O Sol não é indiferente à nossa sorte. De certo, quando envelhecer mais uns 6,5 bilhões de anos, se expandirá a ponto de engolir todos os planetas que o circundam, incluindo o nosso, evidentemente. Estamos na distância exata que propicia a vida como a conhecemos, da mesma maneira que não escaparemos de sua morte. Mas não se preocupem, terráqueos! Antes do próximo bilhão de anos, quando a vida em nossa superfície ficará impossível de existir pela expansão da intensa luminosidade e calor solar, nós mesmos teremos matado Gaia. Sobre a sua superfície, se houver vida, será aquela a não ser em suas formas mais simples. Nestes tempos de seres pandêmicos, mentiras virais tidas como reais e vírus mortais encarados como fantasia, o Sol é a reafirmação de nossa face luminosa, porém fátua.
*Texto produzido em meados de 2020, durante a Pandemia de Covid-19.
Deixei um pouco o meu computador de lado e quando voltei havia um pedaço de folha seca sobre o teclado, das muitas das plantas daqui de casa. Quando fui limpá-lo, saiu voando, deixando um pouco de pó como lembrança. Tratava-se de uma pequena mariposa. Do ângulo que eu a vi, a confundi devido à sua cor, semelhante. Isso ocorreu há poucos dias. Há dois dias, eu a encontrei finalmente pousada, asas recolhidas, em repouso eterno. Até que seus átomos se dissolvam e retornem em outras formas de ser-não-ser, coloquei o seu corpo no solo do jardim. Viva, quando a toquei, senti a solidez de um algodão, mas a sua força sei que residia no percurso da sua transformação. De lagartinha a pupa, da pupa à eclosão em mariposa. A origem do seu nome é pura poesia. “A palavra “mariposa” é de origem castelhana e é composta de uma apócope de ‘Maria’ (Mari) e do imperativo do verbo posar (em português pousar), ‘posa’”. (Wilkipédia)
A Vida é assim – alada. A sua companheira, a morte, muito mal falada. No entanto, uma não tem fundamento sem a outra. São imbricadas e complementares. Aliás, eu creio firmemente que a expressão da energia vital não se atem apenas aos seres que se movimentam. Pedras falam tanto quanto humanos. As suas formas de nos contar uma história tem outra ordem. E o sentido de eternidade ganha uma linguagem incomensuravelmente mais ampla. As plantas têm essa qualidade, também. São os seres vivos mais fascinantes que conheço. São organismos que se diversificam em formas e maneiras de se apresentarem quase infinitas. E a inteligência que que demonstram ainda mal mensurada.
Quando aprendemos na escola sobre os Reinos (nome fantasioso e atraente) – Animal, Vegetal e Mineral – descobrimos que eles são restritivos. Aprendemos que o do Seres Vivos apresentam cinco categorias: animal, vegetal, fungi, protista e monera. Há muitos mais. E um certo sujeito chegou a dizer que seu reino não era daqui. Sem querer entrar no mérito do invisível por se tratar de outras dimensões e frequências, a energia vital se espraia por tudo que existe, desde o ponto infinitesimal que gerou todos os universos. E todos podem caber no sentido e compreensão no voo e morte de uma mariposinha. Sempre em direção à Luz, sua sina. E a nossa…
Texto constante de BEDA: Blog Every Day August
Roseli Pedroso / Mariana Gouveia / Bob F / Denise Gals / Claudia Leonardi / Lunna Guedes / Suzana Martins
Eu me casei com uma enfermeira que é apaixonada pelo que faz. Com ela, pude aprender o quanto essa profissão pode ser um divisor de águas entre a vida e a morte. Saber que a minha esposa pode fazer a diferença na existência de muitas pessoas, ao exercer essa atividade essencial para a saúde pública, me deixou, desde sempre, orgulhoso.
Sem falar que a “minha” enfermeira é uma excelente profissional, que saiu de uma pequena localidade do interior do Rio de Janeiro – Arrozal, um distrito de Piraí – para chegar, depois de passar por Volta Redonda, a São Paulo e trabalhar em uma grande entidade como o Hospital Israelita Albert Einstein, nele permanecendo por vinte anos, até assumir um cargo no COREN-SP.
Depois de uma segunda passagem pelo Albert Einstein, decidiu diminuir o ritmo, mas continuou a trabalhar com dedicação e afinco em um hospital municipal da Prefeitura de São Paulo. Mal sabiam os doentes que chegavam àquele local a boa sorte que tinham em encontrar uma profissional tão gabaritada – o seu Curriculum Vitae preenche três ou quatro páginas apenas de cursos que realizou – além do carinho e atenção que dedica a quem atende.
Crianças, jovens, adultos e velhos puderam presenciar a mão visível do Bem quando houve a intervenção da Enfermeira Tânia Ortega naquele momento tão delicado em que se encontravam fragilizados por alguma doença.
Mas eis que a sagitariana, instada por companheiros de profissão, dada a sua influência entre os profissionais da Saúde, ampliou a atividade para além de sua atuação assistencial no hospital. Tornou-se aglutinadora de ideias em torno das quais busca melhorar as condições de trabalho dos enfermeiros, técnicos e auxiliares.
Com a chegada da Covid-19, percebeu que, por ela, mãe de família e por todos os que enfrentam a pandemia na linha de frente, que as condições e cuidados com os itens auxiliares no atendimento aos pacientes devem ser otimizadas. Como, por exemplo, buscar soluções para o aprimoramento dos EPI – Equipamentos de Proteção Individual – sugerindo, indicando, explicando, divulgando sobre a correta utilização dos materiais.
Devemos lembrar que a cada profissional afastado por infecção pelo novo coronavírus, muitos pacientes acabam por ficar sem cuidadores preparados para enfrentar a guerra contra o inimigo invisível do vírus, apesar do descaso com relação à Saúde Pública patrocinada por muitos governantes.
Casado com a Tânia, não tento competir com a sua paixão. Compreendi que meu apoio à sua luta se configura na contribuição que posso oferecer, ainda que ínfima, na luta contra um sistema que prioriza o lucro financeiro em detrimento da vida humana. Enquanto for possível, estarei ao seu lado para caminharmos para muito além da melhoria da saúde física e mental – para que igualmente transformemos o mundo um lugar de mais paz e amor.
*Texto de 2020, nos tempos tenebrosos da Pandemia. Participante do BEDA: Blog Every Day August
varrer o quintal tarefa enfadonha? para mim um ritual faço com o prazer escatológico de quem reúne estrelas na varrição restos de galáxias que se chocam em auto consumação apocalíptica no chão jaz restos biológicos vestígios da morte etapa da vida renovada em movimentos necessários imprecisos distantes de nosso controle em meia hora passeio pela existência presença passagem passageira do feto à caveira num átimo em reinícios etapas a cada passo transfiro as folhagens para novo canteiro reposição de matéria orgânica imponho o ciclo natural do qual participamos aceito… a eternidade é um estado de espírito…
Texto de participante de BEDA: Blog Every Day August
Quando temos um condutor de boiada que toca bem o berrante, o gado responde obediente e o segue. Quando o gado se considera pensante, induz que as tocadas do berrante emitem certas orientações para além da simples entonação. Quando o condutor orienta a derrubarem as matas, extrair madeiras, invadir terras virgens, garimpar em qualquer lugar que considere ter riquezas que, ao final de tudo, sem fiscalização ou controle, acabam por enriquecer qualquer um, menos o País, aplaudem.
Quem assume os negócios escusos não são pessoas do povo que deixam tudo para trás em busca de pedras preciosas, madeira, ouro ou um pasto para si. Mas sim grupos criminosos organizados, da mesma estirpe do condutor do gado. Aparelhados de muito financiamento advindo de negociações que envolvem todo tipo de moeda, incluindo drogas, é possível montar estações de extrações de madeira, garimpagem, caça a animais silvestres para venda e todas as maneiras de dizimar populações inteiras de espécies. Sofrem os habitantes originais da Terra Brasilis, espoliados de seus direitos e locais de vivência.
Estamos sendo governados pelo Ignominioso Miliciano há quase quatro anos. Assim como Scar, na história do Rei Leão, que dizimou o local que comandava, que deu poder às hienas que ajudaram a devastar sua nação, seus asseclas agiram no mesmo sentido. Quem me disse isso, num comentário rápido, foi a minha filha mais nova que fez essa assimilação despretensiosa, mas bastante pertinente.
Esse elemento no poder, num texto de 2019 já o chamei de um d’OsCavaleiros doApocalipse, representando a Peste. Hoje, a notícia da localização dos corpos de Dom Philipps e Bruno Pereira é apenas mais um dos efeitos da política predatória desse cavaleiro motorizado do Apocalipse.
A chamada “aventura” dos dois ativistas, segundo as suas palavras, demonstra a sua postura de confronto contra quem quer defender as demandas dos direitos indígenas e dos territórios arruinados pelos comandados por sua postura de Scar. As mortes do jornalista e do funcionário do IBAMA são mais duas para a conta desse Ignominioso Miliciano — dois combatentes a menos contra seu projeto de devastação.