Antes dos 14 anos eu tinha a nítida percepção de que teria três filhas e antecipei os seus nomes em minha mente: Maria, Victória e Saphira. Dois anos mais tarde, eu havia começado uma transição para uma viagem para o meu interior. Eu comecei a evitar o consumo de carne e durante dez anos mergulhei em um comportamento de isolamento das pessoas ao meu redor. A minha pretensão era evitar qualquer contato com o Sistema e as suas prerrogativas: trabalhar, comprar coisas, ter família, utilizar o meu eventual talento para alguma função para reafirmar que sim, pertencia ao status quo vigente.
Comecei evitando tirar carta de motorista (até hoje não dirijo) e me envolver com alguém a ponto de desejar procriar. Comecei a pensar na possibilidade de ser Frei franciscano. Frequentei por um tempo os estudos necessários, mas foi durante uma visita ao Seminário de Agudos para conhecer o possível local do curso para me tornar um membro da Igreja Católica (apesar das minhas diferenças quanto à sua história) que encontrei uma variante para o meu percurso que acabou por se tornar o que seguiria dali por diante.
Ajudou na decisão, o fato do Frei coordenador me dizer que não seria naquele momento que eu faria o curso. Disse que eu não estava preparado. Respondi que se não fosse selecionado, seguiria outro rumo. O que era a alternativa impensável, passou a ser a minha tábua de salvação. Eu me tornei pai de três meninas (como sabia que aconteceria) e elas se tornaram a luz na minha vida.
