
Bêbado de sono,
o sol derrubou
jatos de luz pela tarde…
Sobre o morro, sem alarde,
o horizonte borrou
de cores o seu trono…
B.E.D.A. — Blog Every Day August
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina — Mariana Gouveia —

Bêbado de sono,
o sol derrubou
jatos de luz pela tarde…
Sobre o morro, sem alarde,
o horizonte borrou
de cores o seu trono…
B.E.D.A. — Blog Every Day August
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina — Mariana Gouveia —

Ontem, eu a encontrei à tarde
Seguia o seu caminho, sem alarde
Tinha a ilusão de prendê-la à rede
Recolhê-la como água para saciar a sede
De embalar o meu sonho clareado
Por sua luz reflexa do sol dourado
Pois hoje todos a buscaram azul
De leste a oeste, de norte a sul
Todos queriam capturá-la em fotos
Prendê-la em nossa eternidade de rotos
Pois sendo ela mais antiga e permanente
A queremos tomá-la da vida a semente
Plena, instaura a esperança como sentimento
Dirige o olhar voltado para o firmamento
Que seja assim a nossa melhor procura
Pela Lua, pelo além, por nossa bela loucura.
B.E.D.A. — Blog Every Day August
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina — Mariana Gouveia —
São muitas as janelas pelas quais enquadramos o nosso olhar. A depender de onde estejamos, as paisagens mudam. Atualmente, vivemos o isolamento social provocado pela Pandemia de Covid-19. Os cenários são quase sempre os mesmos. O ano de 2020 vai pelo meio e é como se estivéssemos em compasso de espera para um novo tempo… ou não. Voltaremos a ser os mesmos? Nós nos comportaremos como se nada tivesse ocorrido ou mudaremos nosso relacionamento social? Por qual enquadramento veremos a “nova” realidade?

… um urubu!
Da casa da minha irmã, a oeste, um urubu pousou no telhado da vizinha. Seria mau agouro ou apenas uma parada para descansar de seu majestoso voo? A ave feiosa e de má fama, apenas por ser a lixeira da Natureza, quando alça voo e plana, ganha nobreza, acima das sujeiras humanas.

… a Bethânia.
Essa companheira de forte personalidade de quatro patas dorme dentro de casa, mas costumeiramente a coloco para fora a fim de tomar o fraco sol de outono. Ao abrir a janela do meu quarto, lá está a Bethânia a observar atenta aos meus movimentos. Espera que eu a chame de volta, apenas para pedir para sair novamente a qualquer som de movimento na rua. Então, a bisbilhoteira só quer correr e emitir irritantes e poderosos latidos, algo inesperado para um ser tão pequeno.

… o sol tímido de outono.
Pela janela da cozinha, observo luz cada vez mais inclinada indica que o outono avança apesar de permanecermos estanques. Nossas folhas pessoais caem pelo chão a cada pequeno passo em pequenos espaços aos quais estamos confinados. Se bem que não possa reclamar. Tenho muito mais metros a meu dispor do que muitos. Minha prisão está acompanhada de pássaros nas árvores, borboletas e pipas, empinados pelos meninos em férias eternas.

… o rio do passado.
A saudade é um rio. Caminho permanente, de águas passageiras. Pode ser uma imagem em preto e branco. Pode ser colorida ou furta-cor. A imagem acima foi de um rio que passou muitas vezes em minha vida, na ida ou na volta do trabalho ̶ o Tietê. Na ocasião, o sol se levantava a leste, a direita de quem se dirige para a periferia da Zona Norte, onde eu moro. Há meses que não exerço a minha atividade. Provavelmente, por atuar na área de eventos festivos, motivo de aglomeração, serei um dos últimos a voltar a trabalhar.

… sombras fracionadas.
Pombas arrulham e a luz do sol inclinado faz assomar suas sombras. Alinhadas no telhado da casa de praia, esperam os cães se afastarem para capturarem a comida dos atentos Fred e do Marley no comedouro. Logo, batem asas, investem, refreiam, arremetem. Não será dessa vez. O vidro canaleta da janela do banheiro torna tudo um jogo fracionado, como se fosse um quebra-cabeças de peças soltas. A imaginação inteira voa.

… o nada.
No quarto de hóspedes, onde guardava meus equipamentos de trabalho, há uma janela peculiar. É a única janela térrea em nossa casa que não tem uma grade de proteção. Não podemos deixá-la impunemente aberta, ainda que resida em uma rua tranquila. Devemos pensar como o ladrão. No entanto, a visão direta dá de frente para a parede de outra construção. Areja, mas não faz o olhar divagar. A não ser que projetemos sobre ela nossa visão particular ̶ da memória, dos sonhos, da imaginação, do esquecimento ̶ transgressão ou morte.
Participam desta edição de 6 On 6:
Ale Helga — Lucas Buchinger — Mariana Gouveia — Lunna Guedes

Quando alguém se torna uma “Ideia”, como se fosse a perfeita definição de uma ideologia, na verdade incorre-se numa idealização. Normalmente, subjetiva. Qualquer um pode pensar o que quiser sobre essa ideia.
Quando alguém é chamado de Mito, podemos inferir que mito seja uma questão de interpretação, geralmente enganosa. Como o “Mito da Caverna”, de Platão. Nele, a experiência de vida reclusa se confronta com a claridade – um conhecimento novo – que é alcançado quando o sujeito se liberta do claustro. Seria tão fácil se a luz revelasse tudo… A luz também pode ofuscar, a ponto de não percebermos a verdade. É como se o brilho excessivo revelasse algo que está além da capacidade que algumas pessoas têm em enxergar. Há igualmente os cegos por opção ideológica ou incapacidade de percepção por estarem com as costas voltadas para o lado contrário ou porque a mentira lhes convém.
Há, ainda, os que estão a ver o que acontece, das suas possíveis consequências e apenas querem se beneficiar com a miopia ou cegueira coletiva, ao afirmarem que também não estão a ver a realidade ou interpreta-na de forma fantástica. É comum acreditarmos muito mais na mentira elaborada do que na verdade simples. São os recursos dos manipuladores-ilusionistas.
O entendimento da realidade imediata, portanto, acaba por se tornar algo tão pessoal que é comum duas pessoas brigarem por concordarem na essência, mas discordarem quanto à forma. Radicalmente, acho que só nos entendemos convenientemente no escuro, com as bocas abertas e as línguas caladas num beijo…