O Amor

alcohol alcoholic bar beverage
Photo by Burst on Pexels.com

Noite alta. Em um bar, duas pessoas se reencontram depois de uma longa separação. Amigas desde a infância, retomam assuntos interrompidos depois da viagem de uma delas para a Europa, como se não tivessem passado quatro anos. Decidiram cortar a comunicação por quaisquer meios. Antes que desentendimento, foi um acordo consciencioso. É como se não quisessem que a gravidade da amizade-sol interferisse nos relacionamentos com outras pessoas que se iniciavam, então. Temiam que os respectivos companheiros não entendessem o que tinham, um tão presente na vida do outro em união umbilical.

No reencontro, as bocas abriram-se em sorriso espontâneo e aberto. O abraço, demorado e apertado, parecia confirmar todas as expectativas que carregavam. Ou, até um pouco mais. Nunca haviam se separado por tanto tempo.

Após horas de conversa sobre seus percursos sem estarem juntos – idas e vindas de amores, novos amigos e casos cotidianos – afinal um calor parecia aquecer a alma e ousaram versar sobre o amor. O assunto é inesgotável, mas tudo se torna possível após a quinta rodada de caipirinha. Uma delas, provoca e traz à baila um trecho de Sete Pecados -˗ O Governante Supremo*.

– “Ao contrário do que se propagava – que uma imagem valesse por mil palavras – intimamente sabia que uma só palavra poderia equivaler a mil interpretações diferentes. Como evitar que a comunicação não fosse corrompida por pensamentos espúrios quando se escrevesse ou lesse a palavra ‘amor’, por exemplo?”

– Isso é verdade. O amor não é um sentimento específico, determinado e irretocável. A depender do momento que alguém pensa senti-lo – esse algo que o move ˗˗ poderia receber qualquer nome, como “fome”. Digo isso porque normalmente ele parece surgir em horas de penúria física ou mental. Algo que tenta preencher um vazio. Em muitas ocasiões, dizer “eu te amo” é uma mentira cômoda tanto por quem diz como para quem é dito. Tentativa de se manter a homeostase, sem pensar muito em sua profundidade e alcance. Quem sabe pudéssemos propor um primeiro mandamento: “Não dirás ‘eu te amo’ em vão”.

˗˗ Bem, você fala de relacionamentos esparsos, inconsequentes. Pode ocorrer o comodismo mentiroso. Mas, para mim, o amor tende a ser um sentimento tão importante que muitos têm medo de confessá-lo. É precioso – precisa de proteção e sigilo. Amar geralmente é uma ação que demanda esforço e coragem para vivenciá-lo. Para muitos, é muito mais fácil dedicá-lo a um bicho de estimação do que a um ser “pensante”. Os bichos amam a quem os acolhe, os alimenta ou lhes dão carinho. Absolvem seus cuidadores até das ações mais raivosas contra si… se bem que algumas pessoas, também.

˗˗ Para mim, amor, só de mãe. O vínculo físico entre mãe e cria é poderoso o suficiente para perdurar por toda a vida, mas não é relevante para explicá-lo para além dos fatores hormonais. Sei do amor de minha mãe por mim. Ela é meu modelo de mulher. Mas fui reconhecendo isso ao longo da convivência, entende? Não é um sentimento que tem lugar garantido só porque temos um vínculo visceral.

˗˗ Você acha que tentamos reproduzir pela vida afora esse padrão de amor inicial entre mães e filhos? Acha que não haja pessoas que escapam dessa relação edipiana? Eu, por exemplo, nunca tentei encontrar uma mulher parecida com a Dona Edi. Já tive minha dose de desentendimentos para entender que não gostaria de conviver com alguém como ela. Você sabe como eu a amo, mas quero outro modelo de encontro d’almas.

˗˗ Encontro d’almas? Alguns dizem que o amor nasce da relação física ˗˗ confundem paixão com o amor. Outros, que acontece antes ˗˗ uma atração mágica, sem explicação. Há gente que ama amar, mas amor à primeira vista? Acho estranhíssimo. Quantos erros cometemos ao julgar um livro pela capa? Ainda que haja quem prefira viver de erro em erro, repetindo sempre as mesmas ações.

˗˗ Mas será que vivemos em delírio coletivo? Muitos poetas e compositores cantaram o amor desde sempre. Milhões de canções foram feitas e são entoadas com todo o vigor por inúmeras de vozes. Testemunham, em todos recantos do mundo, com toda a potência do ser, sua força imensurável, que move montanhas. Uma energia que nos envolve aquém e além da pele.

˗˗ Acho que o amor é supervalorizado, cantado em verso e prosa. “O medo de amar é o medo ser livre…” – cantou Beto Guedes. Só se for para nos livrar do autocontrole, nos deixando vulneráveis, entregues a alguém que poderá não corresponder. E aí sobrará pouco de nós para contar a história… Nesse caso, o termo “ser comido” torna-se uma imagem perfeita…

˗˗ Quer dizer que você tem medo de amar? Controlar o amor é uma ilusão. Evitá-lo, uma vaidade fátua. Eu prefiro me despedaçar a deixar de viver um amor. Uma completa interação entre os corpos em que o sangue parecerá circular dentro das veias um do outro. Sei o quão é perigoso desvestir-se do ego para deixar “entrar’ outra pessoa em si. A queda no precipício é inevitável, desejável e aliciante. Mais uma rodada, por favor, Ademir!

˗˗ É por essas e por outras que, para evitar que a sociedade implodisse, foram criadas normas de conduta para regular os relacionamentos na vida em sociedade. Já sabemos que isso é impossível. Além de causar muita dor psicológica. Veja a religião, que inicialmente surge para celebrar a força criadora da Natureza, acabou por ser usada para aprisionar o desejo e a paixão em códigos de conduta ˗˗ quase sempre moralistas ao extremo. Isso para os mais simples, porque nas altas esferas essas leis eram solenemente descartadas. Enquanto o pecado abatia-se sobre consciências e corpos, a morte, a danação, o sofrimento eterno como o destino certo para quem ultrapassasse os limites impostos como celestiais. A promessa do bem estar eterno trocado pela abstenção do prazer imediato. E se todos soubessem que todas as relações são eróticas?

˗˗ É, minha cara, por mais que se valorize outros tipos de amor, há um que independe do liame familiar e sexual. É o da amizade fraterna, entre pessoas que comungam da mesma energia e passeiam pela mesma frequência. Nem mesmo o tempo ou a distância os afastam. Pode-se dizer que resistem a tudo. Só aguentei ficar tanto tempo sem lhe falar porque encarei como senda para o meu autoconhecimento. Hoje, sei mais sobre mim do que já soube antes. Eu a sentia, mesmo na distância. De alguma maneira, você me acompanhou durante todo o período de “ausência”. Nossa! Mal consegui erguer os dedos para as aspas…

˗˗ Amigão. temos a mais nobre das conexões. Independente de ganhos materiais e nível socioeconômico, idade ou gênero. Neste país sexista e homofóbico, de formação patriarcal e machista, que isso ocorra entre uma mulher, como eu e um homem, como você, causa desconfiança. Belos relacionamentos são bombardeados pelo preconceito. Mas saiba que já pensei em nós dois como amantes. E somos, de certa maneira. Será que precisamos que os nossos corpos, além dos nossos olhos, corroborem nossa intimidade como tais?

˗˗ Também passei noites insones nos imaginando como amantes. E uma curiosidade surgiu: continuaríamos amigos tão profundos se deixássemos o nosso desejo falar mais alto? Esse terreno é um campo minado, vivemos por um passo em falso. Ah, corremos o risco que o ciúme e o egoísmo, grandes vilões de qualquer amizade ou vínculo amoroso, prevaleça. Eu, pessoalmente, sou daqueles que luta para que isso não venha a interferir. Muitas vezes, sem sucesso. Porém, prefiro você em minha vida, muito mais do que qualquer outra pessoa que não entenda o que temos…

Tocando as mãos sobre a mesa pelas pontas dos dedos, os dois se entreolharam longamente, bêbados, também de amor…

*Sete Pecados é um lançamento da Scenarium Plural – Livros Artesanais

Lola Maria

Lola Maria

Escrevi há cinco anos, em 2015…
“Então, ela está partindo… Chegou há quase dois meses e, desde o início, se impôs como a única senhora da casa. Dias antes, era uma sem-terra e sem-teto, como dizia o amigo Bigode, revirando montes de lixo, em busca de restos de comida. Logo, após passar um período reclusa para se curar dos problemas que apresentava, dormia entre as almofadas, no sofá da sala. Ainda quando estava com sarna, e emagrecida, mas já demonstrava a personalidade robusta de quem sabe o que quer.
E o que ela queria? Ora, o que todos os seres sobre a face da Terra querem: se sentir amados! E é! Recebeu o nome de Lola, em referência a um filme cult alemão chamado ‘Corra, Lola, Corra!’, cujo o tema gira em torno de uma moça que corre o tempo todo para tentar resolver um imbróglio que envolve o seu namorado e seu pai, enquanto a sua vida passa em retrospectiva. Ganhou o acompanhamento ‘Maria’ como codinome.
Duas das minhas filhas, a Romy e a Ingrid, a encontraram justamente assim — correndo de um lado para o outro da avenida, com o risco de ser atropelada — parecendo perdida ou buscando algo, talvez o seu companheiro humano de rua. De alguma forma, conseguiram recolhê-la e a trouxeram para a casa.
Devido ao seu tamanho, conjecturamos que fosse ainda filhote, mas alguns aspectos da sua aparência e de seu comportamento pareciam denunciar uma idade mais avançada, como as tetinhas maiores, em decorrência de uma possível gravidez, e os dentes completamente formados. Recentemente, entrou no cio, o que ocorre com cadelinhas com pelo menos oito meses de vida.
Outras características, como as suas atitudes, que parecem carregar certa experiência, como pegar um punhado de comida na boca e levar para um canto para mastigá-la com calma, talvez reflexo de uma vidinha de quem precisasse garantir a sobrevivência à base de vários truques. Ou de estar sempre alerta para qualquer movimento brusco de alguém, em defesa contra alguma agressão inesperada.
Irrequieta e malcomportada, eu já perdi várias vezes a estribeira por Lola Maria fazer xixi e coco nos mais diversos cantos da casa, já que as meninas achavam que tinham que protegê-la das outras residentes caninas. Com o tempo, a fomos colocando junto a elas, no quintal. Após vencer as primeiras resistências das suas companheiras, conseguiu ficar mais à vontade com todas. Mas continua a dormir, à noite, dentro de casa.
Agora, ela está prometida para outro lar e deverá partir em breve. Será companheira de outras pessoas, com a promessa de vir passar alguns finais de semana, como os filhos que frequentam a casa de pais divorciados. Não sei como funcionam as engrenagens do Destino (e quem é que sabe?), mas esse pequenino ser que veio parar em nossa casa tem a capacidade mágica dos sobreviventes e dos vencedores convictos e tem me ensinado muito sobre a vida, muito mais do que eu gostaria de admitir’.

Um Menino

Aos 14 A
Está foto do menino foi tirada aos 13 anos. Porém, o seu sentimento permanecia o mesmo…
Conheci um menino que, por volta dos oito ou nove anos, recebeu a informação, por coleguinhas mais velhos, que a maneira mais comum de fazer amor com uma mulher, seria frente a frente. A principal preocupação do menino passou a consistir no fato de que teria que fazer algo tão íntimo olhando nos olhos da pessoa que viesse a namorar.
Aquela possível futura situação realmente o deixou estarrecido. Percebeu que não teria condições psicológicas de realizar aquela proeza. Seria tão fácil, pensou, se fosse apenas como os cachorros fazem, que era o modo que conhecia, pelo que via nas ruas…
Aliás, olhar nos olhos de outra pessoa era a coisa mais difícil de sua vida. Como igualmente enrubescia com a ideia de que alguém estivesse o observando. Tentou sempre ficar nos fundos ou nos cantos das salas de aula que frequentou. Essa atitude o favoreceu como um observador dos movimentos humanos e passou a sentir prazer em desenvolver esse talento materializando-o no papel. Tentava passar despercebido de todos, mas cedo percebeu que algumas de suas habilidades, passava a posicioná-lo no centro das atenções. Logo, passou a disfarçá-las, para melhor se esconder.
Lidar com as meninas, então, era o pior dos mundos. Elas o fascinavam ao mesmo tempo em que o deixavam paralisado. Gostava tanto delas, que preferia colocá-las na segurança de um pedestal, idealizadas como modelos de perfeição. O menino lembrou-se de quando começou a se apaixonar, à mesma época da descoberta sobre o intercurso frontal entre as espécies.
Primeiro, se apaixonou pela menina mais bonita da escola, depois pela mais desengonçada que, no entanto, gostava de seu melhor amigo. Aliviado por não ser o alvo daquela paixão, serviu alegremente de pombo-correio entre os dois. Mais um pouco, percebia que dava preferência às meninas comprometidas. Isso, o impedia de vir a querer se aproximar delas com intenções amorosas, já que seguia a rígida etiqueta da amizade entre os homens – “poderá até cobiçar a namoradinha do próximo, mas nunca deverá convidá-la para sair”.
No decorrer dos anos, o menino que conheci conseguiu, paulatinamente, mas com muito esforço e sofrimento, superar a sua mórbida timidez. Casou, teve filhas, mas apesar disso, nunca chegou a entender inteiramente as mulheres, mesmo as tendo constantemente por perto. Ou até por isso mesmo… Em suma, elas continuavam a fasciná-lo enormemente.
Se ele me pedisse um aconselhamento e se ele não estivesse tão longe no tempo, pediria covardemente que nunca se aproximasse das meninas, nunca se envolvesse emocionalmente, nunca se apaixonasse por elas. Porém, advertiria também que ele perderia o melhor da viagem. Os altos e baixos do relevo, as curvas perigosas da estrada e a paisagem sempre inesperada. Diria ainda que podemos morrer por elas, no entanto é por elas que devemos viver.

Projeto Fotográfico 6 On 6 / Quem Sou Eu?

Quem sou eu 10 A
Sou água…

Reabasteço-me de minha porção…
Envolto em pele,
mergulho em meio translúcido
que sou eu – aquoso.
Dos antigos, elemento fluídico,
separado do tempo sem fim
onde me abrigo,
vou de um ponto ao outro,
através de mim…

Quem sou eu
Sou lunar…

Pode ser a última lua.
A última vez que atua.
Pode ser a sua última noite.
A derradeira hora do açoite.
O último abraço e o colo quente.
O último suspiro e o beijo ardente.
A última chance de perdoar.
A última oportunidade de amar…

 

Quem sou eu 3
Sou um trevo…

Nasci comum –
um trevo de três folhas.
Num caminho feito de escolhas –
concebi ser ínfimo,
verdejar plantinha em pedra dura,
viver da luz que sobrar
e, apesar de menor,
fazer sombra,
escurecer de vida o claro chão…

 

quem sou eu 9
Sou o mar…

Em tempos restritivos ao caminhar, paro.
Vagueio o meu olhar em direção ao oriente.
Testemunho vagas-ondas em direção à areia –
sucessivos abraços da água salgada.
Oceano de represados sentimentos
pisados-fixados no mar em movimento.
Salgo o doce e o bom,
a vida e o dom
de existir.

Quem sou eu 5
Sou pintor…

Corto a minha orelha, mas não deixo de ouvir
o silêncio penetrante que absorve meu ser só…
Como se fora a tela branca-nada,
ainda que pinte o horizonte
em cores e dores.
A ruminar sóis e girassóis,
campos e procelas,
paraliso a mão e músculos.
Amadureço,
em pinceladas,
a morte em crepúsculos.

 

QUEM SOU EU 2
Sou o humano de um cão…

Converso com o meu humano.
Sem saber falar a minha língua, ele sorri.
Ou pede que me cale.
Nunca sei quando o que digo
é importante ou inoportuno.
Eu o amo tanto!
Morro quando parte.
Revivo quando chega.
Saudade eterna
em plena presença.

Ale Helga — Darlene Regina — Mariana Gouveia — Lunna Guedes

BEDA / Scenarium / Lógica

Lógica

Lógica tem dois significados principais: discute o uso de raciocínio em alguma atividade e é o estudo normativo, filosófico do raciocínio válido. No segundo sentido, a lógica é discutida principalmente nas disciplinas de filosofia, matemática e ciência da computação.

De início, o uso do raciocínio, a depender de quem o utiliza, passa por caminhos insuspeitos, redundando desde criativas análises estruturais a mirabolantes teorias da conspiração. Para esses, “raciocínio válido” é o que vale para explicar porquê as coisas “são” o que “estão”. Os argumentos são apoiados em ideias coletivas normalmente orquestradas externamente.

Deve ser mesmo difícil para quem não encara de maneira racional os acontecimentos cotidianos ver escapar de suas mãos os rumos alternativos aos seus paradigmas. Uma gripe vinda da China, de cepa mais virulenta, poderá significar desde indício de guerra biológica até a um projeto comunista específico para derrubar o governo de um país latino americano do outro lado do mundo. A morte de centenas de milhares de pessoas no planeta inteiro é apenas um mero detalhe.

Contra a determinação do estabelecimento da Quarentena de afastamento social, esses seres “lógicos” levantam a bandeira do prejuízo econômico resultante, sem levar em conta que a elevada mortandade igualmente causa não apenas revezes financeiros como psicológicos. A escolha pela vida é mais ética. Todos os governos sérios a estabeleceram como prioridade. Também filosoficamente falando, é a decisão mais lógica a ser tomada para impedir a progressão da Covid-19.

Porém, por estes lados, para os seguidores do governo central, o isolamento trata-se de um conluio de opositores para derrubar o líder supremo. Da maneira que vejo as atuais circunstâncias, por mais que sejam políticos (portanto, dignos de desconfiança), os chefes dos executivos estaduais e municipais adotaram as medidas corretas. Melhor para eles – em termos de repercussão política a longo prazo – que, em sendo da oposição, enfrentem a rebeldia psicótica do Capitão.

Da mesma forma que é lamentavelmente muito ruim para a população brasileira, já que muitos vagueiam entre atenderem ao chamado para permanecer em casa e o de saírem às ruas para angariar recursos para pagarem as contas. O risco de perder a vida é colocada como possibilidade distante, isso até acontecer com o amigo, com o pai ou a mãe, o marido ou a esposa, consigo. Ser soldado de uma causa não o torna mais nobre, apenas mais um número na operação de soma… ou seria de subtração?

A lógica, em termos filosóficos, me leva à metafísica – exame da natureza fundamental da realidade, a relação entre mente e matéria, entre substância e atributo e entre potencialidade e atualidade. Esse processo me eleva acima das circunstâncias comezinhas, as quais que chamo de crispações na superfície do oceano. Igualmente, me salva do sentimento de me ver como um elemento dispensável no jogo da vida – ainda que seja. Prefiro, se for para morrer de forma tão estúpida, que o faça contrapondo a minha capacidade mental lógica à perfídia de servir de peça num jogo irracional e vaidoso. Política é a arte da convivência. O que se apresenta hoje como cenário é da convivência sem abraços, sem toques e beijos somente à distância – para sobrevivermos. Para podermos voltar a viver, em futuro novo, uma vida plena.

Beda Scenarium