Quem é aquela jovem mulher que desce a escada?
Olho de novo e busco saber de onde a conheço
Busco a bela moça em minha memória escavada
Perco-me por dois segundos, desde o fim até o começo
Aquela parece ser minha filha menor, parece ser a caçula
Que desce do andar de cima com um novo andar
Que deitou menina pequena e acordou qual mulher de fábula
Transformada em novo ser, com um novo olhar e menear
Como ocorreu de maneira tão célere essa passagem?
De bebê à criança, à menina, à moça, até ser mulher?
Como se deu a consumação desses dias em voragem?
Qual o nome da força que mal consigo, por um instante, conter?
Será a vida, irrefreável e absoluta, que nos coloca o prumo?
Será o tempo, impassível e frio, como um rio a transbordar?
Já antevejo o dia em que a levarei ao altar, para um novo rumo
E o ciclo a se completar, tendo no colo o futuro a me recordar…
*Poema de 2013
