… ou eu só queria perceber o invislumbrável… porque só querer perceber é uma coisa eu querer (só) perceber é outra a primeira acho mais fácil é quase como só fosse se exercitar para tal a segunda é quase um talento refinado adquirido de só perceber o invislumbrável mais simples dizer que é a capacidade de vislumbrar a simplicidade ou perceber na simplicidade o deslumbramento que é ser simples contido reto inteiro perfeito e eleger apenas o que é belo assim como é amar o amor eleito…
fui até a água do mar dia frio praia deserta penetrei nas tramas líquidas do corpo que me absorve a sensação quase completa não se dá porque mesmo eu água não estou dissolvido como o sal estranho-me estando apartado me engulo em lágrimas que parte de mim também é mar e me integro à desintegração de ser só sem o total do céu e de si o sentimento perdura e se digladia meu corpo ainda vibra potência ergo-me da cama sono de quatro horas a espada erguida denuncia que quero brigar a luta perdida contra o tempo tudo é questão de tempo o dia amanhece invernoso nesta Primavera quase morta vigésimo primeiro ano do vigésimo primeiro século olho-me que não sou eu no espelho na camiseta que visto there is no finish line e nisso acredito não deixo a neve grassar na cabeça limpo o caminho dos meus pensamentos mas já é tarde não ser sendo gosto disso me sinto confortável na incongruência de ser-não-ser estou incompleto estou perdido estou perfeito…
somos humanos imperfeitos nossa medida de amor humana como queremos amores perfeitos? amamos humanamente a desejar a perfeição tão imperfeita medida e ação em nossas incompletudes sofremos a buscarmos mais que a plenitude amar sem medição amores perfeitos as flores constantemente regadas florescem amores humanos descuidados fenecem imperfeitos continuaremos amando porque o amor é imperfeito por isso nós vivemos um perfeito amor…
Eu estou me sentindo com 20 anos. estou passando por uma fase de transição que está me renovando as forças. nesta foto, devo estar com um pouco mais que isso, mas poderia passar por um garoto de 16. de certa maneira, eu era tão ingênuo-imberbe-deslocado que efetivamente era um adolescente, mentalmente. nos tempos que era obrigatório apresentar carteira de identidade para assistir a filmes proibidos – como os considerados os de conotação “subversiva” ou sexual – fui obrigado a fazê-lo até os 24 anos. E depois? depois, veio a abertura política e, enquanto eu perdia a virgindade d’alma, continuamos, como coletividade, a nos enganar com promessas de um país que será sempre (e apenas) “do futuro”…