26 / 04 / 2025 / BEDA / Vacinação

Eu encontrei essas imagens nas recordações do Facebook. Nelas, surjo com um certo ar de desafio. Esquecemos de muita coisa ao longo do tempo, mas creio que essa atitude se deve à ideologia propagada pela Extrema-Direita que buscava à época do desgoverno do Ignominioso Miliciano desacreditar avanços sanitários que a minha mãe, em toda a sua simplicidade fez questão de incutir aos filhos como um verdadeiro legado de vida a nós. Dona Madalena fazia questão de nos vacinar, manter a carteira de vacinação em dia. Tomamos todas as vacinas necessárias e fico imaginando como ela se sentiria, em sendo viva, ao ver o que aconteceu com este País — dividido por questões tão irracionais quanto retrógradas — assim como ocorreu à época de Vital Brasil, médico sanitarista que conseguiu erradicar a febre amarela e a peste bubônica, enfrentando aqueles que não acreditavam em suas medidas sanitárias. Mais de cem anos nos separam e após tudo o que passamos — duas guerras mundiais, avanços inequívocos na tecnologia e na comunicação — é justamente essa última vertente que alcançou tal desenvolvimento que o que deveria servir para esclarecer se transformou em arma ideológica de destruição do conhecimento básico de parâmetros que nos trouxeram a saúde que nos deu condições de aumentar a expectativa de vida em todo o mundo.

Em um novo capítulo do avanço da Extrema-Direita, desta vez nos EUA, o sarampo voltou a ser uma preocupação de saúde pública. Aquele que deveria zelar por ela, é um crítico e propagador de desinformações à respeito da vacina contra o sarampo, incluindo a de que é a própria vacina a responsável pela doença. Conseguimos ultrapassar a Covid-19 justamente pela adoção da vacinação da população que pôde voltar a se aglomerar, frequentar ambientes fechados, trabalhar, enfim — sermos uma coletividade que idealmente deveria se expressar como uma comunidade unida contra os inimigos internos — feitos vírus contra os quais devemos nos vacinar. O problema é estimular as pessoas doentes quererem se vacinar. Afinal, perder as bases falsas sobre as quais permeiam a sua visão de mundo pode feri-las de morte.

Fotos registradas em 2022, na vigência do último ano de atuação do descaminho do famigerado Ignominioso Miliciano.

BEDA / Casado Com Uma Enfermeira*

Enfermeira Doutora Tânia Ortega

Eu me casei com uma enfermeira que é apaixonada pelo que faz. Com ela, pude aprender o quanto essa profissão pode ser um divisor de águas entre a vida e a morte. Saber que a minha esposa pode fazer a diferença na existência de muitas pessoas, ao exercer essa atividade essencial para a saúde pública, me deixou, desde sempre, orgulhoso. 

Sem falar que a “minha” enfermeira é uma excelente profissional, que saiu de uma pequena localidade do interior do Rio de JaneiroArrozal, um distrito de Piraí – para chegar, depois de passar por Volta Redonda, a São Paulo e trabalhar em uma grande entidade como o Hospital Israelita Albert Einstein, nele permanecendo por vinte anos, até assumir um cargo no COREN-SP

Depois de uma segunda passagem pelo Albert Einstein, decidiu diminuir o ritmo, mas continuou a trabalhar com dedicação e afinco em um hospital municipal da Prefeitura de São Paulo. Mal sabiam os doentes que chegavam àquele local a boa sorte que tinham em encontrar uma profissional tão gabaritada – o seu Curriculum Vitae preenche três ou quatro páginas apenas de cursos que realizou – além do carinho e atenção que dedica a quem atende. 

Crianças, jovens, adultos e velhos puderam presenciar a mão visível do Bem quando houve a intervenção da Enfermeira Tânia Ortega naquele momento tão delicado em que se encontravam fragilizados por alguma doença. 

Mas eis que a sagitariana, instada por companheiros de profissão, dada a sua influência entre os profissionais da Saúde, ampliou a atividade para além de sua atuação assistencial no hospital. Tornou-se aglutinadora de ideias em torno das quais busca melhorar as condições de trabalho dos enfermeiros, técnicos e auxiliares. 

Com a chegada da Covid-19, percebeu que, por ela, mãe de família e por todos os que enfrentam a pandemia na linha de frente, que as condições e cuidados com os itens auxiliares no atendimento aos pacientes devem ser otimizadas. Como, por exemplo, buscar soluções para o aprimoramento dos EPIEquipamentos de Proteção Individual – sugerindo, indicando, explicando, divulgando sobre a correta utilização dos materiais.

Devemos lembrar que a cada profissional afastado por infecção pelo novo coronavírus, muitos pacientes acabam por ficar sem cuidadores preparados para enfrentar a guerra contra o inimigo invisível do vírus, apesar do descaso com relação à Saúde Pública patrocinada por muitos governantes. 

Casado com a Tânia, não tento competir com a sua paixão. Compreendi que meu apoio à sua luta se configura na contribuição que posso oferecer, ainda que ínfima, na luta contra um sistema que prioriza o lucro financeiro em detrimento da vida humana. Enquanto for possível, estarei ao seu lado para caminharmos para muito além da melhoria da saúde física e mental – para que igualmente transformemos o mundo um lugar de mais paz e amor.

*Texto de 2020, nos tempos tenebrosos da Pandemia.
Participante do BEDA: Blog Every Day August

Mariana Gouveia / Roseli Pedroso / Bob F / Lunna Guedes / Suzana Martins / Cláudia Leonardi / Denise Gals