Em Observação

Olhamos, somos olhados
Buscamos, somos achados
Encontramos, somos deixados
Chegamos, estamos atrasados
Permanecemos, estamos acabados
Estamos eternos, seremos passados…

Aranha Aluada

A Lua,
quarto crescente,
de 102 bilhões de anos…
A Aranha,
de 102 dias…
Um dia, se extinguirão…
Só o amor sobreviverá.

Gilson, o rapaz que tem a sensibilidade de encontrar o pai no tom de voz de um desconhecido, deu o mote e logo me senti compelido a criar algo em torno desta foto. Ele, inclusive, sugeriu um título – A Aranha Que Roubou A Lua. Quem compõe ou escreve, sabe que muitas vezes uma canção ou um texto segue certo protocolo e para quem tem as ferramentas, é até fácil construir temas aceitáveis. Mas desde o início, em vez de uma crônica gracinha, chegou a mim os versos que coloco a seguir. A Lua, ainda que roubada, continua a ser poética.

Noite alta…
Ainda não era amanhã…
E, ainda que fosse,
vivo sempre o hoje.
Amanhã é um lugar distante
ao qual nunca chegarei…

Lua em quarto crescente,
o homem, descrente do amor,
a busca no olhar e a fotografa.
No registro revelado,
uma aranha
arranha
a imagem da penumbra
contra as luzes artificiais.

O ser, inicialmente invisível,
rouba a Lua de seu protagonismo.
Coloca cada elemento, com a sua função.
Nada ocorre à esmo.
A aranha aprisiona o seu alimento…
A Lua consola a minh’alma…

BEDA / Scenarium / Segundona

Segundona

Sinto que o sol se solta
em seu caminho fixo
e iluminado,
e deixa se ver
por detrás da cortina nebulosa…
Estamos em plena segundona — dona
de nossos humores cíclicos.
Para tantos, tempo
de buscar sobrevida,
ganho de mais valia e causa
para a existência, sem pausa —
um momento
para parar, para sentir o ar,
além de respirar…
E eu posso…
O sol detox
se infiltra em meus poros,
sinto que ele se integra ao meu ser,
se conecta com as minhas ondas,
passeia por minhas frequências
e, por um instante,
me sinto brilhante…

 

 

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Lunna Guedes

BEDA / Scenarium / Eu Amo Você!

Muro 1

                      

Eu prefiro o toque…
Mas eis que o tato
é o mais vetado dos sentidos…
Eu prefiro a boca…
para falar, também…
Quando podemos ser mal
(ou bem) interpretados…
Eu prefiro que bailemos juntos –
uma dança proibida
por doutrinas
que preferem corpos em desunião…
Eu prefiro amar…
E escrever…
E escrever sobre o amor,
ainda que desdenhem da paixão
pela palavra…
Contudo,
depois que o mundo acabar,
e o amor se for conosco,
resistirá escrito no muro,
em algum lugar da cidade:
EU AMO VOCÊ!

                           

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Lunna Guedes

BEDA / Scenarium / Furacão

pexels-photo-1494707.jpeg
Foto por Ray Bilcliff em Pexels.com

Eu,
que sempre quis ser brisa tépida,
remanso em paisagem cálida,
surpreendo-me
por querer transpor obstáculos –
casas,
cercas,
muros
e árvores –
com a violência de um furacão…
Quero-me assenhorar das paragens,
invadir os campos cultivados,
arrancar as ramas pela raiz,
revolver a terra molhada
com a força
de meu arado alado,
a semear com o meu falo
o chão revolto
e plantar a minha descendência
de ventania

no coração da amada…

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Lunna Guedes