Exposta às intempéries – à luz, à câmera, aos desejosos olhares –
passam todos por sua superfície,
essência que se esconde,
ao se mostrar em pele…
Corpo de mulher, cabeça de azul – esse ser-etéreo-cor –
proclama a antiga máxima, apenas por tradição:
“Decifra-me ou lhe devoro!”
Pois que não deixa de devorar, a quem-qualquer se lhe aproxima –
o pensamento e a atenção – tensão
que não se basta.
Antes, se abastece da atração – se desbasta
de adoradores que se entregam, de bom grado,
à sua devoção-devotamento…
A Esfinge ora a que deus, se ora?
A oratória é de quem quer ser,
mais do que a qualquer divindade – adorada.
De hora em hora, são miríades – mulheres, homens e anjos-de-asas-sem-penas –
entidades-sem-sexo a penarem
por seu olhar-de-terra-à-vista do primeiro astronauta:
“por mais distante,
o errante navegante –
quem jamais lhe esqueceria?
Eu-o-observador, creio que seu segredo está em não ser decifrada –
A Esfinge –
mas ser aceita em sua complexidade-de-mulher-que-finge
ser quem não é, por profissão
de fé e paixão.
Que esse fingimento é sua essência-de-jogo-de-espelhos que se alheia
e se mistura às gentes, que as consumem por dentro,
enquanto sua beleza de Alien simbiótica-mística-quântica
a reproduzir sua imagem em cada íris de quantos-olhos-outros,
muitos, embarcados em existires sem nexo.
Por que o faz, se mata de amor aos seus hospedeiros e se deixa morrer?
Sua natureza esfíngica explica…
E nada revela.
Etiqueta: paixão
A Rainha Louca

Foto por Elina Krima em Pexels.com
A loucura não era pouca.
Ele,
tomado de amor,
vibrava em jatos.
Ela,
gemente de paixão,
terminava em prantos…
Dos lençóis revolvidos,
surgiam unidos
em corpo, suor e sangue.
As almas,
abandonando a ambos,
esvaíam-se pelos poros…
Os fluídos,
em escambos,
formavam um rio de odores
doces
e cruas dores…
Quando se despediam,
era como se fosse o último
encontro.
É como se acabasse
o mundo.
Como se fechassem os portais
do tempo.
Como se cessassem a contagem
das idades.
Como se inaugurasse o Templo
da Saudade…
Até o próximo
quarto de Lua.
Até se abrir a porta
do próximo quarto.
Até a entrega
do próximo beijo.
Até a consumação
do imenso desejo.
Até que ele se entregasse
em exaustão à rinha,
até que ela incorporasse
a Louca Rainha…
BEDA / Scenarium / Eu Amo Você!

B.E.D.A. — Blog Every Day August
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina — Mariana Gouveia —
BEDA / Scenarium / Inteiro Ou Partido*

O meu amigo Ivan Rocha passou de “noivo” para “solteiro” no Mural do Facebook. À propósito do fato divulgado de maneira tão direta em seu perfil, comentei: “Ivan está só, está ao sol, está inteiro, está solteiro!”. Ao que ele lembrou que uma vez, de forma similar, brinquei com a palavra “amortecedores”, destacada na propaganda de uma oficina mecânica: “É, o amor tece dores”… À parte o encontro de rimas forçadas ou significados ocultos no que dizemos ou vemos escrito por aí, divaguei à respeito da primeira montagem.
Estar só é estar inteiro? Quando estamos com alguém em realidade nos dividimos. E por que sentimos essa necessidade de sermos apresentados em duas partes? Se somos inteiros em nossa unidade, por que queremos encontrar completude em outro? E se queremos nos completar em outro, que força poderá manter unido um casal, além da ilusão do amor? Em se considerar o amor algo ilusório. Sempre haverá alguém que considere o desejo ou a paixão como sendo amor, se iludindo que queira unir-se a outro ser pela força dessa ilusão. Quando descobrimos ser só isso e a atração se esvai, o que antes era inteiro, nos deixa partidos, até… juntarmos os cacos, nos fazermos inteiro para depois sermos atraídos para nova partilha.
Bem… como eu disse, são divagações…
*Texto de 2011
B.E.D.A. — Blog Every Day August
Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina — Mariana Gouveia —
BEDA / Scenarium / Leonina

O dia começa quando ela desperta.
O sol irradia luz para clarear o seu caminho.
Decide seus passos à revelia dos obstáculos.
As portas se abrem quando ela se aproxima.
Os espelhos disputam o seu reflexo quando ela passa.
A festa acontece quando ela aparece.
O DJ toca as suas músicas preferidas.
Na dança, ela comanda a coreografia.
Mares e brisas de mil anos contam segredos
quando pede que seu amor se entregue.
Quando nasceu, aceitou nascer todos os dias
em partos dolorosos,
pelo poder de viver mínimas alegrias,
poucos momentos de paz e prazer,
riso, paixão e nexo.
Por isso, vive…
Por que tudo é assim?
Esse é um enigma que não desvendei.
A resposta, não sei.
Não saberia, ainda que fosse o rei.
Ainda que percebesse o contexto.
Escritor, queria escrever outro texto
que pudesse mudar o destino,
arquitetar outro roteiro.
Queria que ela vivesse à larga,
bebesse o vinho tinto da melhor safra,
a caipirinha da mais apurada cachaça.
Ainda que não fosse alguém que ela amasse,
que eu não fosse feito de carne, mas de doce cassis.
Que meu corpo não tivesse ossos, mas giz.
Que eu estivesse em outro país
ou que não a tocasse por um triz,
que não apreciasse seu perfume pelo nariz
ou que ela viesse de outra raiz,
queria ver alterada a diretriz.
Que pudesse escolher entre ser o condenado ou o juiz,
cumprir a dura pena ou decidir que ela fosse, apenas, feliz…
Já que não tenho como a proteger
da necessária passagem do tempo e do sofrer,
me resta somente lhe perguntar:
de que maneira eu melhor posso lhe amar?
B.E.D.A. — Blog Every Day August
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