Beda / Scenarium / Bem Aventurados

BEM AVENTURADOS
Bem aventurado, em 2016

O primeiro amor pode ser o definitivo…
O último amor pode ser o definitivo…
Entre o primeiro e o último amor
poderá haver o amor definitivo…
Quaisquer amores,
imensos ou menores,
são definidores…
Importante é amar…
Definitivamente,
bem aventurados
os que amam…

 

B.E.D.A. — Blog Every Day August

Adriana AneliClaudia LeonardiDarlene ReginaMariana Gouveia

Lunna Guedes

BEDA / Scenarium / Lua Azul

lua azul

Ontem, eu a encontrei à tarde
Seguia o seu caminho, sem alarde
Tinha a ilusão de prendê-la à rede
Recolhê-la como água para saciar a sede
De embalar o meu sonho clareado
Por sua luz reflexa do sol dourado

Pois hoje todos a buscaram azul
De leste a oeste, de norte a sul
Todos queriam capturá-la em fotos
Prendê-la em nossa eternidade de rotos
Pois sendo ela mais antiga e permanente
A queremos tomá-la da vida a semente

Plena, instaura a esperança como sentimento
Dirige o olhar voltado para o firmamento
Que seja assim a nossa melhor procura
Pela Lua, pelo além, por nossa bela loucura.

 

B.E.D.A. — Blog Every Day August

Adriana AneliClaudia LeonardiDarlene ReginaMariana Gouveia

Lunna Guedes

Teia Negra

Teia Negra

Aconteceu à tarde, quase rubro anoitecer…
Dourada, a aranha passou sem se deter,
atrasada que estava, para tecer
a cama escura para o sol adormecer…

Poentes No Cais*

Poentes
Sentado no cais,
todas as tardes,
eu me coloco a observar a linha do horizonte…
Lusco-fuscos da minha perdição…
Todos os dias,
a essa hora,
há essa hora
em que revivo o momento da despedida…

Ela se foi…
sem ter a delicadeza de desaparecer
em barco a vela silente…
Foi para o continente,
célere como o pendular instante,
em ronco de motor potente…
Fiquei na ilha, ilhado…
Solidão por todo o lado…

Em dias nebulosos,
não há diferença entre o firmamento
e o mar,
entre a noite que chega
e o dia que vai…
Então, me sinto melhor…
Porque mergulho em um mundo
de oceano sem fundo,
um buraco negro,
de luz abduzida…

De nosso amor,
restou pores de sol,
tempestuosos e brilhantes,
de raios fugidios,
figuras de corpos esguios…
assim como o seu,
que espero voltar,
até anoitecer
ou o Tempo acabar…

*Poema constante da Revista Plural “La Barca”, lançada em 2016 pela Scenarium Plural – Livros Artesanais 

Penélope (2016)

Penélope !
Para um amor eterno…

“Papai, brinca comigo? Tenta pegar a bola de mim!”…
Penso: Ah, querida… E as suas dores?
Sei que você vai pular,
vai correr,
vai tentar impedir que eu pegue a bola de volta.
Será que não vai sofrer depois?”…
Alheio aos meus pensamentos, repete:
“Papai, brinca comigo? Tenta pegar a bola de mim!”…
Imagino que o Paraíso para ela,
para além de ter comida à vontade,
gulosa que é,
seja ter a quem ama a jogar a bola para que possa correr,
pegar no ar e voltar para jogar de novo,
ad eternum…
Tento transformar a vida da velha amiga
em vida nova,
o Paraíso na Terra e,
por aquele instante,
vivo a eternidade.