cabeça ombro joelho e pé
joelho e pé
olhos ouvidos boca e nariz
cabeça ombro joelho e pé
crescemos brincamos partes do corpo
se nos são retiradas um a um
e recolocadas pouco a pouco
seres humanos descremos
crescidos decrescemos
nossa consciência corporal de estarmos bem
nos recusam viver
nos acusam pelo prazer
são contra as leis contra o coração
desde sempre retirado de nosso peito
modelos feito bonecos sem emoção
de integridade desintegrada finalmente
jogados no meio da calçada
como objetos descartados lixo último nicho
sem cabeça para ficar…
sem pés para onde ir…
Etiqueta: corpo
#Blogvember / As Algemas
não acredito em almas gêmeas
desdenho de quem queira encontrar iguais em outros
sou pelo confronto de corpos e ideias
de fluxos e refluxos de pensamentos díspares
cresço quando me encaram de frente
batem nos meus preconceitos
reformulam meus preceitos
invadem minhas fortalezas
derrubando minhas defesas
me devorando por dentro enquanto quero comer
estranhas entranhas entranhadas
confesso não percebi o momento de nossas mãos algemadas
fujo quase sempre de entregas sem tréguas
me debato feito peixe que deseja respirar água
mas o que aconteceu conosco me deixou confuso
já não sei quem sou em você e você em mim
beijo a sua boca cor de carmim
e em vezes de palavras evoluo em gemidos
enquanto salivas se bebem bêbados de paixão
abraço seu corpo o meu corpo
invado a mim em si
refuto planos de permanência absoluta
luto enquanto planto a minha bandeira em território invadido
enquanto me incorpora calma e resoluta
anuncio o luto por minha morte renasço melhor
quando digo sim…
Foto por Anna Shvets em Pexels.com
Participam: Suzana Martins / Roseli Pedroso / Mariana Gouveia / Lunna Guedes
#Blogvember / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Meus Rituais
Fiquei, quanto à proposição do tema, tentando encontrar algo que se assemelhasse a uma rotina que pudesse ser chamada de ritual – um cronograma pessoal regular-repetitivo. De fato, há atividades que estabeleço como prioridades, como escrever. Porém, tenho que buscar tempo entre tarefas e atribuições de quem trabalha por conta para me postar de frente para o computador e fazer jorrar minhas ideias transformadas em palavras. Para me sentir estimulado, aceito tarefas sugeridas por Lunna Guedes, editora da Scenarium, como este 6 On 6, inserido na maratona intitulada #Blogvember, que estabelece postagens diárias estimuladas por temas dados.
Ritual de todos os mamíferos, dormir tampouco tem horário e medida. Meu trabalho impõe um cronograma variável, com horários esdrúxulos. Tanto poderei estar acordando ou dormindo às 6h da manhã. Com o avanço da idade, o tempo em que passo dormindo diminuiu. Morfeu tem me abandonado antes do tempo conveniente e cinco ou, no máximo, seis horas tem sido o meu limite de dormida. Após o que continuar na cama fica quase impossível, com o meu corpo se sentindo incomodado na posição horizontal.
Ler é algo que faço ritualisticamente sem regra e sequência. Tanto posso enveredar pela leitura de um livro num fôlego só, como intervalar dias sem conseguir pegar no velho e bom formato das páginas em papel. Não deixo de ler, ainda que o faça pelo celular ou pelo computador, Muitas vezes, nos intervalos de atividades, nos locais de trabalho e em trânsito, na Tigresa – nossa Kombi de carga –, em ônibus ou Metrô.
Outro ritual mambembe que tento manter é o de assistir televisão. Gosto de acompanhar jogos de Futebol (o nosso e o Americano), Basquetebol, Voleibol, entre outros esportes. Busco ver filmes e séries, bem como musicais, mas com a mesma sazonalidade irregular de quem fica pescando momentos livres durante o dia. Contribui para a intermitência o uso de outros sistemas de transmissão da programação, como os aparelhos móveis.
Um ritual do qual sinto falta e que tem a ver com a minha infância é o de tomar um café da manhã em horários razoavelmente fixos. Desde pequenos, Dona Madalena nos acordava com cafés que só ela sabia fazer. Até os meus seis anos, mais ou menos, ela me dava na mamadeira, misturado ao leite. Depois eu soube que esse era um expediente de mamãe para fazer render o pouco leite, um tanto caro para os nossos padrões à época. Resta continuar a tomar café em horas dispersas – um cerimonial à memória e ao vício.
Um ritual que estabeleci e que cresceu com a chegada da Pandemia de Covid-19, foi o de caminhar percursos de pelo menos de 4 a 5km por dia. Acabou por gerar parte das crônicas de “Curso de Rio, Caminho do Mar”, meu livro mais recente, além de produzir imagens que constantemente publico. Segundo o meu marcador de passos, caminho em média de 8 a 9Km. Há dias que vou a 16Km e, em uma oportunidade, cheguei a 21Km. Todas as tarefas possíveis, como ir até o supermercado, farmácia ou padaria, as faço como pedestre. Não deixo de caminhar longamente principalmente quando vou ao Centro ou à Paulista. Contribui igualmente para as minhas marcas, o deslocamento para a montagem de equipamentos em salões ou buffets. Mas nos dias que não trabalho, mantenho a rotina de caminhadas. A novidade é que, a partir do início da próxima semana, voltarei à academia para completar com exercícios físicos localizados a minha rotina de atividade corporal. É um ritual do qual sinto falta – incluindo as dores musculares – ainda que tentasse compensar com uma rotina precária em casa.
Segunda Foto por Thuanny Gantuss em Pexels.com
Quinta Foto por Jess Bailey Designs em Pexels.com
Participam: Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Suzana Martins
Temporizador*
Com o temporizador do aparelho celular, me fotografei e ao meu redor. Como contemporizar o Tempo com o corpo e a mente? Como, quando muitas vezes a mente voa para além e o seu corpo começa a sentir o peso dos anos, retardando o seu passo? Como temporizar a dor, para que saibamos o seu tempo e lugar? Como continuar, quando em tantas oportunidades, devemos priorizar o compromisso marcado no tempo para depois apostarmos no dia em que teremos tempo para estarmos juntos de quem amamos? Ao final de tudo, creio que haja um temporizador universal que adia o tempo fatal para o nosso corpo, enquanto eterniza o nosso espírito – ele se chama Amor…
*Texto de 2014
BEDA / Anti-Sinais

sinais são importantes
a eles devemos ficar
atentos
caetano
perguntado se respeitava sinais disse
claro
são sinais
pergunto
por que queremos desrespeitar
o que nos sinalizam?
propaganda de cremes anunciam
serem anti-sinais
como se quiséssemos
apagar
a nossa trajetória
aos meus 14
uma senhora disse para seu filho
no ônibus
deixa o moço passar
fiquei espantado
eu me tornara um moço
barba branca no rosto
atendentes me chamam
de moço
sei que é uma maneira
de afagar a vaidade
estratégia de recepção ao cliente
mas o meu espanto persiste
sou velho demais
para ser chamado
de moço
cabelo rareado
redemoinho falhado
para suavizar discrepâncias
raspo a cabeça
cheia de mentais
reentrâncias
reafirmo a queda inevitável
palavras caducam?
tenho evitado escrever algumas…
sempre
e
nunca
tenho as considerado definitivas demais
aliás
tenho tentado evitar também
demais
aliás
também
e aliás
e sempre
é logo mais
o nunca
nunca mais
porque viver nos ensina que marcar
coisas como definitivas
não pertence
ao nosso mundo
imediatista
impermanente
se me contradigo aqui
é por falta de opção
como não há opção
para a morte do corpo
como sei que a energia
é infinita
enquanto este universo existir…
Foto por SHVETS production em Pexels.com
Participam do BEDA: Suzana Martins / Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Darlene Regina








