Caça às Bruxas

Bruxas

Junto aos nossos desejos de sermos bruxas, dentro de nós atua um inquisidor, um matador de diferentes, um aniquilador de sonhos. Ao lado da puta que somos (quem não vende o seu corpo e mente em troca de dinheiro?), existe aquele que atira a primeira pedra. Ser contraditório, mentiroso e hipócrita é condição básica para sobrevivermos nesta sociedade e, no entanto, não nos falta fôlego para vociferarmos contra o Sistema.

Estar aqui a denunciar nossa pequenez, não deixa de ser uma tentativa de não parecer um minúsculo ser. Não me excluo de todo esse processo em que morremos de vontade de matarmos do que não gostamos, como se não suportássemos o contrário. Somos caçadores de bruxas. Ainda que filhos de bruxas. Queremos quebrar os nossos espelhos. Reproduzimos os nossos produtores – podridões – amores malparidos.

Momento de devaneio, sonho com um mundo que aceite o irmão. Que aceite o mal, o identifique e o reverta. Que sejamos bruxas. Façamos nossa porção – uma poção mágica que contamine a escuridão de verdadeira claridade. Peito aberto, mamas e sexos à mostra, barriga prenha de filhos livres da maldição de sermos tão humanamente menores. Quero ser, além de ser, Ser.

Imagem:
https://tsararaioluzoriente.com.br/as-bruxas-ao-nosso-redor/

BEDA|São Beda

 

The Last Chapter
São Beda -The last chapter by J. Doyle Penrose (1902)

Fui convidado por Lunna Guedes a participar do desafio B.E.D.A. (Blog Every Day April/August). Então, a partir de hoje até o último dia de Agosto, postarei um texto por dia no “Serial Ser – ¡Com licença, poética!”. Este é o primeiro.

Ao pesquisar sobre a origem do nome, topei com São Beda – uma pessoa. Segundo o Wikipédia,  Beda (em inglês antigo: Bǣda ou Bēda; em latim: Beda; c. 67326 de maio de 735), conhecido também como Venerável Beda (em latim: Bēda Venerābilis), foi um monge inglês que viveu nos mosteiros de São Pedro, em Monkwearmouth, e São Paulo, na moderna Jarrow, no nordeste da Inglaterra, uma região que, na época, fazia parte do Reino da Nortúmbria. Ele é conhecido principalmente por sua obra-prima, a História Eclesiástica do Povo Inglês, um trabalho que lhe rendeu o título de “Pai da História Inglesa“.

Em 1899, Beda foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Leão XIII, um dos mais importantes títulos teológicos da Igreja Católica, e é até hoje o único nativo da Grã-Bretanha a alcançar tal posição (Agostinho de Cantuária, também um doutor, era nativo da Itália). Além disso, Beda era um habilidoso linguista e tradutor e suas obras ajudaram a tornar acessíveis para os anglo-saxões, os textos dos primeiros Padres da Igreja, escritos em latim ou em grego, contribuindo assim para o desenvolvimento do Cristianismo inglês. O mosteiro de Beda dispunha de uma grande biblioteca que incluía, entre outras, obras de Eusébio e Orósio.

Afora o nome diferente, tornar-se santo por proclamar a palavra escrita como meio e ofício de expressão é um caminho tão tortuoso quanto usar a palavra para existir – ser para escrever / escrever para ser – dor e prazer: escrevo, logo existo.

Ambas as épocas apresentam dificuldades específicas para a escrita. Beda deve ter enfrentado a precariedade de acesso a um material caro como o papel, a produzir textos para um público restrito, já que o conhecimento era interditado à maioria da população, reservada que estava ao clero e aos nobres. A circulação de saberes estava misturada a superstições, preconceitos e bases falsas. Hoje, o papel não é tão caro…

Enfim, sob o patrocínio de São Beda, inicio o meu périplo em torno de Agosto, mês com sol em Leão. Que os ventos me sejam favoráveis. Que eu chegue a um (pelo menos, um) bom termo. Oremos…

Participam:  Claudia — Fernanda — Hanna Lunna — Mari