Maratona Setembrina | Como Posso Ajudar?

Pergunta

Vez ou outra, aperto sem querer alguma tecla no celular que acessa o Google, com a questão: “Oi! Como posso ajudar?”… Não foram poucas as vezes que pensei em perguntar como faria para parar o mundo e descer desta nave que viaja a velocidade orbital média de 107. 200/h em torno do Sol. De fato, em vez de simplesmente causar uma hecatombe mundial, bastaria deixar-se ir… Uma tentação que ressurge de tempos em tempos, apesar da consciência pessoal de que somos mais e melhor do que nos apresentamos como seres humanos.

A sensação é que não há saída objetiva para a situação encalacrada em que nos metemos. Erramos como coletividade, muitas vezes buscando o acerto. Ouço em minha cabeça o dito repetido por minha mãe: “O Inferno, de boas intenções, está cheio!”. Porém, não devemos deixar de perceber que mal-intencionados trabalham ativamente a favor da continuação deste quadrante confuso em que nos perdemos, por onde trafegam com habilidade e facilidade.

Eu acredito que seja Espírito encarnado e não apenas uma carne com alma. Portanto, atuo no mundo material e não devo deixar de participar do concerto regido por minhas ações – causa e efeito. Acredito que, conjuntamente, devemos construir nossa realidade física. Acredito que o Amor seja o filtro mais eficiente para nos conectarmos com o repositório energético original de nossa existência. O Amor abre portas, agrega, ajuda e reconforta.

No entanto, a tendência é de que se responda com Ódio a situações difíceis. Dos dois lados, os “separatistas” – oportunistas que buscam nos fragilizar como cidadãos – apostam todas as fichas na desunião para se assenhorarem do poder delegado por nós, através das eleições. Sabem que há divergências de opiniões e as realçam, em vez de buscarem objetivos em comum. Bem aparelhados, se apropriam de um discurso fácil e padronizado, que não dá margem à debates – comandos de ordem-unida. Dado “novo”, em termos de força, as redes sociais ganharam expressão inaudita nessa tarefa.

O que existe de concreto é que, mais do que nunca, as pessoas deixaram suas convicções internas eclodirem, como pústulas. Abriram suas caixas de Pandora particulares e libertaram para o mundo preconceitos e posturas que não contemplam solidariedade, compreensão ou tolerância. A convivência de diferentes opiniões tornou-se quase impossível diante de posturas inflexíveis, em que além da falta de compreensão de texto, entra em cena a pura imposição de valores pessoais de uns sobre os outros.

O fantasma da Ditadura nunca se fez tão perigosamente presente cotejada como solução desde a redemocratização do País. Os militares – igualmente cidadãos brasileiros, mas que são impedidos de atuarem politicamente pela Constituição – tem em seus quadros saudosos do tempo em que imperavam. Naquela época, patrocinaram e deixaram que prosperassem a tortura e o assassinato, com o ativo envolvimento de civis na estrutura montada para a repressão.

Está a se enganar quem crê não houve corrupção nesse período. A carta branca obtida através do Golpe de 64 levou à corporação o bichinho da prevaricação corporativa típica do arcabouço estatal arcaico desenvolvido ao longo da História brasileira. A bem da verdade, sob o manto insuspeito da divisa “Ordem e Progresso”, grupos que sempre se refastelaram de benesses associadas ao poder, continuaram atuando com total proteção daqueles que deveriam promover a segurança e o bem-estar da maioria da Nação.

Como quem noticiasse qualquer irregularidade poderia vir a sofrer represálias como prisão, tortura, desaparecimento, “suicídio” ou morte, as vozes se calaram ou foram caladas. Daí a errônea perspectiva de que não ocorresse as “tenebrosas transações” enquanto estávamos distraídos em sobreviver. Assim, estamos a nos postarmos diante da urna com a dúvida cruel entre votar em quem acreditamos ser a melhor alternativa para nós ou contra quem representa retrocesso e insegurança, ainda que anuncie combatê-la como mote de governo.

Enquanto isso, observo a noite estrelada, tendo a Lua como rainha soberana. Algumas luzes já estão mortas a milhões de anos, alheias aos nossos prosaicos problemas. Porém, ainda podemos a vê-las. Registros legíveis de um passado. Assim como certos fantasmas que apenas esperam a oportunidade para ressurgirem da escuridão dos porões ondem vivem…

maratone-se

Interpretação

INTERPRETAÇÃO
Coração de luz…

Todos nós interpretamos – estabelecemos signos, deciframos significados, nos desentendemos por significantes. Todos nós interpretamos papéis – vivemos, acontecemos e fazemos acontecer. Os meios pelos quais realizamos essa intermediação se dá pelos sentidos em vários níveis de sensibilidade, gerando sensações, emoções e sentimentos. Nossas atuações ocorrem neste palco, a Terra, em diferentes cenários – oceanos, continentes, países e nações. As nações são compostas por etnias, religiões, ideologias, gêneros, divididas por classes econômicas – vestimentas usadas por cada pessoa que as carregam – nós, os atores.

Atuamos baixo a organizações sociais – famílias, amigos, grupos de trabalho – que se interpenetram e se interpretam. Muitas vezes de forma pacífica e produtiva, outras de maneira violenta e desintegradora. Desenvolvemos, ao longo dos séculos, formas complexas de comunicação que deveriam facilitar a convivência em conjunto. Porém, parece que, como quaisquer ferramentas, são utilizadas para destilarem o ódio e ajudarem a implantar sistemas de castas blindadas – vertical, horizontal, perpendicular e circularmente.

Acresce-se que a falta de uma boa interpretação de texto, auxiliada por preconceitos que distorcem sons e embaralham imagens, acabando por tornar tudo uma questão de versão. Transformamo-nos em uma espécie de torcedores de times de futebol em política e em outros assuntos fundamentais que regem nossa vida. Essa distorção, nos faz prisioneiros de manipuladores-diretores, que se beneficiam desses embates. Estabelecer dinâmicas que sejam equilibradas torna-se quase impossível, se não estivermos preparados para comandar nossas próprias visões.

Ressalve-se que o nivelamento de ideias pela média também não é uma boa saída. Muitas vezes, criam-se unanimidades “burras”. Nelson Rodrigues sintetizou exemplarmente essa característica – uma ideia, ao se tornar hegemônica, passa a ser aceita sem muitos questionamentos, deixando-se de pensar sobre ela, gerando um efeito-manada. Para mim, as diferenças e as minorias, assim como os animais em extinção, devem ser preservadas – como exemplo histórico (ainda que negativo) ou como repositório da riqueza humana. Nada é tão simples. Tudo apresenta um custo. Para os pensamentos inusitados, tolerância. Para os que ameaçam a vida, eterna vigilância.

Nesse momento, entram em jogo interpretações dos diversos grupos que se digladiam para implementarem soluções que julgam ser eficientes e permanentes. A linguagem da violência é um poderoso argumento em situações se apresentam no limite entre o bem e o mal. Aliás, na minha interpretação, essa é uma alegação falaciosa. Não existe um tempo sequer onde o bem e o mal não se faça presente na vida de qualquer ser humano, particular e coletivamente. Aliás, os critérios que determinam o “bem” e o “mal” são igualmente “interpretativos”. Soluções finais surgem de tempos e tempos para eliminar essa característica humana que existe desde que Caim matou Abel – seu lado obscuro. “Deus” chegou a enviar um dilúvio para combater o mal que se propagou por sua criação. Parece que não foi tão bem-sucedido.

Em busca das origens que ameaçam as pessoas em sua segurança física, as causas mentais se sobrepõem. É comum muitos as chamarem de espirituais. As Crenças – transformadas em instituições físicas – organizadas secularmente, apesar de propagarem o “Espírito” como cerne de suas pregações, são usadas como sustentação de teses que referendam posições de antagonismo à liberdade de ser. Dessa forma, busca-se formatar comportamentos desviantes como responsáveis pelo “mal”. Não aceitam o contrário, o contestatório. Como conviver com tantas diferenças não é fácil, incitam a intolerância e tentam matar, no nascedouro, ideias diferentes do que julgam reto. O olhar de ódio é o seu pressuposto. A violência, a sua manifestação.

A História, tão desprezada no Brasil, a tal ponto que preferimos gastar mais dinheiro na lavagem de carros oficiais do que na manutenção de nossos museus, nos revela caminhos que já trilhamos antes, como seres viventes neste mundo. Muitos de nós, testemunhamos diretamente muitos desses acontecimentos – manchas em nosso tecido social. Sabemos no que desembocará se persistirmos em percorrê-lo – o abismo. Pergunta-se: aos oponentes do poder estabelecido, segundo um antigo general-governante, deverá ser aplicada a máxima de “prender e arrebentar”? Atulharemos todas as prisões de “desviantes” dos preceitos reguladores estabelecidos? Torturaremos os renitentes?

No entanto, se em vez do olhar prepotente e eivado da raiva congênita humana, adotarmos outra arma? Essa arma não é material, mas transforma a matéria em vida. Não é violenta, mas aplaca com eficiência o violento. É uma arma pessoal e coletiva. Pode ser usada por todos, indistintamente: homens, mulheres e outros perfis de gêneros. Crianças, jovens e velhos podem empunhá-la, usá-la de todas as maneiras. Em vez de seguirmos a herança de Caim, nos revolucionaremos pelo amor. Quem se imbui de olhar amoroso apresenta uma postura mais tolerante e mais compreensiva. O que proponho, já foi tema desde versículos da Bíblia (compêndio de três igrejas hegemônicas) a livros de “profanos”. É um olhar ingênuo, no melhor dos sentidos. É de curiosidade, no mais amplo alcance que possa ter. É um olhar pasmo*, a ponto de ver materializado um coração de luz a bater na parede do banheiro – sol poente na janela d’alma…

*O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caieiro – Heterônimo de Fernando Pessoa

Projeto Fotográfico 6 On 6 – Passos | Cenários

Esta cidade que se come, nesta manhã, reaparece em suas linhas retas-irregulares, em cinza-cimento, imersa em cinza-nebulosidade. Linda, de tão feia. Porque quem a ama, bonita lhe parece – distorção que todo amor gera, abrigado por suas praças sem cuidado.

Cena (2)
Retas-irregulares, em cinza…

Quando vejo São Paulo aparentemente desabitada, como nesta manhã-madrugada, sei que por trás de suas portas, paredes e janelas, o drama da vida se apresenta implacável e comovente… Amores acordaram abraçados… Traições foram postas à luz… Amizades passaram a noite insones apenas no bate-papo livre e sem rumo… O desejo de ser feliz pode ter encontrado guarida nos peitos e paixões nos corpos… Ou, tristemente, podem ter se perdido entre os desvãos dos prédios e das ruas sem saída da metrópole insana que desperta…

cenas-1.jpg
Fome de aço…

Tenho fome de asfalto, granito e aço. Eu não sei o que acontece, mas não são poucas as vezes que eu sinto uma tremenda vontade de abocanhar esta cidade. Degluti-la quase inteira, absorvê-la e vomitá-la, renovada e rediviva. Traduzida.

Cenas (2)
Traduções…

Por caminhos antigos, não percebo os escombros. Mas histórias passadas, que um dia foram protegidas por tetos, quartos e salas – lares e comércios – negócios de viver. Espaços contidos de expressão. Lembro as roupas, os comportamentos, adivinho os pensamentos – déjà-vu, atavismo ou alucinação.

Cenários
Escombros…

Progressivamente, o sol se ergue por entre as colunas e lacunas. Durante o dia, pessoas de todas gerações e procedências se cruzarão por suas calçadas, dobrarão suas esquinas. Serão carregadas feito vírus por trens subterrâneos e vias elevadas, por ônibus e automóveis. Cumprem a magna determinação e enlevado desejo do monstro – querer ser maior e pior.

Cenas (3)
Leituras…

Seus personagens ressurgem anônimos e marcantes. Tento lê-los… A moça deselegante e amarfanhada, dona da lojinha de frutas, que arranja as prateleiras. O jovem forte e bonito, negro, que reabre o salão afro de cabelereiros e carrega uma camiseta em que se lê: “I ran like a slave. I walk like a king”. Na padaria, enquanto toma café, o operário com capacete de segurança, lê um livro técnico de engenharia. No trem, uma moça, entretida com um livro religioso, permanece em pé, apesar dos inúmeros bancos vazios.

Cena (1)
Anônimos…

São Paulo é meu carma.

Participam deste projeto: Cilene Mansini | Maria Vitoria | Mari de Castro | Lunna Guedes | Mariana Gouveia

Marina, Morena

Lançada em 1947, a linda canção do grande Dorival Caymmi nasceu de uma frase dita por seu filho Dori, então, novinho, quando viu o pai sair pela porta: “Estou de mal!”. O dito ficou martelando na cabeça do compositor e, ao final do dia, a canção estava pronta. Do mote inicial, construiu o sucesso reeditado por Gilberto Gil em 1979 que, inclusive, nomeou como Marina Morena a uma de suas filhas.

Apesar da beleza da melodia, a composição carrega algumas contradições em relação à visão do “politicamente correto” que frequenta nossos dias. Ainda que tenha objeção a normas que preconizam comportamentos uniformes, não posso deixar de observar preconceitos arraigados, sob aspectos aparentemente inocentes da nossa formação como Sociedade, revelados por sua letra. Ao lado da marcante e suingada interpretação de Gil, a imagem mental de um homem inconformado se impõe apenas porque a “sua” Marina pintou o rosto. Prossegue anunciando “eu já perdoei muita coisa, você não arranjava outra igual / Marina, morena, eu tô de mal…”.

Estamos falando de uma música composta há setenta anos antes, época em que a mulher era cobrada por qualquer comportamento diferente do que fosse considerado ideal – obediência e discrição. A interpretação de Caymmi dada à canção é mais contrita, demonstrando mágoa por Marina ter se pintado. Por trás do elogio – “você já é bonita com que Deus lhe deu…” – resiste implicitamente a contrariedade por ela querer chamar atenção ao se pintar. Eventualmente, deveria passar pela cabeça do homem que ele não seria suficiente para ela. Se Marina viesse a responder que se pintava para se sentir um pouco diferente ou mesmo mais bonita para ela mesma, isso não caberia em seu pensamento.

Caymmi, um dos maiores compositores da música brasileira, gostava de artes plásticas, foi pintor quando mais novo e teve contato com diversos intelectuais, artistas e escritores de meados do Século XX, como Jorge Amado. Inteligente e talentoso, ainda assim não escapou às determinismos sociais do período, em que a atuação da mulher se restringia a se casar e ser “dona de casa” como objetivo ideal. Quando canta “você sabe que quando me zango, Marina, não sei perdoar”, é mostrado um personagem irredutível em aceitar tamanha falta.

Setenta anos depois, outra Marina se coloca a frente de uma situação em que ousa ultrapassar os pressupostos estabelecidos ainda hoje em nossa sociedade. É candidata à presidência do País. Apesar de apoiá-la, antes não revelaria o meu voto nela. Mas como já declarei que não votaria em um em especial, entre todos, o que veio a gerar alguma repercussão, a favor e contra, incluindo alguns que privam do meu contato (normal, mesmo porque sou a favor da convivência de ideias contrárias) preferi ser taxativo. Colaborou, também o surgimento de uma foto que achei graciosa pelo enunciado, mas que suscitou minha reflexão: “Enquanto vocês ficam aí brigando entre Lula e Bolsonaro, a Marina está formando seu exército de clones” – via Instagram.

CLONES

Por trás da imagem, há tanta coisa envolvida, que decidi detalhá-la. Nela, vemos Marina Silva (sobrenome-ícone-brasileiro), fazendo o “V” da vitória, em meio a um grupo de mulheres parecidas com ela, em pelo menos uma condição – a origem étnica – a mesma da maioria dos brasileiros: miscigenada, além do pequeno porte físico, a postura contida e o sorriso encabulado. Ela está entre homens e mulheres que fazem parte do grupo que representa, formado por pessoas que, como ela, nasceram em condições precárias de subsistência. O símbolo da vitória se justificaria por diversas razões, mas sobretudo porque ela chega a uma posição de protagonismo em uma eleição majoritária, mais uma vez.

Superada todas as vicissitudes pelas quais passou, como sabemos, não vejo quase nenhuma pessoa tão gabaritada quanto Marina, morena, para chegar à chefia do Executivo. Esta será a terceira vez que comparecerei à urna para referendá-la. Seu projeto me chamou a atenção desde o início pela defesa do meio ambiente e do saneamento básico como requisitos fundamentais para a melhoria das condições mínimas de saúde e bem-estar da população. Parece pouco ou simples. Se é, porque não realizam? Valorizar a Educação de base, incluindo a construção de creches, se é uma tarefa pequena, porque não é implementada? Além disso, seu programa de governo discorre com propriedade sobre as grandes e complexas questões que dizem respeito à administração do País. Para quem se interessar, acesse seu plano de governo: https://ep00.epimg.net/descargables/2018/08/15/fccc6c2f2fbf5bab0e94cc013a27e399.pdf

Ao mesmo tempo, avançou em questões que causava reservas junto a determinados setores “bem pensantes”, que a viam como messiânica, em uma tentativa de desconstrução feitas por antigos aliados. Retirada essa pecha um tanto preconceituosa, com cara de progressista, acho que aprendemos a lição quanto a não voltarmos a seguir tipos que se anunciam como “Salvadores da Pátria”. Nesse quesito, ela demonstrou buscar a colaboração de todos os setores da sociedade brasileira, como líder democrática que é.

Ao final, espero sinceramente que o “exército de clones” da Marina possa vencer, na sua figura, seus oponentes mais gritantes – o preconceito, a misoginia, a visão míope e a desconfiança quanto a capacidade dos brasileiros de superarem seus limites (visto por eles mesmos), apesar da pobreza material e mental reinante – imposta desde sempre pelo sistema cartorial patrocinado por aqueles que sempre viveram às expensas desta Nação.

BEDA | O Segundo Assassinato de Marielle

ARMA
Vamos nos amar ou nos armar?

Eu já escolhi em quem votar. E, principalmente, escolhi em quem não votar – um, entre todos. Ou seja, qualquer que seja o/a seu/sua oponente, caso chegue ao segundo turno, voltarei contra Jair Bolsonaro. Esse senhor talvez seja a pessoa mais despreparada para chegar ao cargo mais importante da Nação já visto. O que é incrível, visto o péssimo rol de candidatos que se apresenta para esta eleição e outras que já tivemos.

Não sabe nada sobre Economia. Não sabe nada sobre Educação. Não sabe nada sobre Saúde. Não sabe nada sobre relações humanas. Não sabe nada sobre governar. Talvez saiba algo sobre mandar, acostumado que está a ser obedecido por tropas sob seu comando: “Atirem, matem, recarreguem, atirem!”. Fala como um atirador. Acertas vários alvos. Balas perdidas, faz vítimas a torto e a direito. Seus apoiadores urram de satisfação se atinge um “malfeitor”, apesar dos vários corpos de inocentes jogados lado a lado.

Prometeu equipar com poderosas armas de fogo os combatentes de crianças de 8 anos de idade com fuzis nas mãos. “Nossas” crianças contra as “deles”. Nada de criar uma sociedade igualitária pela educação de qualidade, estimular a inclusão de brasileiros ao mercado de trabalho, diminuir a desigualdade. Não. Vamos matar todos que estão do “outro lado”. Talvez seja a guerra tão sonhada por generais ociosos que creem na revolução pela violência – equalizar pela eliminação, o diferente.

É homofóbico, saúda a família tradicional e o casamento entre heterossexuais como instituição – já fez isso três vezes. Nada contra. Parece gostar de mulher, mas não da mulher – misógino. Racista, avalia pessoas por arroba. Disse ter Deus no coração e professa o ódio como base de atuação. Ódio que atingirá a todos que não seguirem a cartilha do “marchar, continência, obediência cega, botas limpas, visual limpo e insuspeito”. Nada de educação sexual para as novas gerações de crianças que, com cinco anos de idade, já “aprendem” a fazer sexo em vídeos explícitos em seus celulares, no recesso de seus lares.

A sociedade brasileira, depois de anos de desenganos, está doente. Quer um remédio amargo, “nova” fórmula, mas tão antiga quanto a história da humanidade. O século passado passou, contudo, corre nas veias de velhos preconceituosos e jovens que desejam uma velha ordem, com cara de novidade. Os criminosos de dentro e fora do governo estão exultantes com a possibilidade de que tudo piore. Quem não sabe o que já aconteceu neste País, quer apostar no quanto pior, melhor. Ver o circo pegar fogo é o desejo de todo palhaço assassino.

Em outubro, Marielle poderá ser executada novamente, em público, à luz do dia, em uma emboscada que está sendo armada por todos nós, brasileiros. A mulher que representa as minorias (em direitos atendidos), será fuzilada mais uma vez. Eu, que não professo posicionamentos da esquerda partidária, reverencio a história dessa mulher. Sua memória de luta será aviltada, de novo. Nessa oportunidade, os autores do crime estarão armados de títulos de eleitor.

Participam do BEDA: Claudia — Fernanda — Hanna — Lunna — Mari