BEDA / Elocubrações

Tenho por mal hábito discorrer sobre tudo e nada. Produzo elocubrações confusas e rasas, em muitas oportunidades. Em outras, viajo para fora do contexto ou acerto sem querer em coisas mais profundas e interessantes. Feito um pescador, tenho recolhido antigas publicações antes que sejam deletadas pelos seres invisíveis do Senhor Algoritmo ou seja lá quem for quem comande a Rede. Na época de BEDA, na falta de ideias novas, essas recordações vem bem a calhar.

PRISIONEIROS (2016)

Quem está solto? Quem está preso?…
As calopsitas passeiam pela gaiola a se sentirem seguras, mesmo com a aproximação de um suposto predador. As plantas do jardim estão cercadas para que elas não sejam prejudicadas por invasores. Da mesma forma, nós nos imaginamos protegidos por grades nas janelas, portas e portões de ferro… O que diferencia uns prisioneiros de outros? O que é liberdade?…

LUNAR (2016)

Pode ser a última Lua
A última vez que atua…
Pode ser a sua última noite…
A derradeira hora do açoite…
O último abraço e o colo quente…
O último suspiro e o beijo ardente…
A última chance de perdoar…
A última oportunidade de amar…

PRINCESA ISABEL (2011)*

Vista da Praça Princesa Isabel, onde vemos o Duque de Caxias estacionado com o seu cavalo e seu braço em riste com uma espada, para sempre. À esquerda, abaixo, um catador de papel, figura onipresente na região e, mais ao longe, no horizonte, Cristo, no topo do prédio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, observa o domingo na Cracolândia. Bem ao fundo, temos o perfil da Serra da Cantareira — Em registro fotográfico de Março de 2009.

*Atualmente, a Praça Princesa Isabel está cercada por todo o seu perímetro por grades. Meses antes, estava ocupada por um acampamento de pessoas em situação de rua, viciados e traficantes de drogas, num amálgama que demonstra a evidente falha em solucionar as contradições do Sistema.

Participam: Danielle SV / Suzana Martins / Lucas Armelim / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Alê Helga / Dose de Poesia / Claudia Leonardi / Roseli Pedroso

BEDA / Barreiras Do Tempo

Entrada obstruída da Faculdade de Medicina da USP, em 2014.

O que alguns poderiam interpretar como uma sobreposição de grades em uma entrada obstruída, como se fora um arqueólogo eu encontro vestígios de estilos de vida de priscas eras. O gradil de fora representaria um tempo que bastava um muro ou um portão baixo para delimitar uma área e restringir a entrada de alguém. Servia mais como um efeito mental de limitação de uma área e era regularmente respeitada. O gradil de dentro representa um tempo em que as barreiras físicas tem que parecer inexpugnáveis e, mesmo assim, não bastam…

Participam do BEDA: Mariana Gouveia / Darlene Regina / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Suzana Martins