Tortura

Da primeira metade do Século XVI ao final do Século XIX — quatro séculos de Escravidão.

Dois policiais prenderam um suspeito de participar em um arrastão. Segundo disseram, como o detido resistia à prisão em vez das prosaicas algemas, os dois homens – altos e fortes – o amarraram pelos pés e pelas mãos. A cena causou espanto porque o suspeito, em sendo preto, encarnou o sistema que ainda hoje marca a nossa Sociedade o escravismo. O Tempo pareceu retroceder séculos antes quando pessoas pretas eram tratadas como peças propriedades objetos de uso que, menos que animais, não deveriam expressar sentimentos ou emoções, à custa de punições.

A Corregedoria da PM afastou os dois “capatazes” ou “capitães-do-mato” alertando que aquele não era o procedimento regular na detenção de um suspeito. Apesar dos urros de dor, a única providência que tomaram foi o de colocá-lo numa maca para aliviarem o carregamento do peso do corpo amarrado. A juíza do caso entendeu ou foi dada a relatar que “não há elementos que permitam concluir ter havido tortura, maus-tratos ou ainda descumprimento dos direitos constitucionais assegurados ao preso”. Soube-se depois que se baseou apenas nos depoimentos dos policiais, sem que tivesse visto o registro amplamente divulgado pela imprensa. É natural que diante de um ato de violência como um furto, roubo ou assalto fiquemos indignados e queiramos que o criminoso seja impedido de delinquir e punido.

Mas a que preço? Qual o limite que devemos chegar para ver a lei ser cumprida? Ver a dignidade humana vilipendiada?  E quando um representante da lei julga que não há maus tratos nesse caso, qual seria a sua opinião ao ver o seu filho sendo tratado dessa maneira? “Ah! Meu filho nunca faria isso! Porque foi bem-criado, frequentou boas escolas, tem uma família estruturada!”. É bem provável que esse não fosse o caso do prisioneiro tratado como “peça de museu da escravidão”.

Fosse ele branco, bem-vestido, documentado, endereço conhecido e, por critério equânime, carregado como um pedaço de carne por suspeita em participação em um arrastão, duvido que não houvesse uma comoção social. Há pessoas insuspeitas que fazem qualquer coisa para conseguir algo para trocar por droga, como já testemunhei acontecer.

Num evento que fizemos, um microfone foi levado por alguém que, soube depois, era usuário de droga. Para nós, foi um prejuízo importante, pois estávamos iniciando a nossa trajetória. Para ele, a chance de cheirar mais uma carreira. Acabamos por não dar queixa. Por sorte, nunca mais topamos com a pobre criatura. Neste caso, o arrastão se deu numa mercearia. O objetivo era obter algo para comer.

O fato é que, graças ao sistema escravocrata que imperou por séculos no Brasil, terminado de uma forma que jogou os escravizados na rua, com raras exceções, criamos um ciclo vicioso que gerou repercussões graves nas relações sociais, no Presente totalmente desequilibradas. Há uma dívida a ser paga pela Sociedade brasileira para que reparemos os malefícios causados pelo antigo modo de produção. Para que interrompamos o rolo compressor que penaliza a todos nós é necessário diminuirmos as distâncias entre os componentes do quadro socioeconômico.

A Educação é o meio mais nobre para que isso se dê de forma sustentável, mas demanda vontade política e recursos (sem desvios) às instituições educacionais e aos professores, além de tempo. Enquanto isso, há medidas que devem ser implementadas para tornar o ambiente social mais respirável e o humano menos cruel. Caso contrário, continuaremos a ver reproduzidas situações que, ainda que não devam esquecidas, deveriam ficar apenas no Passado. Isso, para termos uma mínima chance de nos tornarmos uma grande nação no Futuro. Nossos filhos nos agradeceriam muito.

Cena de 05 de Junho de 2023 135 anos após a Abolição da Escravidão.

BEDA / A Primeira Atrevida Dama

Atrevimentos parece ter sido o roteiro traçado para a sua vida desde moça. Não que fosse seu desejo expresso. Mas como a estrutura que encontrou para a sua atuação como mulher lhe exigisse desde cedo se atrever para avançar no caminho que buscou percorrer, tornou-se uma típica mulher atrevida – aquela que não se encaixa nas definições básicas reservadas ao gênero feminino – discrição e obediência aos bons modos tradicionais.

Publicamente, a sua postura de quem sabe o quer começou a chamar atenção quando Lula ficou preso em Curitiba, condenado pelo Juiz Sérgio Moro, por conta da Operação Lava-Jato. O preso começou a receber a visita da bela mulher que atuava no PT do Paraná, do qual era filiada desde aos 17 anos. Já se conheciam, mas a partir de abril de 2018, a presença atenciosa de Janja foi se impondo de tal maneira que foi impossível para o velho político, viúvo desde 2017, não se apaixonar por aquela pessoa destemida tanto quanto o antigo operário que um dia ousou se candidatar ao cargo supremo do País.

Em 1 de janeiro de 2023, essa mulher atrevida se tornou a trigésima nona primeira-dama do Brasil com o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a cerimônia de posse, apareceu usando um terno dourado, sendo a primeira a usar tal peça nessa solenidade. Bem, esse foi o destaque dado por algumas páginas femininas de moda no dia, sem atentar para a incrível e icônica cerimônia, na qual foi emulada a presença do povo representado em suas várias facetas no recebimento da faixa para o novo presidente. Feminista declarada, Rosângela Lula da Silva passou a dispor de um gabinete para atuar nas áreas de segurança alimentar e do setor cultural, além de fomentar os movimentos e ideologias que visam estabelecer a igualdade de gênero, de cunho identitário. Atrevidíssima!

Tenho percebido um Lula mais articulado em suas palavras, ainda que volta e meia se aferre a velhas posturas. Essa mudança muito se deve à influência da companheira que não se apresenta apenas como um mero acessório. Em 1990, ingressou no curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especializou-se em História na mesma instituição. Além disso, Janja possui MBA em Gestão Social e Sustentabilidade. Entre 1995 e 1996, atuou como docente colaboradora do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O discurso proferido por Lula na posse foi um dos mais bonitos que ouvi. Em vários pontos se destaca uma visão mais apurada das demandas sociais, para além dos velhões chavões de discussões acadêmicas que mais obscurecem do que aclaram as soluções para o desenvolvimento do País.

A Primeira Atrevida Dama, forte e independente, têm luz própria e certamente ainda dará muito o que falar tanto para os seus admiradores, quanto para seus detratores. Ela continuará a trilhar o atrevimento de ser o que quiser ser – direito de toda mulher –mostrando que as brasileiras merecem ser vistas bem mais do que estereótipos de beleza vazia.

Participam: Danielle SV / Suzana Martins / Lucas Armelim / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Alê Helga / Dose de Poesia / Claudia Leonardi / Roseli Pedroso

BEDA / Aleatoriedades Temporais

O Facebook não sei quanto mais tempo durará. Quando surgiu o Orkut nem cheguei a usar todas as suas possibilidades e não participava de grupos. O Facebook passou por cima dele rapidamente como um trator e logo se tornou hegemônico. Poder que se estendeu para outras formas de apresentação, como o Instagram. Hoje, fazem parte de um conjunto de aplicativos que compõem a Meta — em referência ao Metaverso — uma espécie de universo virtual paralelo. Enquanto vivia a sua primeira fase, eu utilizei o Facebook como repositório de textos, imagens e assuntos tão aleatórios quanto crepúsculos ou observações sobre temas cotidianos. Eis alguns exemplos.

Metalinguagem (2021)

Em tempos de falsa concretude, das palavras cada vez mais estioladas, das imagens empobrecidas, dos pleonasmos cada vez mais reais, dos passos maldados, do ladrão de verbos e verbas, pede-se encarecidamente — não pisem na metalinguagem!

Asas… (2020)

A cada dia que perguntamos algo ao céu,
ele responde de forma diferente.
Mas o sentido é o mesmo — a vida
é movimento e transformação…

Moema (2020)

Ao ver o sol se pôr em Moema, atravessei o meu olhar através dos prédios, casas baixas, árvores, colinas, vales e rios para cada vez mais fundo no Tempo. Moema tem origem no Tupi “moeemo”, calcado no gerúndio, que quer dizer “adoçando”. Transformado para o feminino, significa “aquela que está adoçando”. O nome foi criado pelo Frei de Santa Rita Durão, para um personagem do seu famoso poema “Caramuru”, que conta a história do náufrago português Diogo Álvares Correia, no tempo em que viveu entre os índios Tupinambás. Por alguns instantes, voltei a eles. Inocente do destino do meu povo que morrerá-morre-morreu. Outra possível versão sobre o significado de Moema é “mentira”… 

Bethânia (2017)

Bethânia… É comum me sentir como ela… Sempre tentando me adaptar aos humanos…

Mooca (2011)

São Paulo convive com características de cidade pequena, em várias de seus caminhos, mesmo os mais movimentados. Na Rua dos Trilhos, que fica no Bairro da Mooca, podemos presenciá-las à esquerda, em casinhas que resistem com a mesma fachada desde que foram construídas, nas primeiras décadas do século passado. À direita, resquícios de uma das últimas linhas de troleibus da cidade.

Sarah (2015)

Este é o túmulo de Sarah. E quem foi Sarah, que faleceu aos três anos e meio de idade, em 1999? Não sei, mas ao passar mais uma vez junto ao Cemitério da Saudade, aqui em Caieiras, onde estou trabalhando, não deixei de me emocionar ao ver a sua foto, através do muro baixo, onde o seu corpo descansa. Em uma placa sobre a lápide, ao lado dela, pode-se ler: “Sarah, você é o sol que brilhará eternamente”. Estou de TPM — Temporada de Piedoso Melindre — momentos em que tenho vontade de chorar por qualquer coisa, desde o latido de um filhote de cachorro até a imagem de uma Maria-Sem-Vergonha se abrindo. Caminhei algumas quadras com a expressão pesarosa de quem perdera alguém muito próximo, em um dia em que o Sol se fez ausente, como a anunciar a chegada do Outono. Logo, tive que me refazer, não sem antes deixar cair uma ou duas lágrimas por aquela criança que mal ultrapassou a primeira infância como tantas no Brasil

Participam: Alê Helga / Mariana Gouveia / Lunna Guedes / Roseli Pedroso / Cláudia Leonardi Suzana Martins / Dose de Poesia / Lucas Armelim / Danielle SV

Perdão Pela Modernidade*

Neste texto pessoal, uma carta, mas que encarei como profissão de fé, baseado nas leituras que efetivei ao longo de anos, eu respondi ao meu pai – Odulio Ortega – acerca de uma postura parcial quanto à visão da História. Encalacrado em uma visão antiga da qual não conseguia se desviar, ele me acusou de dar voz aos seus adversários políticos, enquanto eu tentava colocar a minha posição quanto ao desenvolvimento dos fatos que então demonstravam, segundo eu pensava, o caminho errado que a Esquerda tomava à época, em 2012*. Havia percebido que o sentido adotado por ela resultaria no enfraquecimento das possibilidades de entendimento entre um ideário e outro, podendo causar, como veio a acontecer, na divisão do País. Sempre soube que sem cotejar visões antagônicas para o exercício político, não haveria futuro para a nossa precária Democracia, de alguma forma atacada de um lado e de outro na tentativa de impor como único. O meu afastamento crítico ainda assim não impediu que seis anos depois pudesse antever o mal causado pelo viés à Extrema Direita que veio afligir o Brasil nos últimos quatro anos. Apesar de no primeiro parágrafo eu ter citado a miscelânea messiânica que ele empregava ao se posicionar, eu igualmente escolhi estabelecer uma postura mais ligada à religiosidade, muito frequente em minhas manifestações pessoais.

“Permita-me inicialmente analisar a maneira como o senhor mistura sistemas de governo com ideários econômicos e religiões com crenças, considerando, inclusive, o estabelecimento de critérios absolutamente pessoais de percepção da realidade como fatos históricos estabelecidos em letras impressas de jornal, derrubando exaustivos estudos de historiadores, antropólogos, arqueólogos e estudiosos sociais que decretaram que os chamados autóctones aqui encontrados, na verdade massacraram os antigos moradores da terra, que por sua vez, chegaram do norte em ondas migratórias que atravessaram o estreito de Bering, que fica entre a Ásia e o Alaska, provavelmente por uma ponte de gelo criada na última era glacial.

O que isto quer dizer? Que nenhuma etnia pertence originalmente ao lugar em que vive, considerando retrospectivamente o tempo de uma forma mais extensa, contado não em dezenas ou centenas, mas em milhares de anos, olhado de uma maneira mais abrangente, como estabelece, aliás, a visão espírita, em que a vida se desdobra em papéis vivenciados em ciclos de “nascimento” e “morte”. Sempre é bom lembrar que nem mesmo Alan Kardec propôs algo original, já que a milhares de anos, o Hinduísmo contempla a existência em diversos planos. Assimilação.

A espécie humana é originária da África, fato determinado por pesquisas feitas com base no DNA mitocondrial, e de lá, avançou continente afora até a Ásia e a Europa, onde fatores ambientais moldaram exteriormente a sua estrutura física, adaptando-se aos requisitos necessários à sobrevivência ao meio. Além disso, considera-se que, como o Homo sapiens, o Homem de Neardenthal chegou a alcançar algum sucesso nesse intento, mas a nossa espécie acabou por suplantar a esta última como a mais apta e inteligente para prosseguir a jornada, a incorporando em eventuais cruzamentos ou até aniquilando-a. Adaptação.

O aumento da inteligência humana, propiciada pela capacidade plástica de nosso cérebro, supõe-se ter sido estimulada por consumo de proteína animal. Para isso, o homem passou a caçar os outros seres viventes que o cercavam, chegando a extinguir algumas espécies contemporâneas de então, como o Mastodonte. Consequentemente, se hoje em dia podemos escolher entre ser onívoro ou abster-se de não participar ativamente da cadeia alimentar, preferindo o Vegetarianismo, como eu optei em determinada época da minha vida, terá sido simplesmente porque construímos uma capacidade ímpar de julgarmos e escolhermos o melhor para nós, graças a um nosso antepassado ousar enfrentar e matar outros animais para comê-los. Assim, ampliamos a nossa quantidade de ligações neurais, possibilitando-nos o domínio sobre a Terra e de tudo que caminha sobre ela. Superação.

Civilizações se ergueram e se desmoronaram, da África à Europa, da Ásia ao Oriente Médio e até na América Pré-Colombiana, com Maias, Incas e Astecas, estas cruelmente especializadas em sacrifícios humanos oferecidos aos deuses. Quando os portugueses e espanhóis invadiram esta terra, aproveitaram-se das várias animosidades existentes entre as diversas tribos aqui estabelecidas, dominaram o território, mesmo sem a presença massiva de homens. Se a sociedade naturalista dos indígenas era assim tão evoluída, porque sucumbiu tão facilmente ao oferecimento de bugigangas e destilados? Se fosse moralmente assim tão capacitada, porque se ofereceu tão ingenuamente à imolação religiosa levada adiante por catequizadores supostamente bem intencionados e não o contrário? Ainda assim, os que sobreviveram á escravidão e às novas doenças, acabaram por adentrar pelo sertão ou acabaram por miscigenar-se aos invasores, formando um povo diferente, que viria a adotar pelos dois ou três séculos seguintes o Tupi-Guarani como língua usualmente empregada no dia a dia.  Acomodação.

Por essa perspectiva, eu creio que devemos aceitar que nós, seres humanos, sempre evoluímos entre os escombros de construções precárias e de corpos dados á sanha do conquistador de ocasião. Nossa aptidão deverá o de sempre buscar a luz no caminho, tentando fazer uma verdadeira revolução pessoal que nos fortaleça a ponto de resistirmos eticamente aos assaltos perpetrados pelo egoísmo e então chegarmos ao equilíbrio entre Corpo e Espírito. Revelação.

A chamada ‘Modernidade nome dado a um processo atual, portanto, é circunstancial. Foi moderno o homem sair da África rumo às outras terras para sobreviver; foi moderno o Homo sapiens sobrepujar ao Homem de Neardenthal, por sua adaptabilidade ao meio; foi moderno o surgimento de civilizações que dominaram a outras, bem como foi moderno as suas quedas; foi moderno o homem cruzar os oceanos e chegar às praias ensolaradas onde os seus habitantes não previram que ali estavam os seus algozes; sempre foi moderno o homem escravizar a outros homens; sempre foi moderno o homem explorar a força de trabalho de outros homens, em seu próprio benefício. Mas o que pode realmente ser chamado de suprema modernidade, acima de todas as coisas, em todos os tempos, e faz com que o homem transcenda a sua humanidade é o ato de perdoar a outro homem, apesar do suposto mal imposto a ele por seu próximo, e ainda assim amá-lo, apesar disso.

Perdão pela Modernidade.”

O Genocídio

Mulher Yanomâmi sendo pesada por uma assistente da força tarefa para atendimento de saúde

À vista das imagens divulgadas mostrando o estágio dos efeitos causados pela desnutrição entre vários membros do povo Yanomâmi – crianças, mulheres, homens – fiquei como que paralisado de horror. Como foi que chegamos a esta situação? Tragédia anunciada há tempos, nos últimos quatro anos, sem medo de errar, virou política de Estado empreendida pelo ex-presidente e futuro presidiário (se houver justiça), ao qual chamo de Ignominioso Miliciano. Vinte e um ofícios de ajuda e tomada de medidas para impedir o morticínio, enviados às várias instituições da administração federal, foram solenemente ignorados.

Ao longo de seu comportamento na vida pública há indicação de um padrão macabro, inicialmente em palavras, depois transformadas em atos quando chegou ao poder. Esse ser humano que festejou a morte de Marielle Franco, antes já havia elogiado o torturador Ustra na votação do impedimento indevido da ex-presidente Dilma Rousseff. Esse tipo defendia a morte de pelo menos 30.000 brasileiros na época da Ditadura Militar – que perdurou de 1964 até 1985. Essa mesma pessoa defendeu a imunidade de rebanho na Pandemia de Covid-19, adiando a compra de vacinas, o que resultou na morte de pelo menos 300.000 pessoas a mais do que a média populacional, de acordo com a projeção de vários cientistas sanitários. Esse ser abjeto liberou a compra indiscriminada de armas de fogo sob a alegação de que o cidadão tem o direito de se defender. A grandíssima maioria dos artefatos caíram na mão de milicianos e de outros grupos criminosos.

Associado a interesses de políticos e mineradores – “follow the money” – de Roraima e de fora desse Estado e até do Brasil, não foi difícil para o Ignominioso Miliciano (a milícia carioca o patrocina) decidir pela destruição da floresta onde vive o povo Yanomâmi. Sem se importar com os 30.000 originários da região, incentivou a invasão de 20.000 garimpeiros que envenenaram os rios das terras indígenas, a ponto de causar a mortandade dos habitantes nas quase 200 aldeias. Os outros habitantes do resto de Roraima apoiaram fortemente a política de morte do elemento, delegando a ele 76% dos votos na última eleição. Tal crime hediondo não poderia ser praticado sem tantos cúmplices.

Estava assistindo a um filme em que o personagem comenta sobre o comportamento de poderosos que subjugam e exploram as outras pessoas, sem se importar com o mal que produzem. Ao contrário, se julgam acima das outras criaturas que, no entanto, segundo as Escrituras Sagradas são seus semelhantes. No caso dessa personagem brasileira que promove morte e terror entre seus semelhantes, não há semelhança entre as pessoas em direitos. Defendendo a instauração de uma “elite” homogênea e hegemônica – racista, machista, misógina, homofóbica –, através de um discurso difuso e atabalhoado, incorpora uma linguagem messiânica. Ataca àqueles que propõem a diversidade como signo de vida, agregando seguidores de seitas cristãs que passam por cima da Palavra de Cristo. Suas palavras inspiram o medo, a discordância, a ojeriza aos pobres, a violência e a destruição.

Eu já o associei a um dos Cavaleiros do Apocalipse. Para os milhares de mortos ao longo do seu (des)governo, que tiveram as suas vidas ceifadas por influência direta de sua estratégia fascista de direção, o fim realmente se precipitou.