Ao redor da minha casa, na Periferia da Zona Norte, estou cercado de igrejas evangélicas. Na minha rua se encontram pelo menos quatro em 450 metros de comprimento. Uma delas, mais antiga, me lembro de estar envolvida em um rumoroso caso de um pastor que abusava de menores. Ficou fechada por alguns anos. Voltou a abrir com outro nome e outro pastor responsável. Os nomes das fachadas variam em torno de temas que remetem à promessas de nova vida, redenção e salvamento. A premissa é básica. Somos pecadores e que se quisermos alcançar o Paraíso, devemos nos arrepender a partir de diretivas colocadas como regras que devem ser seguidas de maneira rígida. Todos nós sabemos que quanto maior a pressão em torno do autocontrole pessoal, maior a chance de falha. Assim, vive-se em débito que deve ser proclamado em orações e cânticos de tal maneira que no meio da barafunda, ninguém é ouvido. Mas creem que certamente Deus os ouve.
A igreja que ilustra a foto acima pertence à rua paralela abaixo. Num trecho de uns 150 metros tem-se uma sequência de uma congregação intercalada a um bar. Clientes diferentes, enquanto uns querem esquecer os pecados, outros querem se ser perdoados. A Porta Da Salvação estava com a porta de aço fechada. Tem horários específicos para funcionar, assim como ocorre numa casa de eventos. Eu me lembro de uma dito antigo em que nos é perguntado “por que o cachorro entra na igreja?”. A resposta era muito simples: “porque a porta estava aberta”. Era um tempo em que as igrejas neopentecostais não tinham a força que apresentam hoje. A Igreja Católica comandava o caminho rumo à salvação, associada durante muito tempo ao poder político vigente, ditando o percurso a ser tomado pelos fiéis.
As igrejas neopentecostais atuam utilizando o poder econômico através do dízimo e doações quase compulsórias. Muitas tem se envolvido na Política atuando através de pastores que se aliam a representantes políticos que performam como fiéis ao Deus bíblico dos primeiros cinco livros do Antigo Testamento e ainda assim se proclamam “cristãos”. Muito porque a mensagem cristã apresenta um viés socialista, o que vai contra as convicções de quem conduz os rebanhos, normalmente filiado ao Capitalismo como base de sustentação. As contradições não são respondidas e, ao contrário, abre uma fenda que não contribui para o equilíbrio da Fé.





