No dia 15 de Julho, há 12 anos, publiquei provocativamente no Facebook: “Salve o Dia do Homem! Minha homenagem a esse ser cada vez mais oprimido!”. Quis provocar uma discussão acerca de uma data comemorativa totalmente fora de propósito, já que no Brasil de então, o que continua acontecendo até hoje, todo dia, aliás, toda a hora é hora do homem. Tudo o que pensa, diz e faz é aceito muitas vezes sem contestação. Principalmente quando em confronto com o que pensa, diz e faz a mulher.
Aduzi nos comentários: “… sei de muitos homens que não se sentem confortáveis na nova condição que as representações modernas entre os gêneros assumiram na Sociedade atual. Com a ocasional inversão de papéis atribuídos a homens e mulheres, como os de comando, por exemplo, cada um dos gêneros tem que aprender a lidar com as novas situações que se apresentam. Mal podendo esconder o Machismo, homens se sentem oprimidos pelo sexo diverso (não gosto de ‘oposto’) nessas ocasiões”. Muitas mulheres não percebem que são vítimas, aceitando como inevitável a opressão. Pessoalmente, presenciei várias situações em casa que apenas mais tarde pude reconhecer o traço violento de meu pai com a minha mãe, principiando com o abuso psicológico, primeira etapa de um processo que pode acabar em fatalidade.
Como reação desproporcional aos novos parâmetros, o assassinato da mulher pelo homem transformou-se em epidemia comportamental. Ou, como quem lida com esse fato chama a atenção, a tipificação do Feminicídio gerou estatísticas que confirmaram esse tipo de violência como algo quase convencional, firmemente enraizado no Patriarcado e que já ocorria frequentemente antes. Um passo importante para diminuir o número de ocorrências, foi a promulgação da Lei 11.340, sancionada em 7 de agosto de 2006, que passou a ser chamada de Lei Maria da Penha, em homenagem à mulher cujo marido tentou matá-la duas vezes. Essa incrível mulher desde então se dedica à causa do combate à violência contra as mulheres.
Eu me identifico como homem, mas me identifico muito mais como Homem. Muitos de nós, de um modo e de outro, somos discriminados por assumirmos papéis não institucionalizados como eminentemente femininos. Mesmo as mulheres, algumas aplaudem ao saberem que faço tarefas caseiras; que cuidei das meninas enquanto a mãe delas fazia faculdade e trabalhava; que deixei de trabalhar para me dedicar a cuidar da mais velha, que apresenta um problema de saúde congênito. Outras, jocosamente, dizem que eu “tomei chá de calcinha” para me submeter a tal situação.
Como Homem, me identifico também com as outras espécies com as quais convivemos, muito oprimidas por nós todos reunidos numa Sociedade doente, abarcado por um Sistema espúrio – promotor de desequilíbrio nas relações humanas – acabando por gerar violência. Nesse contexto, quase chego a sentir compaixão pelo opressor, tão infeliz quanto àqueles que fazem sofrer. Enquanto não abrirmos os olhos para a necessidade de unirmos as nossas forças para interagirmos coletivamente para sobrevivência do planeta. Se assim não for, não chegaremos bem ao nosso destino. Morreremos todos, não sem antes levarmos nosso lar, a Terra, à extinção da Vida.
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Eu sou péssima com datas e dificilmente alguma me interessa. Algumas me chamam a atenção pela necessidade, como o dia da consciência negra (mesmo não alcançando o propósito, é necessária). Mas o dia do homem me parece sem propósito, mesmo que provoque discussões. Ando com preguiça de discutir o homem, em si e não é pela força desproprocional da figura do homem. Mas é por preguiça mesmo. Preguiça que certos persongens provocam e na rasura de suas falas. Sei que não posso generalizar, mas mesmo os que assumem funções que alguns dizem ser femininas, esperam aplausos, querem holofotes. As mulheres assumiram lugares, ocuparam posições, muitas vezes por necessidade, e lutaram por melhorias, igualdades. Mas não por holofote e sim por fazerem o mesmo e receberem menos, muito menos. Produzirem mais e melhor.
Enfim, como eu disse, preguiça… rs
Essa questão do holofote tem dois lados, eu posso dar o meu testemunho. O primeiro é o de que minha atitude pode ser vista como exemplo, o que sempre foi a minha intenção. Não apenas para as minhas filhas para que não pensem que uma eventual serviçal caseira viesse a fazer o que poderiam fazer, escapando de um sistema que sustenta essa dependência. Acho que consegui o meu intento. O segundo é o de balizar para os moços que me conhecem possam me usar como espelho. Quanto as mulheres fazerem mais e melhor, concordo.
Meu caro, o Rodrigo Hilbert, por exemplo, faz coisas várias e acaba servindo de exemplo para uns e outros. ok. E virou brincadeira nas rodas. Mas tem homens que querem aplausos mesmo porque lavou uma prato e um talher ou porque varreu o chão, tirou a roupa da cama e descobriu como usar uma máquina de lavar…
E quando disse holofote, é a maneira como exaltam seus feitos, como se fosse a coisa mais importante do mundo, quando na verdade, estão fazendo apenas uma atividade comum e não descobrindo uma teoria que irá provocar enorme impacto na vida, na terra. rs
Preguiça!