BEDA / Labaredas

não há uma labareda igual a outra…
serpentes dançantes que queimam
a imaginação de quem é água
fulgurantes figuras que se imiscuem
umas às outras em ardência
seus corpos fluidos em travessuras
se devorando em envolvente quentura
são amores flamejantes sem mágoa
que alimentam o seu fogo
com crepitantes achas de lenha
enquanto o oxigênio silenciosamente
entrega a sua alma à extinção
os acordes de estalidos e pausas
marcam a canção da última dança
antes que tudo termine em cinzas
mas qual destino melhor
do que morrer consumidas de amor?

Poema participante do BEDA: Blog Every Day August

Denise Gals Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Bob F / Suzana Martins Cláudia Leonardi

BEDA / É Pau, É Pedra

PAU
Tronco de meu limoeiro-rosa, que morreu depois de 30 anos

Por vezes, eu me sinto como uma pedra, que colhida da terra, moldada pelo fogo, é arremessada em direção à água pela mão do Destino. No arco que descrevo no ar, sinto contra mim o vento que acaricia o meu contorno áspero e, assim, sinto o prazer fátuo de ser livre para cair. Quando finalmente encontro a água, produzo círculos concêntricos, que serão a minha obra suprema na vida, tanto quanto efêmera. Aos poucos, as linhas cada vez mais tênues que se ampliam e desaparecem, o suficiente para ser testemunhadas por poucos. Logo, a pedra que sou, repousará no fundo do lodo, esperando o momento que será resgatada de volta ao lar estável, para ser novamente lançada ao ar ou realizar outra tarefa. Talvez, nobremente, construir uma casa. Como o pau, que serve de arrimo. Antes, foi planta. Morta, torna-se pau – alavanca ou lenha. Ao final de tudo, tudo o que aprendi é que tudo e todos cumprem os seus ciclos sob a abóboda celestial, sendo uma pedra ou um tronco que se desenraizou.