quando a toquei cego pelo amor desvelei os véus da percepção humana para além do sentido barato e velado da visão
ultrapassei a pele alcancei a alma meu corpo se tornou todo potência energia sem identidade dor orgástica-holística prazer perfeita desorganização do sentido do sentir
unidos a roçar terminações nervosas hipersensibilizadas drogados pelo cheiro gosto escuridão clarividente paixão eterna profunda muito mais que amor perene platitude
invasão de novos territórios para além da vida penetrações atraídos por buracos negros onde se consomem fótons fantasias glúons gulosos quarks aquartelados neutrinos sanguíneos constelações galáxias inteiras
suor golfo úmido rocio em pelos vaporizados resfolegar arpejos brotar plena consciência corpo epiderme campo fértil da breve morte bem-vinda big crunch em um último beijo no tempo que não existe mais…
Nesta quinta-feira, dia internacionalmente conhecido nas redes sociais para a postagem de #TBT, mostro aqui alguns registros esparsos no tempo. A expressão “TBT“, é a abreviação, em inglês, de “Throwback Thursday” ou, em tradução livre, “quinta-feira da nostalgia”. São, como serão estas aqui, imagens que nos remetem a comentários sobre a vida — que aprendemos a identificar como algo quase indecifrável enquanto a vivemos sem sabermos o fim em si. A não ser que tenhamos fé que assim não seja. Fé prova a existência da fé, mas não o que o objeto da fé trata. Criar algo que possivelmente não tenha alguma finalidade é de uma teimosia insanamente admirável…
BELO HORIZONTE EM SP (2015)
Peço que me desculpem o abuso, mas não posso deixar de partilhar com vocês a visão que tive do final da tarde de hoje, um sábado do início de inverno de 2015. Esta é uma São Paulo de belos horizontes, quando nos é dado presenciar. Boa noite!
COCÔ-ARTE (2012)
Quem vive com cachorros, sabe que nem tudo são flores no relacionamento com esses seres especiais. Como são artistas em vários aspectos — malabaristas, atores, palhaços e produtores de arte — muitas vezes eles têm rompantes criativos. Hoje, logo de manhã, contemplei essa arte das minhas cadelas em um lugar que deveria estar vedado ao acesso delas, já que colocamos um gradil que deveria impedi-las de acessar (esqueci de dizer que também eram acrobatas). Chamei essa criação de cocô-arte, mesmo porque, arte cocô está cheia por aí…
SANGUE NA TARDE (2016)
O inverno anuncia tardes derramadas em delírios… Mal podemos perceber que o tempo seco nos arranca a umidade da pele que se arrepia ao toque do frio… Os olhos desejam que se torne espelho a beleza que se apresenta, enquanto vemos que a paixão do Sol pela Terra termina vertida em sangue…
O ESTIVADOR (2016)
Esta é uma homenagem aos trabalhadores do cais, que carregaram nas costas a riqueza do País. Esta estátua se encontra em um trecho do longo percurso junto aos cais do Porto de Santos. Normalmente relacionado ao trabalho em embarcações, “estiva” refere-se à primeira camada de carga que se mete em um navio, e que é geralmente a mais pesada. Em decorrência disso, o trabalho físico de transporte de toda a sorte de objetos — sacas, fardos, móveis, madeira, ferro, etc — acabou por designar a atividade-profissão de “estivador”. Durante séculos, seres escravizados ou pagos à soldo, embarcaram a riqueza sempre mal distribuída por todas as nações do mundo. Eventualmente ainda realizada em lugares sem o maquinário adequado, a estiva me é bastante próxima, já que de forma semelhante, carregamos, eu, meu irmão e outros, equipamentos de sonorização e iluminação para a montagem de apresentações evanescentes, como se fossem eventos mágicos que só se confirmam se filmados e/ou fotografados. Provas totalmente refutáveis, ainda mais que a memória se dilui ao longo do tempo…
EM LUA, ARADO (2017)
Céu enluarado, vasto campo arado de estrelas enterradas nas nuvens… Um dia, brotarão em luz as sementes de um tempo limpo, sem dolo e má intenção… Não, hoje…
DANÇANDO, SEMPRE (2014)
Voltando da academia, pensando sobre o atual momento político, as eleições de domingo e sobre o destino de nosso país, concluí que vamos dançar. Todos! Decidi que vou aprender balé clássico. Se for para dançar, que seja com estilo e arte, praticando um “arabesque par terre”.
Vivemos pelos ponteiros do relógio… Ainda que sejam digitais, aparelhos nos apontam o tempo que com suas digitais marcam a nossa pele. Eu não vivo aqui. Vivo agora. O marcador do tempo determina o valor? Se durou pouco, é paixão? Se perdura, é amor? Sabemos — quanto mais tempo dura, maior a chance de frustração. Amantes em série preferem o momento violento e fugaz ao gostar longo e em paz… Amar deveria permitir se apaixonar pela mesma pessoa, sempre. E estar permanentemente apaixonado pelo ato de amar. Cinco, quinze, trinta anos… Creio que possamos amar apaixonadamente as diversas pessoas que são a mesma pessoa numa única relação, que é única por ser preciosa. Se for outro o caminho, que ao final de tudo, não falte, ao menos, carinho…
Quem ama de paixão, sabe — antes de morrermos mil vezes — nos despedaçamos dez vezes mil… Quem permanece intacto em uma relação — sem perceber a falta de algum pedaço — não está a amar…
Cabeça, tronco e membros — nada escapa à desconstrução de nosso ser… Quando amamos, quem nos vê caminhar pelos lugares, apenas se ilude que ali se move alguém integral — a respiração foge dos pulmões ou falta o coração — que bate em outro peito…
Tocados pelo outro, enquanto o sangue circula fora do corpo, os olhos se perdem em cada nuvem que passa e as pernas seguem por ruas pelas quais passeiam o ser amado…
No auge da paixão é doloroso amar, porque não estamos onde estamos… Desconcentrados de nós, variamos de senso, contrariamos o consenso, o equilíbrio é penso, o desejo é imenso de estar no outro, com o outro, pelo outro, pelo com pelo peles unidas…
Quando nos perdemos em nós, destroçados e trocados de corpos e mentes, ganhamos todo o Universo — o Inferno e o Céu — destino incerto, a terminarmos como solitárias moléculas dementes ou a renascermos amorosas sementes…
Sim… agora eu sei que acabou… Tentamos, mas já não dói tão gostosamente… A ferida cicatrizou… Quis voltar a ser aquele que a amou (não que eu não a ame ainda), apenas sei que aquele amor já não me pertence mais… Sei que o meu egoísmo pôs tudo a perder…. Sei que ficarei a penar a eterna saudade de mim em você…
Aquele Eu que a amava daquela maneira, sentia-se confiante, sentia-se amoroso, sentia-se confidente, sentia-se poderoso, sentia-se como se o mundo lhe pertencesse… E o seu (meu) mundo era você…
Eu, aquele, sentia-se expandir para fora dele até abarcar toda a Vida e a Natureza… Deus supremo, ciente de seu poder, esqueceu-se da fonte que irradiava tamanha grandeza… Ele, Eu, aquele, esqueceu de você em si…
Então, algo se perdeu… Eu me perdi… Perdi você… Quando se afastou, vociferei, a tratei como uma rés que ferrei, propriedade minha, que não se compartilha… Que preferia ver morrer à mingua, de fome e de sede…
Preferi feri-la com a minha língua… a mesma língua que antes vivia a esquadrinhar a sua pele inteira… A ultrajá-la com a mesma boca que a beijava e lhe repetia palavras de amor… E aquele Eu mal entendia que o verdadeiro ato de possuir é um movimento de doação… Que eu antepunha a exauri-la com a minha paixão…
Talvez, um dia, eu a reencontre em mim… Porém sei que você não será mais a mesma, tanto quanto sei que não serei decerto aquele que então se sentiu total, que não se permitia saber que tanto amor, sem entrega e reciprocidade, torna-se pura masturbação, velada veleidade a causar imenso mal.