quando a encontro fico na expectativa de voltar a mergulhar em momentos de entrega e sedução ela confessa que sem mim passeia de pés descalços pelo chão da solidão pede para que eu me deite e vem em minha direção pronta para me abocanhar inteiro ainda que seja apenas uma parte de mim primeiro me deixa com o coração extasiado meu pelo arrepiado transcendo e fico me sentindo sendo mais do que sou torno-me vivo aceso louco de paixão e desejo quando a possuo boca à procura da sua menina enveredo por caminhos quentes vibrantes língua a bebê-la a sentindo plena emoções profundas mas leves como uma pena quando estou com ela permaneço fora do tempo ainda que o meu relógio interno me chame para fora dela porque provavelmente eu me perderia e o meu espírito indeciso de mim se sentiria em perigo de abandonar-me de vez para ir a norte de mim mesmo e, por lá… ficar…
Mariana era uma mulher bonita e rica, devido ao patrimônio herdado do marido morto em acidente de avião. Era conhecida pela benemerência, doando recursos para projetos sociais. Particularmente, ela fazia a sua parte acolhendo moradores em condição de rua. Mas não qualquer um, apenas alguns escolhidos a dedo. Um deles, que chegou para ficar, foi Francisco, que atuava como uma espécie de secretário/faz-tudo nos últimos dez anos.
Mariana mora num dos mais icônicos edifícios da cidade – o Domus. A localização do seu apartamento possibilita que encontre alguns exemplares especiais para a sua coleção de sem-teto. Com passe livre para carregar corredores à dentro do Domus sujeitos desconhecidos, antes tem o cuidado de chegar ao seu prédio, transformados em homens apresentáveis. Promovia tanto um banho diferenciado no corpo quanto de loja, em seus “acolhidos”. Para isso ela tinha uma pequena casa nas imediações da sua residência para a produção.
Estava sempre acompanhada de Francisco, um homem de impressionantes 1,90m, que agia também como guarda-costas de Mariana. Desde que foi levado por ela, se apaixonou pela patroa. A cada homem que trazia para o breve convívio, ele sofria bastante. Mantinha um distanciamento que enganava a quem os conheciam. Mas vez ou outra, na falta de amigos sequenciais com os quais saía, era Francisco que a levava para a cama.
Regino era o nome do novo despossuído trazido para a pré-produção. Um homem negro de olhos verdes que cativaram Mariana num dia de sol inclinado de outono, irradiando faíscas verdejantes no cinza do asfalto. Mal vestia calças rotas e uma camiseta que colava seu abdómen frisado de riscas transversais. Um espécime masculino que pouco se via incluindo as passarelas de Fashion Week de Paris, a qual ela frequentava durante a temporada de desfiles.
Como todas as vezes que encontrava alguém, ela se aproximava com cuidado, perguntando pelo nome e se oferecendo que comesse algo. Normalmente diziam que sim, mas o rapaz de seus presumíveis 25 anos hesitou, olhou para Mariana com um olhar enigmático. A pele escura se confundia com a sombra de onde estava. Após alguns segundos eternos em que ela quase se perdeu no caminho esverdeado, ele respondeu que sim. “Meu nome é Regino, em homenagem à minha avó” – disse – se apresentando. Mariana sorriu e pediu para que ele fosse com ela. Ainda hesitante, Regino se levantou de seu canto junto a cobertura de um bar fechado. Seus movimentos eram semelhantes ao de uma pantera desconfiada. Sequer imaginava o que queria aquela linda mulher com ele. Simplesmente se ergueu e a acompanhou e ao seu amigo. Ela o levou até ao Glacê, Flores e Cozinha, perto de seu apartamento. O dono já estava acostumado com os convidados sempre alternativos que Mariana trazia e indicou para o trio os pratos do dia.
Após se servir da melhor comida que já havia experimentado, ele e os outros dois se dirigiram à casa da transformação. Lá, Mariana guardava roupas de todos os tamanhos para vestir seus novos amigos. Como sempre, ela pedia para que o homem se despisse e entrasse no amplo banheiro para tomar a chuveirada que prazerosamente dava em seus acolhidos. Ela também se desnudava e iniciava o ritual do banho, a começar pela cabeça. Como a do Regino fosse raspada, essa etapa se cumpriu de forma breve. Dava prazer a ela executar com vagar o passeio por sua cabeça, passando pelas orelhas pequenas e o queixo proeminente.
Mariana utilizava uma bucha ensaboada com sabonetes de odores requintados lavando suas costas largas, até começar a deslizar para as suas nádegas firmes e levantadas. Pediu para que Regino se virasse e, ajoelhada, começou a lavar os seus pés com cuidado e carinho. Ela percebeu que Regino estava um tanto tímido, até que passou a massagear a parte interna das suas coxas musculosas de tanto carregar recicláveis em um carrinho improvisado pelas ruas que, durante a conversa no restaurante, disse ser o seu meio de sobrevivência. Logo, o seu pênis se ergueu feito um mastro de bandeira em dia de parada. Ela o lavou como se fosse a joia mais preciosa que havia posto os olhos. Logo, sem demora, começou a passar a língua ao longo do membro do rapaz. A experiência na felação o excitou tanto que ela percebeu que logo gozaria. Compreendeu que ele devia estar há muito tempo sem ter uma relação sexual. Diante da intumescência que deu todo sentido à palavra pau, segundos depois sentiu em seu rosto um banho de esperma quente e abundante. Chegou a achar “fofo” que Regino pedisse desculpas por isso. Ela subiu a bucha para seu peitoral e enquanto o lavava, olhou para cima em direção a sua boca. Ele sorria de forma aberta e tão natural que decidiu beijá-lo.
Mariana estava enamorada de seu recém agregado. Algo que apenas com Francisco aconteceu tão rapidamente. As línguas se envolveram em uma dança frenética a deixando tão excitada que se deitou no piso do banheiro e pediu que ele a penetrasse. Antes disso, ele aproximou a sua boca da vagina cor-de-rosa de Mariana e usou a língua de tal maneira delicada e desenvolta, auxiliado por seus dedos longos e um tanto ásperos, que ela gozou rapidamente. Desta vez, foi ela que inesperadamente expeliu um líquido em jato no rosto de Regino. O que fez com que os dois rissem. A maestria de sua língua continuou a surpreendê-la ao começar a beijar suas mamas como se fosse uma criança ávida de alimento, ainda que de forma calma, como se estivesse absorvendo o leite da vida. Como o seu pênis voltasse a ficar ereto, ele a agarrou pela cintura e facilmente a colocou de quatro, assumindo o comando, ainda que quem controlasse a situação fosse ela. Após dez minutos, Regino voltou a ejacular, banhando as suas costas com o morno líquido esbranquiçado.
Do lado de fora, Francisco ficou incomodado pela demora do banho e chegou a entreabrir a porta do banheiro, percebendo entre a névoa densa, os movimentos do casal. Ele se sentiu enciumado como nunca. Regino tinha uma energia diferente e porte de príncipe, apesar de sua condição precária. Banho tomado, Mariana estava exultante com a sua nova conquista e já fazia planos para Regino percebendo que a sua altura, postura e perfil esguio poderia levá-lo para bem longe como modelo profissional. A sua história poderia ser inspiradora e logo ganharia repercussão. Mas, antes, queria experimentá-lo o quanto pudesse.
Logo que chegaram ao Domus, ela avisou Francisco que ambos passariam um tempo no quarto. Durante duas horas Mariana e Regino experimentaram todas as formas de prazer e posições sexuais. O rapaz era um talento no assunto e Mariana ficou pensando que ele bem serviria a algumas de suas amigas, sedentas de bom sexo enquanto seus maridos estivessem ganhando dinheiro e comendo as suas secretárias. O rapaz era atlético e incansável. Além de ter aqueles olhos cor de esmeralda que a depender da luz refletia em ondas feito água marinha. Apaixonada por Regino, decidiu mentalmente só o liberá-lo ao mercado depois de aproveitá-lo bastante. Certamente ganharia pontos com as suas companheiras de brincadeiras nas viagens que faziam.
Regino era um sujeito que passou por tantas situações de desamor que mal acreditava no que estava acontecendo. Imaginava que tudo acabaria de uma hora para outra em algum momento. Foi abandonado pela mãe que se envolveu com um traficante. Tinha saudade de sua avó que faleceu muito cedo. Ele a amava e foi uma referência amorosa que o salvou de se matar em várias oportunidades. Ele não queria, porém também estava apaixonado por Mariana. Ainda que sentisse que ela lhe devotava um imenso carinho, não se permitia viajar na possiblidade de que esse idílio se estendesse por muito mais tempo.
Essa humildade de quem não sabe o poder que tem impressionava Mariana, acostumada a conviver com homens que se jactavam de serem o máximo da expressão masculina. Em contraposição, percebeu a candura do moço tímido. Recém-chegada aos 40 anos, vivia a fase da Loba de forma plena. E Regino parecia ser o símbolo de sua plenitude. Talvez representasse o término por sua busca pelo amor que ainda teria por um homem de verdade e que ainda lhe satisfaria como fêmea. Envolta nessa reflexão sentiu necessidade do belo pau de Regino a lhe invadir o corpo e consumar o dia que nasceu tão insípido neste Outono de 2026 e que terminava com um delicioso beijo do garoto de olhos cor de safira e pele cor de ébano. Quando ele finalmente se entregou ao sono como se fora um cão recém resgatado das ruas que se sente seguro, Mariana ficou um tempo deslizando as mãos em seu corpo esculpido na necessidade de sobreviver de restos e chorou, com a cabeça deitada junto a púbis de Regino.
Os Pataxó são um povo indígena brasileiro de língua da família Maxakali, do tronco Macro-jê. Em sua totalidade, os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren.
Apesar de se expressarem na língua portuguesa, alguns grupos conservam seu idioma original, a língua Patxôhã. Praticam o “Xamanismo” e o Cristianismo. Vivem no sul da Bahia e em 2010, totalizavam 13.588 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A Ingrid trouxe da região onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Pindorama, esse colar de contas. A minha ascendência indígena me permite usá-lo para além de objeto decorativo, por carregar vários significados. Para mim, é como voltar para a kijeme.
*A imagem acima data de 2021. Estava refugiado em Ubatuba, tentando sobreviver à grave crise de Ansiedade. Como trabalho com eventos, estava parado e pude ajudar na implantação de um projeto de uma amiga da minha filha mais velha, relativo à entrega de alimentos leves, a qual fazia de bicicleta. Ao mesmo tempo, pude usufruir das lindas praias da região e ao participar de um curso de literatura da Scenarium, escrever um livro que veio a se chamar Curso De Rio, Caminho Do Mar, do qual gosto muito. Foi lançado no mesmo ano pelo selo comandado por Lunna Guedes.
voltei a encontrá-la estava entre amigos ainda que não quisesse beijei o seu rosto abaixo a luz difusa de seus olhos de entornos vincados visíveis apesar da maquiagem exprimiu um sorriso sem dentes eu invadira o seu espaço de forma brutal sabia que a incomodava com o meu cheiro de antigo amante o qual fazia questão que mantivesse sem perfume fantasia industrializado gostava de cheirar meu pelos beijar a minha boca de língua intrusa que descia por pescoço colo mamas pequenas umbigo perfeito e triângulo das bermudas coxas joelhos e pés que expunha o seu coração de joelhos costas musculosas ombros que segurava meu mundo de homem foi um encontro calado sequer um “tudo bem?” mas o rumor que ainda percorre por minhas veias de lembranças alardeia que nunca a esquecerei…
manhã de amena insolação café na mesa pão crocante manteiga sem sal creme de ricota mel cereja mamão uva geleia de morango chocolate e surpresa com toda a delicadeza você se esgueira entre os pés do tabernáculo sagrado da refeição matinal abaixo da elevação ouvimos o som da água descendo em correnteza que se choca entre as pedras retumbante em dança música da natureza de ser livre presente em se desfazer e se reagrupar em poças filetes remansos limpos rebeldes aproveita que estou apenas de calção retira a proteção fico exposto à sua adoração eu que já adivinhava a sua intenção já sentia intumescer aquele que pensa por si só e você ama que ele responda mesmo depois de tantos anos a sua boca o beija passeia a língua por onde deseja o possui estamos ao sul de qualquer norte a luz solar a invadir a nossa intimidade fluida inocente sem mancha enquanto reza busca a profundeza de si geme eu urro sem testemunhas de tamanha beleza quase choro não é pelo gozo não é pelo prazer não é pelo vazio que me preenche não é pelo abandono à consciência de que sou um com o todo com a sua entrega me tem sob seu controle apenas consigo entender que sou possuído enquanto me sinto liquefeito mole passeio por outros mundos vívidos me energizo me perco me integro me entrego enquanto você me engole… me deixa exangue me arranca um sorriso quando agradece: “obrigada pelo gole!”…