rede pública os testes realizados nas vítimas têm demorado cerca de dez dias para que saia um resultado. Enquanto em dois ou três dias já são disponibilizados na rede particular. A discrepância entre as duas contagens poderá levar os mais simples a crer que seja uma doença de ricos, como se apregoava no começo da pandemia. Deveriam saber que os hospitais de campanha montados de última hora não estão sendo erguidos para os que conseguem vagas nos melhores leitos.

O inimigo contagiante não respeitou a melhor estrutura de saúde de países europeus ou Estados Unidos. Enquanto caminhava para o seu pico, fez com que o sistema de atendimento entrasse em colapso. Imagens de caixões colocados lado a lado se afiguravam a de filmes de ficção com enredo apocalíptico. Como o mal está no ar que respiramos, o drama está quase a apresentar toda a sua força em nosso cotidiano. Contudo, as pessoas ainda estão a desacreditar. Até que um vizinho, depois outro; um conhecido, depois outro; o esposo, a mãe, um tio querido de um amigo; a avó ou a babá que o criou venham a sucumbir à doença. Só então, o sobrevivente crerá no mal invisível. Nem mesmo a voz do capitão da nau insensata, a proclamar que tudo não passa de alarme catastrofista de inimigos e o distanciamento social é ineficiente e prejudicial a economia, bastará para evitar que haja uma convulsão na sociedade quando tudo degringolar.

Ivan Lessa, um cronista paulistano, escreveu há anos: “Três entre quatro políticos não sabem que país é este. O quarto acha que é a Suíça” e “A cada 15 anos, o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos”. Comungo com ele dessas convicções. O político, ainda que saiba de nossas péssimas condições de saneamento básico e sistema de saúde precário, usa como régua a vida que leva ao ser eleito. A mordomia o desloca do Brasil real para o ideal. Para reeleger-se, usa da péssima memória do eleitor para voltar ao poder ainda que tenha renegado suas origens. Ou conta com assessores e marqueteiros para maquiarem possíveis arranhões em sua reputação. Esses magos conseguem transformar erros em predicados, mudanças de tática em flexibilidade, teimosia em força de caráter.

A esperança é que a pandemia de Covid-19 venha a separar o joio do trigo. Que saibamos perceber quando um servidor público – é disso que se trata afinal um político eleito – age por interesse próprio ou a favor de um grupo de uns poucos em detrimento à população que representa. Que tenha a grandeza de tomar atitudes graves, mas necessárias. Que se coloque a disposição do povo não para atacar inimigos ocultos, porém para defender os bons propósitos da República que comanda como executivo e da Democracia que o elegeu e jurou defender. Queria que assim fosse, ainda que continue a reverberar em minha mente a frase de Ivan Lessa, lido quando era bem moço e bastante crédulo do belo futuro alardeado a época para meu país – pátria amada, Brasil!

Beda Scenarium

O Poetinha E A Patriazinha

Em 2015, o desafio poético a que fui chamado no Facebook fez com que eu me colocasse diante de escolhas reducionistas, mas que, ao mesmo tempo, ampliaram a busca por mim mesmo, perdido por rotas antigas, tortuosas, memórias passadas e rotas. Alguns poemas revistos ganharam, em determinados momentos, uma importância inaudita, como este aqui, de Vinícius de Moraes. Em mais uma “Canção do Exílio”, tanto quanto a primeira, de Gonçalves Dias, o “Poetinha” chora pela saudade de sua terra natal, um Brasil que se reinventava-reinventa sempre o mesmo, como drama antigo, de trama tão clássica quanto canhestra. Este tempo que atualmente vivemos é, de certa forma, também um lugar distante. Nele, lembramos do País que não existe mais, e que, o sei muito bem, para o qual, se voltarmos, voltaremos como farsantes…
Ao pesquisar sobre “Pátria Minha”, encontrei esta informação:
“Feito na prensa particular de João Cabral de Melo Neto, em 1949, Pátria Minha é o que então se chamava de plaquete (ou plaqueta). A publicação é feita a partir de um único e longo poema de Vinicius. Amigos desde 1942, quando Vinicius visita Recife com Waldo Frank, os dois funcionários do Itamaraty se correspondiam com frequência nessa época. Era o período em que Vinicius ainda estava em Los Angeles e João Cabral, em Barcelona. Foi a partir do poema enviado para a leitura de João Cabral que ele teve o impulso de fazer os 50 exemplares do poema artesanalmente, na sua prensa e editora caseira conhecida sob o selo O Livro Inconsúntil. O livro foi uma surpresa para Vinicius, com quem Cabral deixou todos os exemplares. Em uma carta escrita em outubro de 1949, o poeta-editor diz em um P.S. para seu amigo carioca que: “Não distribuí o livro a ninguém. Faça-o a vontade. E me mande um com dedicatória”. – In: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/livros/patria-minha
Em Fevereiro de 2015, eu ainda não havia conhecido a Scenarium Plural – Livros Artesanais – selo que carrega o mesmo teor de O Livro Inconsúltil em sua manufatura artesanal – de Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas do País, que nos presenteou ao trazer à luz esta expressão de brasilidade lírica de Vinícius de Moraes. Em meados daquele mesmo ano, Lunna Guedes, escritora-editora, apresentou a oportunidade de me expressar como escritor. Decidi adotar essa função-missão-querer como definição de meu ser social. Com relação ao Brasil, tenho o relacionamento dúbio de amor-e-ódio-torcedor-distorcedor, amante sem ser amado.
Pátria Minha
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

45 Anos Atrasado

45
Em 2013

Em um final de semana de setembro de 2013, fui assistir à peça “Zucco” no Teatro da USP, no edifício da Rua Maria Antônia. A trama era centrada na história real de Roberto Succo, “serial killer” italiano que nos anos 80 matou seus pais, cometeu outros crimes e assassinatos, causou pânico e admiração na Europa e foi considerado inimigo público número um na Itália, França e Suíça. As relações entre o indivíduo e a sociedade, a violência, a solidão e a marginalidade contrastavam com os limites de nossas formas de convívio. Os jovens atores de “Zucco”, talvez não soubessem que a liberdade com que interpretaram seus personagens foi resultado de uma luta de várias gerações.

O prédio que abrigava o teatro foi palco de um acontecimento emblemático de nossa História. Lá, nos Anos 60 sediava o curso de Filosofia, da Universidade de São Paulo, antes de se transferir para o nicho na Cidade Universitária, no prédio que estão estabelecidos os cursos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Foi na rua em frente a esse edifício que se deu uma das mais graves colisões entre a esquerda estudantil, representada por seus alunos e pelos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que fica em frente, à época alinhados com o regime militar. Esse episódio foi mais um dos muitos daquele distante 1968, ano divisor de águas, que veio a influir definitivamente nos rumos que o Brasil trilharia a partir dali.

Mesmo com sete anos de idade, pude sentir de perto os reflexos da luta ideológica travada à vista de muitos e pelos “bastidores” e porões do governo. Meu pai estava alinhado ao lado dos “oprimidos” que tencionavam pegar em armas para combater o “Regime de Exceção”, nome poético para designar um governo que “prendia e arrebentava”. Ele foi várias vezes chamado para “interrogatórios” – eventos que duravam algumas semanas. À época, restava a quem se opusesse, além da revolta armada ou protestos públicos, a outra alternativa que se colocava ao cidadãos do País – “Ame-o Ou Deixe-o”. Desde então, com a Abertura, alcançamos a liberdade de expressão, a volta dos exilados, a reintegração destes à vida política da nação, o que deu ensejo a que muitos fossem eleitos para cargos de comando e…

Atualmente, os caminhos dos “combatentes” de esquerda e os “defensores” da direita se confundem em um jogo de palavras que mais se assemelham a peças de propaganda, sem nenhum embasamento em um saudável embate ideológico que vise a real solução para os problemas nacionais. Antes, transformou-se em uma luta pelo poder que visa quase que unicamente a sustentação de um sistema de compadrio entre os ocupantes dos diversos cargos do executivo, legislativo e judiciário. Nesse ambiente, os extremistas de ambas as vertentes se sentem à vontade para embrenharem-se com prazer na extinção da Democracia, entrave para quem não acredita que ela seja o meio mais justo para chegarmos à solução de nossas diferenças.

Cheguei atrasado ou atrasou-se o País?…

Carpe Diem

Carpe diem

Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

Vindo da decadência do Império Romano, o termo Carpe diem era dito para retratar o “cada um por si”, devido ao Império estar se desfazendo. Naquele momento, a visão de que cada dia poderia ser realmente o último era retratado pela frase que hoje é utilizada como uma coisa boa, porém sua origem vem do desespero da destruição de um grande império antigo. (Fonte: Wikipédia).

Estou para ver o momento que este país caminhará para o modo Carpe diem de viver. O mais triste é que o Brasil apenas passeou pela possibilidade de ser um grande participante, no concerto mundial, como o “País do Futuro”. Deitado eternamente em berço esplêndido, achou por bem destruir seu ninho em nome de um projeto que o levará à sua exterminação.

A explicação poética em relação à bandeira nacional quanto à suas cores – o amarelo do ouro, o verde das matas, o branco da paz e o azul do céu e rios – acaba por se tornar falsa. Não há paz, porém uma guerra civil não declarada em nossa sociedade. Nossas riquezas são roubadas. Nossos rios, mortos sistematicamente, um a um, enquanto nosso céu se tinge de cinza escuro da fumaça produzida pela queima de nossas árvores, encobre a visão das estrelas. Na frase original incompleta na faixa – “Ordem E Progresso” – faltou o “Amor”.

Então, como disse Horácio no século anterior ao nascimento de Cristo – “…carpe diem, quam minimum credula postero”. Ou: “…colha o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã”.