O TEMPO

falamos tanto sobre o tempo
presente passado futuro
tento viver apenas no presente
o único tempo que realmente existe
não é o tempo que passa por nós
mas sim nós que passamos por ele
ao mesmo tempo que seja uma ilusão que não passa
é uma ideia de que possamos viajar por ele
a não ser mentalmente
o que fica registrado é prova de que?
de mensagens de corpo presente talvez
mas as provas de sua existência se dão no presente
e do futuro podemos não ter provas
sem que o presente se apresente dali a pouco
tudo é presente ainda que venhamos a viver de passado
ou a imaginar o futuro
talvez seja a prova de que vivemos de imaginação
somos seres sonhadores
e do destino não somos senhores
apenas aparecemos como joguetes de movimentos cósmicos
sem metas ou intenções
sugerimos que estamos no comando quando nada é possível
de ser controlado o caminho é insondável
mas o mistério é senhor de tudo e de todos
que vivamos em busca do bem porque se não conseguimos
melhorar o mundo melhoramos nossa passagem
pelo tempo
até vivermos outros presentes em outros tempos…

Foto por Cu0103tu0103lin Todosia em Pexels.com

25 / 11 / 2025 / Blogvember / Os Pingos Escorrem Pelas Vidraças

… e fico entre escolher escrever palavras casuais ou limpar a nebulosidade
e descerrar a paisagem que já conheço de sobra
prefiro manter a expectativa de que por traz da cortina úmida haja algo novo
um horizonte diferente ampliado profundo em dimensão
um mundo recém descoberto uma ideia de de que os objetos se dissipam
que a realidade se desintegre em muitas outras realidades
queremos ver a novidade de ser de estar de revelar que tudo pode ser melhor
por trás das vidraças nebuladas o estranho e o estranhamento de estarmos vivos
negligenciados pela estupidez humana
encontrar o segredo da vida na imaginação que alcança a verdade…

Participação: Lunna Guedes

16 / 04 / 2025 / BEDA / Concretismo*

Quando vejo qualquer imagem, ouço qualquer palavra, experimento qualquer sabor, cheiro qualquer olor ou aprisiono em minhas mãos qualquer objeto, desenho na parede da minha imaginação a linha reta que desvirtua a realidade, aperfeiçoando-a ou a decupando. Traço o meu caminho colocando cada pedra devidamente plana em direção ao abismo. Homenageio o poeta que não sou e não serei, erijo a porta que não ultrapassarei. Existo e hesito em reconhecê-lo. No entanto, a expressão do que sinto insiste em se fazer presente, mesmo que seja o sol da manhã emparedado. Esta é a minha singela homenagem a Décio Pignatari, que ajudou a despertar em mim, com a sua obra, o gosto pela brincadeira de escrever.

*Texto escrito no dia 02 de Dezembro de 2012, por ocasião do passamento do poeta Décio Pignatari.

04 / 04 / 2025 / “Autas” Horas

Passo em frente dessa borracharia quase todos os dias. “Inteligênte” já teve assento circunflexo, mas caiu em desuso há algum muito tempo. Como se trata de uma loja de consertos e venda de pneus de “automóveis”, supõe-se que o dono quis trocar o termo “altas horas” (nome do programa) por “autas horas” para relacioná-lo o produto em questão. Inteligência divergente ou imaginação demais? Não importa, se o resultado é um maior movimento do negócio. Estamos no Capitalismo que, em se tratando de acerto, não importa errar, mas esperteza ao fazê-lo.