BEDA / Scenarium / Projeto Fotográfico 6 On 6 / Monocromático

É muito comum que eu olhe para o alto. As nuvens, as busco como se fosse um mago a prefigurar em suas formas agouros de desgraças ou presságios de boas novas. Mas não infiro nada. Apenas sou apaixonado pelas transições dos vapores d’água de elefantes para personagens históricos, baleias para dragões. Quando as nuvens escurecem – eventual prenúncio de tempestade – raios podem vir a riscar o firmamento-campo-de-batalha da Natureza. No entanto, a abóboda sob a qual caminhamos, também poderá surgir em monocromático azul celeste, de indecente nudez, como esta tela que registrei em um março ainda incrédulo da borrasca pela qual passaríamos adiante.

Beda 6 On 6 - A
Azul celeste

 

Além do céu, busco o chão. Caminhante da metrópole, o cinza impera nas vias ou leitos carroçáveis (termo advindo dos tempos das carroças) pelos quais passo. Sou pedestre e onde moro costumamos caminhar a pé pelas rotas dos automóveis. É uma tradição que conheço desde que surgiu o primeiro asfalto no bairro. O rio cinzento só não é totalmente monocromático porque buracos surgem recorrentemente. Poucos metros se afiguram tão perfeitos como o que mostro aqui.

Beda 6 On 6 - B
Cinza asfalto

 

Para quebrar um pouco a monotonia das portas metálicas, uma loja da Praia Grande, cidade onde fiquei isolado uma parte da Quarentena, decidiu chamar a atenção com um lilás chamativo que apenas foi vislumbrado tão fulgurante porque estava fechada. Era o início da restrição no funcionamento de pontos comerciais e empresas. Normalmente, o belo campo de lavandas metálico ficaria menos expressivo se estivesse recolhido à luz do dia.

Beda 6 On 6 - C
Lilás lavanda

 

No bairro de Cidade Ocian, a prefeitura da Praia Grande pavimentou as ruas centrais com tijolinhos vermelhos. Ao som de “GoodbyeYellow Brick Road” na cabeça, viajei na possibilidade de ver Dorothy, com Totó ao seu lado a caminhar junto ao Leão, o Homem de Lata e o Espantalho. Ela caminhava entoando “Over The Rainbow” a caminho do mar, em direção ao Netuno e seu tridente. Uma faixa de luz do sol, por um breve instante, atendeu à imaginação do garoto que retornou ao lugar em que foi mais feliz.

Beda 6 On 6 - D
Vermelho tijolinho

 

Ouvi várias vezes o termo “verde de raiva”. Para mim, se há verde, há esperança. Desejo firmemente que o verde um dia se espalhe por nossos solos a perder de vista. Quando a vingança do verde prevalecer, talvez tenhamos alguma chance de sobrevivermos a nós mesmos.

Beda 6 On 6 - E
Verde esperança

 

A ausência de cor, também é uma cor. Ao contrário do branco – síntese de todas as cores – sem o campo escuro que se estende sobre nós, à noite, não poderíamos distinguir as luzes das estrelas, a Lua ou outros planetas. A escuridão parece esconder segredos e nos impulsiona a criar seres fantásticos onde somente imperam nossos fantasmas. O preto é paz…

Beda 6 On 6 - F
Preto paz

 

Ale Helga — Darlene Regina — Lucas Buchinger
Mariana GouveiaLunna Guedes

Beda Scenarium

 

Projeto Fotográfico – 6 On 6 / Cores

1. Cor do amor

Em casa, moram conosco seis cães. Cinco, em tempo integral – Domitila, Dominic, Bethânia, Bambino, Arya e Lolla, a visitante constante. Como característica comum, o fato de terem sido resgatados, exceto a Dominic, filha da Domitila, nascida em casa. Outra particularidade é a cor predominante de seus pelos: o caramelo. Quatro dos seis cães se situam nessa gradação. Aparentemente, essa é a cor de grande parte dos cachorros de rua, segundo um levantamento realizado. Em uma pesquisa rápida e informal, feita por mim mesmo, através de observação, confirmei o fato. Junto com o caramelo, a cor preta se faz bastante presente. Certa vez, li um artigo que informava que muitos cães pretos eram abandonados por seus cuidadores, pois “não saíam bem nas fotos”. A nossa preta, Penélope, faleceu depois de 14 anos de uma intensa convivência amorosa. Eventualmente, poderá haver uma explicação adaptativa. Amor não ter cor, mas cores. O caramelo talvez seja a cor matriz do mesclado cachorro de rua brasileiro – a cor comum do abandono… e do amor.

CORES (7)

 

2. Cor caseira

Na periferia, a cor que se sobressai é a vermelha – cor de tijolos expostos – além do cinza-massa-corrida. A predileção por qualquer cor fica em segundo plano, por questões econômicas. O mais comum é o habitante da periferia não pintar suas fachadas, mas cobrir suas fachadas de cerâmica de cores neutras, de custo-benefício mais efetivo, principalmente por causa dos pichadores. Quando encontramos casas que as pinturas externas explodem em cores, é uma visão sempre agradável.  A imagem acima exibe um conjunto de casas antigas em aquarela. Não fica na extremidade da cidade, mas na região central. Quanto a mim, a depender da incidência da luz, além da cobertura verde que me rodeia, posso dizer que moro no azul.

CORES (6)

 

3. Cor paulistana

Se há uma cor que poderia expressar a cara de Sampa, essa é o cinza. Em dias nublados, horizonte, céu e chão asfaltado se confundem em uma amálgama que traduz nossas emoções de transeuntes presos no trânsito dos sentimentos movidos a combustão. O ir e vir monocromático entranha-se em nossa perspectiva e nos tornamos alegremente cinzentos, pontuados por uma plena sensação de conforto no caos.

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4. Cores crepusculares

Quando o sol se inclina no horizonte, a sua luz incide sobre nuvens, águas, cidades, casas, coisas e corpos, a produzir expressões multicoloridas da palheta do pintor crepuscular. O entardecer guarda a melhor imagem do dia cumprido e a expectativa da noite que se avizinha, acolhedora. Eu tenho por mim que se há felicidade, ela se afigura nessa hora: vou embora em tarde ser feliz!

CORES (4)

 

5. Cor da noite

A noite perdeu a cor original nas grandes cidades. O belo negro da tessitura noturna onde pontuam as estrelas e a Lua em céu limpo, recebe a luz indireta das luzes artificiais das metrópoles, que nos prende às suas limitações. Perdemos o mistério da penumbra – bênçãos e perigos. Basta nos afastarmos dos grandes centros, caminhar por descampados, para vislumbrarmos as possibilidades do Universo aberto à exploração de nossos olhos e mentes e a sensação de nos perdermos em nós.

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6. Cor de feira

A feira é uma festa para os olhos. As cores básicas perdem o sentido no festival vibracional em frações e frequências coloridas. O vermelho não é só vermelho, mas vermelho-tomate, vermelho-cereja, vermelho-pimenta. O verde não é apenas verde, mas verde-limão, verde-abacate, verde-alface. A abóbora cobre a abóbora, a cenoura, o pêssego. Maracujás, mangas, mamões, tangerinas e laranjas se vestem de… laranja. Os roxos decoram cebolas, beterrabas, figos e, profundamente, a tez quase negra da jabuticaba. Outras cores, que variam do branco ao cinza, atendendo todas as gradações do espectro luminoso, dançam diante de nossos olhos, ao som dos pregões e bordões enviados pelos feirantes. Os sabores se adivinham de doces a ácidos, de fracos a fortes. As formas seduzem em curvas das mais suaves a mais rudes e ásperas ao toque. Os odores se misturam e ultrapassam os limites de cada barraca, entre intensos e abatidos, terrenos. Vitais, todas as feiras são verdadeiros festivais dos sentidos.

CORES (2)

 

Darlene Regina — Isabelle Brum — Lucas Buchinger
Mariana Gouveia — Lunna Guedes

BEDA / Scenarium / Carta À Cecília, Mulher Do Olhar Marinho

Cecília

Eu, menino, apaixonado por mulheres, entrei em contato com os seus olhos claros através da revista “O Cruzeiro”, versando sobre seu percurso de escritora. À época, você já havia fechado seu olhar marinho para o mundo, quando eu contava ainda três anos de idade. A foto era em preto e branco, portanto não tinha como saber que fossem azuis-esverdeados, como testemunham que fossem. Não duvido que a depender da luz que incidisse sobre eles, outras cores se somassem – todas as possíveis do arco-íris. Se chegou a vê-los vazios, talvez os revelasse por espelho comum dos dias mais amargos, do coração que não se mostra.

Mulher de valor ímpar, imagino que achasse graça em ver sua face gravada em notas de 100 Cruzeiros, ao tempo de planos econômicos que a transformaram em Cruzados, depois, em Cruzados Novos e, novamente, em Cruzeiros, no processo de desvalorização contínua da nossa economia, até vir se tornar definitivamente item de colecionador de numismática, ciência-irmã das coisas fugidias. Sua obra literária, no entanto, só cresceu em apreciação e relevância, minha cara poeta. Palavras que ultrapassaram as fronteiras da vida comum e da morte física, para estampar a cara da nossa alma. Sua fala poética não emudecerá, jamais.

Confesso que enquanto você falava de Isabéis, Dorotéias e Heliodoras, eu a confundia com Lygia e Clarice, irmãs na língua e na literatura. Leve dislexia de quem foi dado a ler as três quase ao mesmo tempo. Eu, fascinado, tentava decifrar a mulher ainda garoto e me perdi no emaranhado dos pensamentos-sentimentos-emoções humanos mais profundos – perdição da minha vida. Foi-me dado a conhecer que a mulher apresenta fases como a Lua, que ela se pertence antes de eu querer que pertença a mim e, se ou quando ela viesse a me querer, talvez eu não esteja presente para possuí-la. Desde então a soube fugidia-errante – no céu, na rua.

Sobrevivente entre quatro irmãos, filha da esperança e da melancolia de interminável fuso, amou, foi e é amada, por companheiros e leitores. Que soube que o dia se faz, ainda que o sol estivesse encoberto. Que, de modos rebeldes, tornou-se prisioneira do amor por lutar pela liberdade de viver, nem alegre e nem triste, mas poeta. Que desmoronou e edificou a eternidade – não passou, ficou. A você, Cecília, toda a minha admiração por ter vivido pela palavra e ter aprendido com a inconstância das primaveras a deixar-se cortar e a voltar sempre inteira – desejo de todo o ser.

In: Missivas De Agosto – https://scenariumplural.wordpress.com/2019/08/14/carta-a-cecilia-mulher-do-olhar-marinho/

BEDA / Projeto Fotográfico 6 On 6 / É Noite, Tudo Se Sabe

É Noite

Durante alguns anos, dos 8 ou 9 até os 13 ou 14, eu tive um radinho de pilha japonês, com o qual ouvia programas logo de manhã e antes de dormir. Durante todos aqueles anos era um garoto auto recluso, que preferia músicas nem tão populares de Nat King Cole, Ray Charles, Frank Sinatra, Soul Music dos grupos negros americanos, além de MPB. A minha emissora favorita era a Rádio Panamericana AM, de São Paulo. Na maviosa voz de Ana Maria Penteado, a partir das 22h, tendo ao fundo o tema de ”Summer Of 42”, de Michel Legrand, era anunciado: “É noite, tudo se sabe” – frase que reverbera até hoje em minha mente. A sentença consegue dizer tanto sem revelar nada, porque não precisa. Se não sabemos, intuímos, o que é, muitas vezes, mais poderoso do que propriamente sabermos.

 

É Noite, Tudo Se Sabe (4)Muito do que se intui da noite é suscitado pelo luar. É quase sonho de leite a boiar na negritude do café adoçado de estrelas. Hora se mostra, hora se esconde por entre ramos e nuvens, vãos e desvãos de nosso lugar de observação. Há certas ocasiões que não somos nós a observá-la, mas ela a nos encontrar apartados de nós e de outros em imenso espaço vazio. Quando parece crescer, é para se fazer presente e mais próxima por piedade de nossa solidão.

 

É Noite, Tudo Se Sabe (10)

A noite é o tempo preferido para amar. A escuridão, que a muitos assusta, serve de cobertura para os amantes. Os encontros se dão após um dia inteiro de labuta, mas nada impede que ocorra na hora do almoço ou happy hour. Eu trabalho quase sempre em eventos festivos noturnos, se bem que a preparação se dê ao longo do império solar. O registro acima foi feito em São José dos Campos, onde estava a trabalho, com a visão do vale em movimento incessante de carros pela Dutra e vias vicinais. Em sugestivo lilás, um grande motel se destaca ao centro. No Brasil, motéis ganharam a conotação de lugar para encontros sexuais. Em um país de progressiva mentalidade repressora, imagino o dia em que templos como esse serão combatidos pelos defensores de templos concorrentes, aqueles que alegam professar outro tipo de amor, naturalmente a soldo. É o mercado das almas…

É Noite, Tudo Se Sabe (9)

Minha filha canina, Betânia, gosta de vigiar a vizinhança, tanto de dia quanto de noite. Seus latidos emitidos em função de quaisquer coisas que se movam ou produzam algum tipo de som, continuam ainda que a admoeste. Equilibrada em beira de laje ou na mureta, ela olha para mim, percebe que fico no mesmo lugar e volta a latir pelo puro prazer de se expressar contra a natureza do invisível. O que me resta é registrar a imagem, como faria um pai babão com as artes e artimanhas de sua criatura.

 

É noite, estrada

O negrume pelo caminho é riscado por luzes em formas variadas. Ainda que saibamos se tratar de automóveis – carros de passeio, vans e caminhões – seriam perfeitamente reconhecidos como objetos voadores-movediços não identificados, pela ilusão que causam ao passarem por nós, em qualquer sentido. O som contínuo do motor parece o de uma máquina de perpetuum mobile, monocórdico e entediante. O cansaço e o sono ajudam a produzir a sensação onírica de viagem astral. É noite, tudo se sente…

 

É Noite, Tudo Se Sabe (8)
Prédio Caetano de Campos, na Praça da República

Vivo em São Paulo. Quase não passo por algum ponto que não esteja minimamente iluminado. A luz artificial se faz de tão modo presente que sua ausência é razão de desconforto, como se faltasse algo a nos completar. Precisamos desses sóis particulares para nos identificarmos como seres. Não bastaria sabermos disso, temos que confirmar nossa condição de habitantes da pólis banhada em claridade. A noite nos pertence como tema, atrativo e contraponto – somos entes da luz emprestada e da sombra permanente. Sei disso, porque vivemos em noite eterna…

 

Projeto Fotográfico 6 On 6 / O Inverno De Cada Um

Até outro dia, vivíamos um dos invernos mais quentes e secos dos últimos tempos. Praticamente, um veranico de meio de ano. Apregoam que é culpa do El Niño. Para mostrar como a Natureza se manifesta em uma escala bem maior do que as marcações diminutas de nossos dias, o que acontece no Pacífico reflete nas costas do Atlântico – um continente inteiro pelo meio. No entanto, para cada um de nós, existe um inverno diferente. Para quem gosta do frio, hoje está sendo um dia ideal, assim como para os lojistas, que estão a se livrar do estoque abarrotado de peças deste “inverão” de 2019.

Inverno (3)

Apesar da quentura que envolve a cidade, as sombras das manhãs invernais não se enganam. Oblíqua, a luz do sol, sombreia os corpos dos edifícios da cidade que amanhece. Para quem acha que a sombra esconde algo talvez não se dê conta que é a própria sombra que está a se mostrar como protagonista.

Inverno (2)

Ainda sobre a luz invasora que antes se mostrava soberana – os obstáculos se tornavam adornos ao seu toque. Os perfis banhados, lambidos, vestidos e desnudos pelo sol ganhavam outra identidade. A vida acontecia tanto sob seu brilho como à sua sombra. Contraste digno de pintores renascentistas – “chiaroscuro” de Caravaggio – imposto mesmo aos olhos dos incautos-incultos.

Inverno (4)

As nuvens nos dias claros do início do Inverno, antes do cinza total que se apresenta agora, desenhavam quadros que têm um quê de tempos idos e são bem-vindos aos novos olhares. Creio, mesmo, que enquanto puder ver, tudo se apresentará a mim como símbolo da novidade de existir.

Inverno

Outro dia, em uma dessas manhãs frias, um jovem casal passou por mim em passos céleres. O rapaz carregava o filho no colo, enquanto a companheira ao seu lado, bolsa e mochila. Iam de mãos dadas, algo tão incomum nos dias que passam, que chamou minha atenção. Em determinado momento, o moço trocou o filho de braço. Soltaram as mãos por instantes, até as unirem novamente. Dobraram a esquina e logo chegaram à porta colorida da casa onde entregaram a criança, a beijaram e a viram entrar confiante entre abraços das “tias” da creche. De novo de mãos unidas, encetaram o caminho em direção ao ponto de ônibus. Essas cenas aqueceram meu coração…

Inverno (1)

Inverno de eclipse solar total. No entanto, aqui, em Sampa, às 17h39 do dia 2 de Julho – quando o fenômeno natural atingiria seu auge – o meu olhar em direção ao horizonte não viu o astro-rei encoberto pela Lua. Encontrei a tarde a declinar como sempre, nublada e tenuemente clara. E ela me encontrou meditativo e levemente obscuro. Certas manifestações ocorrem e não ocorrem: questão de ângulo e lugar.

Inverno (5)

Finalmente, o Inverno chegou ao seu tempo. Aqui em Sampa, por onde passa a Linha do Trópico de Capricórnio e abaixo, nos Estados sulistas, costumamos sentir as estações mais ou menos delineadas em seus parâmetros “ideais”, somente que de modo bem mais suave que as terras do Hemisfério Norte costumam apresentar – Primaveras floridas, Verões “callientes”, Outonos desfolhantes, Invernos nevados. A chegada da frente fria à cidade, trouxeram chuvas torrenciais, o maior índice pluvial para um único dia desde 1976, quando eu tinha de 14 para 15 anos de idade. Tentei lembrar se a mesma situação foi marcante, mas tantas águas passaram por mim desde então que não consegui me deter sobre qualquer fato relevante em qualquer das estações daquele ano. Estou muito ocupando com o hoje-agora-instante, pesado o suficiente para dar alguma importância a fatos passados, ainda que influencie meu Presente. Temperaturas de -4ºC no Rio Grande do Sul, geadas e eventualmente nevascas intermitentes atraem pessoas que se sentem transportadas para fora do Brasil tropical. Enquanto pessoas, entidades e campanhas do agasalho tentam minimizar os efeitos do frio naquelas que sofrem a condição de viverem no Brasil real. É o Inverno de cada um – dores, amores perdidos, corações conquistados e partidos – frio e calor. Antes assim, que o que é morno não me move…