BEDA / LUIZ

Quem é Luíz? Não sei. E mesmo que o conhecesse, sou daqueles que acredita que não conhecemos ninguém completamente, a começar por mim mesmo. Não foram poucas as vezes em que diante de novas situações, reagi de forma inesperada, me surpreendendo. Percebi que há ocasiões decisivas que evidenciam movimentos inéditos para quem pensou que agiria de forma diversa. Eu nunca (antes) como quis o “Luiz da Pilastra” tive o desejo de me distinguir e deixar de ser mais um na multidão. Ao contrário, tomei como objetivo não “fazer sucesso” e servir ao Sistema o meu esforço pessoal.

Estranhamente, na época em que deveria experimentar coisas novas, como na adolescência, me sentia preso a grilhões invisíveis, tão fortes quanto reais, porquanto psicológicos. Travado, mal conseguia concatenar uma conversação, a não ser com outros dois esquisitos como eu. Um deles, tenho contato até hoje. Outro, foi para extremidade à direita do espectro fantasmagórico e morreu para mim como interlocutor. Com o pessoal do futebol, expressões onomatopeicas por ocasião dos jogos eram como se fosse um oásis de frescor em meio ao discurso um tanto bizarro para boa parte dos meus colegas de time.

Quanto ao Luíz em questão, o que nomeia uma pilastra de ferro dentre as centenas que compõe a cerca em volta do Piscinão Guarau, o seu nome o aproxima da linhagem de reis que governaram a França monárquica. Ele tem conhecimento de Luíz XIV, que ficou mais de cinquenta anos no poder e determinou um período de opulência e influência em toda a Europa, até terminar em Luíz XVI, guilhotinado na Revolução Francesa no final XVIII?

Será que o “nosso” Luíz sabe da projeção desses Luízes que os fazem históricos?  Será que buscou saber que o seu nome significa “combatente glorioso”? Além dele, alguém mais sabe que aquele Luíz especificamente é dele e de nenhum outro? Fica satisfeito em saber que aquela letra é a sua e que permanecerá por anos encastelada na torre até ser apagada pelo tempo, por uma demão de tinta reformadora ou numa ação revolucionária?

Participação: Lunna Guedes Mariana Gouveia / Claudia Leonardi Roseli Pedroso / Bob F.

Espelho E Sombra

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Estou diante do espelho,
face redescoberta a cada mirada-admiro-me,
insensatez à flor da pele –
reflexo do segundo passado
que se diz presente.
Abro passagem para que meus olhos apreciem
o anteparo em branco.

O que percebo é – ao mesmo tempo –
imagem e contra imagem,
espelho e miragem
visão e ilusão,
perda e aquisição.

Apreendo pelo olhar,
o corpo pela projeção:
luz-objeto – espelho-parede,
sombra-dureza – matéria-evanescente:
interpretação sensorial,
deleite da percepção.

Anteponho
a arte involuntária e bela
à verdade feia da realidade arquitetada…
Fonte de devaneios e viagens circulares,
enveredo pelos descaminhos
e me perco no ponto infinito
do que nunca foi,
ainda que seja…

Morreria feliz se fosse agora…