18 / 10 / 2025 / Três Estações

Hoje, não presenciarei este poente… El Niño nublou o dia (tudo é culpa do El Niño desde sempre!) e a nebulosidade impedirá a visão do Sol boiando feito uma bolinha dourada nas águas avermelhadas do sangue da tarde que está a morrer… A não ser, é claro, que tenhamos uma terceira estação climática desde que se inaugurou a manhã…

14 / 10 / 2025 / Reencontro*

*Em 2014, escrevi: “Voltando a ser adulto aqui no Face, se bem que com uma foto tirada em um lugar que me remete ao melhor da minha infância, junto ao Mar. Nessa faixa de areia, em vez de ser o velho, me torno um com os elementos — o fogo do Sol que me abrasa, a brisa do oceano que me refresca, a areia que me sustenta o pé (ainda que de forma deslizante) e a água salgada, que ainda será o futuro do Planeta Terra, assim como foi no passado”.

09 / 10 / 2025 / Librinando

Os registros que aqui aparecem foram feitos ontem, na Cidade Ocian, Praia Grande, hoje considerado o segundo maior município da Baixada Paulista que, devido à influência da cidade de Santos, é mais conhecida como Baixada Santista. Fazia 17ºC e chovia intermitentemente. Ora com um chuvisco, ora mais intensamente, a tamborilar uma canção fora de ritmo. Saí de bicicleta mesmo assim, como fazia quando mais novo. Recebia a água no rosto como se fosse uma benção natural de quem estava livre de qualquer julgamento na cidade de pouco movimento que se escondia do frio úmido. A faixa de areia estava vazia e o Mar me convidava a visitá-lo mais tarde. E assim o faria.

Vestido com a minha sunga escura, naquele tempo chuvoso, devia causar um certo assombro em quem me olhava passando descalço. Como estava sem óculos, apenas imaginava que assim fosse. Aliás, a minha rua estava vazia de pedestres e um carro ou outro passava para acessar a avenida junto a praia. Cheguei à faixa de areia que umedecida, guardava o registro de estrelinhas feitas pelos pés de pombos solitários, além de pegadas de cães vadios que passearam antes que eu chegasse. Pensei que fosse o único a estar por ali, mas um grupo de adolescentes marcavam a sua presença festiva, brincando na chuva enquanto outros quatro estavam no mar brincando nas ondas, assim como eu faria dali a pouco. Mais alguns metros mergulhei na minha infância. O Mar estava agitado, com ondas a configurar desenhos diversos, que se faziam e se desfaziam em segundos. Mesmo nos dias em que o Sol se mostrou abertamente, não havia me divertido tanto. Por quarenta minutos, me senti pleno. Estar ali foi o meu presente que levaria dentro de mim.

A minha intenção era ficar hoje também por lá, sozinho. Comemorar o meu aniversário comigo mesmo, além do mar, ondulando, mergulhando, trocando confidências com Iemanjá. Estar na água me recompõe a mente, me ilumina a alma. Naquele dia nublado, úmido e frio eu me senti aquecido e quase adiei a minha volta à São Paulo. Mas decidi estar com a minha família, dando a sexagésima quarta volta em torno do Sol, completado às 2h da manhã. Tenho ouvido muito um antigo compositor cearense que dizia que nada é divino, nada é maravilhoso. Mas a sua franqueza negativa apenas mostra o avesso da realidade múltipla da vida. A cada mergulho, lavo o nosso presente em minha pele e reconstruo o meu passado. Chego aos 64 ainda curioso sobre o que a existência tem a me apresentar.

1º / 10 / 2025 / Outubrino

Em Outubro do ano passado, escrevi: “Passei dois dias na PG para relaxar um pouco, colocar o meu sono em dia, mergulhar no mar, andar de bicicleta, diminuir a ingestão de alimentos processados, reorganizar a cabeça. Mais alguns dias, completarei a sexagésima terceira volta da Terra em torno do Sol fora do útero de minha mãe. Mergulhar no mar me faz como que retornar ao líquido amniótico. Sei que a conexão com a Natureza é a natureza de ser do Homo sapiens. No entanto, em algum momento, rompemos o cordão umbilical de maneira radical. Desconectados de Gaia, a estamos matando. Seremos conhecidos como a geração desesperançada que destruiu o planeta…”.