“Filho, nem sempre as coisas são o que parecem ser… É a Terra que está a dar uma volta sobre si mesma, enquanto viaja no espaço em torno do Sol, em torno do qual giram outros tantos planetas como o nosso. E o Sol é apenas mais uma estrelinha entre milhões de outras na Via Láctea, uma galáxia. E a nossa galáxia é apenas mais uma entre milhões de outras, neste canto do Universo, que também parece estar se expandindo… Sendo assim, somos muito pequenininhos…”.
Ouviste, certa vez, o chamado atávico e o teu corpo
Transformaste em instrumento de vida, dos pés ao metacarpo
Resultado de encontros de vultos de épocas anteriores
Estavas preparada para aceitares a vocação de sonhadores
Os teus pés, adaptados para saltar, além de caminhar
Deslizavam, além de se mover, comoviam, quando te viam transpirar
Transpôs o óbvio com os teus passos construídos de dor
Quando tinha que comer, viveu apenas de ar e bebeu apenas suor
Segurou o ar, quando tinha que se expressar, calou a palavra
Para emudecer, de emoção, uma multidão, com a arte de tua lavra
Leoa com andar de serpente, és um monstro, uma quimera
Quem pensa que te conquista, em verdade não considera
Que é consumido pelo fogo da qual és filha, mãe e senhora
Concedes a atenção obsequiosa de quem és servil portadora
Da graça suprema de seduzir e encantar, de prometer o Paraíso
Ao alcance do olhar, de sereia que faz o navegador perder o juízo
Vives na terra, apesar de viajar pelo amplo, para além, para o espaço
E fulguras, diminuta figura com as asas de Ísis, a voar para além do chão escasso…
Ouviste certa vez o chamado atávico e o teu corpo
Transformaste em instrumento de vida dos pés ao metacarpo
Resultado de encontros de vultos de épocas anteriores
Estavas preparada para aceitares a vocação de sonhadores
Os teus pés, adaptados para saltar, além de caminhar
Deslizavam, além de se mover, comoviam, quando te viam transpirar
Transpôs o óbvio com os teus passos construídos de dor
Quando tinha que comer, viveu apenas de ar e bebeu apenas suor
Segurou o ar quando tinha que se expressar, calou a palavra
Para emudecer de emoção uma multidão com a arte de tua lavra
Leoa com andar de serpente, és um monstro, uma quimera
Quem pensa que a conquista, em verdade não considera
Que é consumido pelo fogo da qual é filha, mãe e senhora
Concedes a atenção obsequiosa de quem é servil portadora
Da graça suprema de seduzir e encantar, de prometer o Paraíso
Ao alcance do olhar, de sereia que faz o navegador perder o juízo
Mas vives na terra, apesar de viajar pelo amplo, para além, para o espaço
E fulguras, diminuta figura com as asas de Ísis, a voar para além do chão escasso.
As manhãs normalmente demarcam o início dos dias para a maioria dos seres. Os meus dias tanto poderão começar à tarde ou à noite, como terminarem quando quase todos estão a despertar. Nessas manhãs indeterminadas, posso estar a dormir após uma longa jornada de trabalho, como estar em trânsito para mais um evento madrugador ou, ainda, a voltar de um. Isso, quando não costuro os pés de um dia nas orelhas de outro, a constituir um existir anómalo.
Fechado em casulos, a minha atividade muitas vezes não me permite ver o sol ou a chuva, sentir o calor ou o frio vindo do exterior. Passageiro transitório das horas, vivo sob o foco de luzes artificiais. Justamente eu, que ama a Natureza e que admira a demonstração de sua energia criadora.
Quando em casa, invariavelmente, leio ou escrevo, faxino ou cozinho – atividades caseiras que estranhamente me inspiram ideias para os meus textos. Se for fazer algo fora, transito por ônibus ou trens de Metrô por Sampa. Como não dirijo, por carro, sou apenas um carona. As seis fotos a seguir, tentam localizar visualmente minhas manhãs mais comuns…
Janelas para o Largo de São Bento, na Rua Florência de Abreu.
Quando estou de folga, tento aproveitar o dia desde cedo. Uma das coisas que mais gosto de fazer é caminhar pela cidade. Eu simplesmente me “perco em lembranças” de uma época que não vivi. Como um arqueólogo de uma civilização ainda viva, apesar de mostrar as veias abertas de sua transformação, percorro suas ruas sendo um com a cidade – moribunda em uma das suas faces, enquanto se reconstrói em outra.
Serra do Mar
Quando faço eventos em outras cidades, muitas vezes, tenho que me deslocar mais cedo para chegar ao destino a tempo de montar o “circo”. Como carona, tenho a possibilidade de ter contato visual mais cuidadoso com as paisagens que se sucedem. Rios, serras, florestas, campos, e horizontes – luzes transformadas em vida.
Espaço deslizante…
Eu sou passageiro (quem, não é?) e nos coletivos a paisagem também é humana. Fico entretido a observar pessoas que comungam o mesmo espaço deslizante pelos asfaltos da metrópole. Antes do advento das redes sociais, os passageiros se mostravam mais interessantes. Ouvia diálogos inusitados sobre todos os tipos de situações e casos. Garimpava hábitos e rostos diferentes. Episódios cada vez mais raros, quando duas ou mais pessoas se reúnem em uma conversa, lá estou…
Limpar a mente…
Uma das coisas que mais gosto de fazer são as tarefas caseiras. Nesses exercícios quase mecânicos, consigo me abstrair de preocupações para me ater às ocupações. Varrer o quintal, então, é um deleite. Os movimentos contínuos, a buscar restos, juntá-los, para desobstruir os caminhos, limpar a mente. Em meu quintal, por exemplo, consigo conjugar essa ação com os ciclos naturais das árvores frutíferas aqui de casa. Através disso, nascimento, crescimento, frutificação, amadurecimento, morte e renascimento se descortinam diante de mim.
A beleza pode ser enganadora…
Todas as terças, é dia de feira livre aqui na minha região. Eu aprendi com a minha mãe, desde menino, escolher e adquirir frutas, legumes e hortaliças, além de outros produtos. Consigo perceber a qualidade de acordo com alguns indicativos fáceis de serem observados. Porém, outros beiram a pura intuição. É comum a beleza ser enganadora com relação ao sabor. Consistência tem muito mais valor.
O meu dia só começa quando tomo o primeiro gole de café.
As minhas manhãs começam, não importa a hora, quando me sirvo de café. O seu gosto me remete à infância. À família que lutava com dificuldades para manter-se unida e funcional. Às manhãs que se iniciavam às 4h30, em plena madrugada, para irmos para a escola longínqua. À minha mãe, que me “cafeinou” com mamadeiras com leite para que eu conseguisse despertar. Seja qual seja a hora, o meu dia só começa com cheiro e o sabor do primeiro gole de café.