Hoje eu acordei com a impressão de que “céu” havia perdido o acento. Que a Reforma Ortográfica que extinguiu até o trema em “extingüiu” havia invadido o Céu. Nesse caso o seu som se assemelharia a “seu”. É comum as pessoas, por exemplo, retirarem o chapéu de “você”. Eu não gostaria que se tornasse um você sem chapéu em que você não seria você, mas outra pessoa.
Diante de um tempo em que as palavras estão sendo distorcidas em suas feições e muitas vezes em seus significados originais, talvez eu esteja delirando, já que a palavra é um item essencial na comunicação entres os seres humanos e atacá-las em suas raízes talvez seja uma maneira pensada de desacreditá-las. É um método que já foi denunciado em “1984”, o livro, que ocorreria, com a Novilíngua.
Ainda que Orwell utilizasse o Comunismo como antevisão, o Capitalismo cooptou o arcabouço primevo do regime imposto por Stalin aos russos e aos povos adjacentes para incrementar a dominação do povo sob sua direção. O método não é tão violento em aparência, mas os resultados são igualmente perniciosos.
Assim é que como existiam os dirigentes comunistas ocupando postos inacessíveis para os comuns dos mortais, vivemos em uma sociedade em que o acesso a um padrão de vida equilibrado é vedado à maioria da população. E haja barreiras para interditar que as pessoas mais simples alcancem um padrão igualitário a todos.
Há também uma espécie de reação das classes oprimidas, determinando um vocabulário distorcido em os erros crassos ganham evidência e alcance atingindo o vernáculo de morte. Mas essa é uma constante no desenvolvimento da comunicação, a depender da influência externa como foi o francês antes e o inglês correntemente. Assim como quando o latim e o grego na Antiguidade determinaram a origem de várias expressões devido à dominação de suas culturas durante séculos.
Houve uma época que o Tupy foi a língua dominante durante dois séculos no Brasil Colonial, superando o Português no litoral e no interior até meados do século XVIII. Há várias expressões derivadas de sua utilização. A língua é viva e apesar de eu ser avesso a determinadas ingerências inadequadas que empobrecem a comunicação, continuo a acreditar no poder da palavra bem expressa, com conhecimento de causa e entendimento claro.
E que o Céu continue a ter acento para que saibamos que ele é o espaço ideal de nossas ideias aladas.
Aliás, tomei a liberdade de colocar um “y” na palavra Tupy, como era escrita antigamente.
