22 / 07 / 2025 / Tempos

Passou-se todo um dia.
Do cinza à cor,
caminhou os meus olhos
pelo horizonte diverso.
Registro de tons e dons,
com quantos tempos se faz um dia?

Caçar com os olhos.
Arrebatar com a retina.
Beijar a tarde em queda.
Amar em cores.
A rima fica por conta da beleza…

27 / 06 / 2025 / Em Tarde, Ser

fantasmas passeiam pela tarde
boas almas de eflúvios fugidios
de um dia que se esvai
brisas se enroscam
em nuvens de corpos fluidos
é um bom tempo esse o do entardecer
quando em tarde somos
quando entardecemos
como parte do dia que se transmuta
em crepúsculo
quando a paisagem na linha do horizonte
parece abraçar o sol em ósculo
que se deseja ocultar como se fosse um amor
intimidado
até a noite chegar…


14 / 06 / 2025 / Antes À Tarde*

Porque a tarde sangrou
feito saudade…

Eu,
que não vivo de esperança,
verso sobre o que passou
como alguém que sabe que já viveu
tudo o que tinha para viver —
da negação à entrega,
da dor de não amar ao amor
e a dor de amar.

Entre as estações,
não há vida,
apenas um segundo de noite infinda.

Fui feliz,
ainda que tarde,
antes à tarde que nunca
sob o céu que nos protegia…

*Poema de 2021

03 / 05 / 2025 / Pobre E Bela

A Periferia é pobre, mas a tarde é bela.
O povo é despossuído, mas a sua natureza é singela.
A rua é íntima amiga, muitas vezes serve de abrigo.
A violência existe e, em contrapartida muito amor.
Que a tarde abrigue este momento confortador…

06 / 03 / 2025 / BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Ao Cair Da Tarde

A amante
da Luz recebe em seu corpo
os oblíquos raios solares
desta manhã outonal…
Ela ama o calor que aquece
mas não queima…

Que preenche os seus lábios,
cabelos
e olhos
de amor luminar,
a escorrer por seu colo
até o peito
e umbigo…

A amante
da Luz vive, também,
o Outono de sua vida…
Já foi Primavera,
já foi Verão
Os seus olhos já viram
muito mais do que verão…

A amante da Luz sabe,
e, mais do que isso,
deseja,
não ver chegar do Inverno,
a escuridão…

Outros tons de cores…
Outros ângulos da luz solar…
Entre as nuvens e a poluição,
poemas visuais se fundem
e se dissolvem
diante de nosso olhar…

Algo de muito perturbador existe em mim
Que prefere um céu nublado a azulado
As nuvens me trazem a ilusão de festim
Enquanto limpo, parece de tempo fechado…

Ao cair da tarde
antes à tarde do que nunca,
também é tempo de encontros
e reencontros.
Mesmo que não falte alguém a nos esperar,
voltamos à solidão de sermos sós…

O Sol é uma usina de energia e calor
nos entrega vida e suporte
mesmo que esteja invisível
há quem não o suporte
como se fosse nos dado a escolher
sua existência ilumina a dor
e o prazer de viver.

meio do mato ilha de civilização
meu encontro ímpar
e impermanente com a água
olhei à direita descia a neblina
dentro do líquido líquido que sou mudo
permaneço sendo aquele que se sente
um com o todo percebo que faço
parte de tudo…

Participam: Claudia Leonardi / Lunna Guedes / Mariana Gouveia / Silvana Lopes